faustogodoyfacebookEm 1968, o diplomata Fausto Godoy, 67 anos, saiu de Bauru para o mundo. Primeiro, fez doutorado em direito internacional público em Paris.

Depois, já na carreira diplomática, que começou em 1976, serviu nas embaixadas de Bruxelas, Buenos Aires, Nova Déli,  Washington, Pequim, Tóquio, Islamabade (onde foi Embaixador do Brasil, em 2004). Também cumpriu missões transitórias no Vietnã e Taiwan.

Viveu 15 anos na Ásia, para onde orientou sua carreira por considerar que o continente seria o mais importante do século 21 – previsão que, agora, vê cada vez mais perto da realidade.

Bauru, a cidade em que nasceu e cresceu, no entanto, nunca saiu de sua cabeça.

“Sou bauruense da gema, como se dizia antes”, afirmou ao BOM DIA, em entrevista concedida por email.

Foi na cidade natal que pensou quando decidiu ceder sua coleção de duas mil peças de arte asiática, formada a partir da década de 1980, período em que assumiu posto na embaixada brasileira em Nova Déli.

O diplomata conta que planejou doar a coleção para a USC (Universidade do Sagrado Coração). Chegou a conversar com a direção da universidade, mas depois decidiu ceder para o Masp (Museu de Arte de Sâo Paulo).

“Sou membro do Conselho Curatorial do museu e acredito que, pela importância museológica do Masp, a coleção terá maior visibilidade para o Brasil, que é o que almejo”, diz. “Temos o dever de chamar a atenção da população brasileira para aquele continente, ainda tão longe dos nossos radares.”

É no continente asiático, lembra Fausto, que estão três das maiores economias do mundo: China, Japão e Índia.

A doação da coleção, definida por especialistas como a mais valiosa de arte asiática no Brasil, foi formalizada há uma semana, com a presença de diretores, conselheiros e coordenadores do Masp, além do diplomata e família.

“Acredito que a coleção vai abrir uma nova vertente no Masp, que se torna mais cosmopolita e menos eurocêntrico, acompanhando a mudança do paradigma geoeconomico-político internacional”, afirma Fausto.

A doação, feita a partir de um contrato de comodato, obedece condições apresentadas pelo bauruense: haverá um curador permanente e há o objetivo de ensinar ao público como o antigo convive com o contemporâneo nas culturas orientais.

É o início de um centro de estudos asiáticos.

São obras de diversos países e diferentes épocas – de três mil A.C. até os dias atuais. Para o jornalista e crítico de arte Antonio Gonçalves Filho, que assinou matéria sobre a doação para o jornal “O Estado de S.Paulo”, “trata-se de uma coleção que vai colocar o Masp no patamar do Metropolitan de Nova York”.

O Masp possui respeitado acervo de arte europeia. Com a doação, segundo Gonçalves, terá peças que resumem séculos de história das civilizações asiáticas.

Com alegria, Fausto vê sua cidade crescer

Formado em direito pela ITE (Instituição Toledo de Ensino), Fausto, como ele mesmo diz, é de famílias antigas da cidade.

É filho de Rosenwald Capella Godoy, dono de cartório que antes pertenceu ao avô, Francisco Henrique de Godoy.

Por parte de mãe, é neto de Felisbino Martha e sobrinho-neto de Joaquim da Silva Martha e José da Silva Martha.

“Bauru sempre foi um referencial para mim”, diz. “Os laços permanecem fortes.”

Visita a cidade sempre que pode e, por aqui, tem parte da família e propriedades. A mãe, Sarah de Almeida Martha Godoy, que sempre morou aqui, morreu há cinco anos.

“A Bauru de que me lembro era bem menor, cerca de 100 mil habitantes quando parti, e circunscrita a um grupo de famílias”, recorda.  “Mudou muito, democratizou-se, para a minha alegria, e está-se tornando o grande eixo econômico do centro-oeste de São Paulo”, diz. (Fonte: portal da ACIB – Bauru.

Fausto Godoy nasceu em Bauru (SP), em 28/06/1945 e cursou direito na Instituição Toledo de Ensino (Bauru), partindo para um curso de Doutorado da Universidade de Paris (I) / “Doctorat d´Université”, em Direito Internacional Público, 1971, obtendo diploma da Língua e Civilização Francesa pela Universidade de Paris-Sorbonne, 1971.

Posteriormente cursou História da Arte na École du Louvre, 1973, indo após ingressar na carreira de diplomata do Ministério das Relações Exteriores, em 1976. Começou como assistente da Divisão Latino-Americana de Livre Comércio (ALADI), 1976; depois assistente da Divisão da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1976. Serviu na Embaixada do Brasil em Bruxelas, 1978, serviu na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, 1980 e após na Embaixada do Brasil em Nova Delhi, até 1984.

Foi assistente da Divisão de Energia e Recursos Minerais do M.R.E., em 1987; assessor da Subsecretaria de Assuntos Econômicos e Comerciais, em 1988; assessor de Gabinete no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, 1990; chefe da Divisão Cultural do M.R.E., 1991.

Serviu na Embaixada do Brasil em Washington, até 1992, depois na Embaixada do Brasil em Pequim, até 1995, indo assumir a chefia da Divisão da Ásia e Oceania (DAOC-I), do M.R.E., 1996. Foi aprovado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, com a tese “China e Formosa, Cenários para a Diplomacia Brasileira”, em 1998.

Foi o coordenador do itinerário internacional da Mostra do Redescobrimento, nas celebrações do V Centenário do Descobrimento do Brasil, 1999; Serviu na Embaixada do Brasil em Tóquio, 2001; chefiou a delegação brasileira na “Conferência sobre a Reconstrução do Afeganistão”, em Tóquio, 2002; foi designado Embaixador do Brasil junto aos Governos do Paquistão e Afeganistão, em 2004.

Foi Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Hanoi, 2007 e depois do Consulado-Geral do Brasil em Tóquio, em 2008. Foi chefe, interino, do Escritório Comercial do Brasil em Taipé, 2008 e depois Cônsul-Geral do Brasil em Mumbai (2009). Foi Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Bagdá (sediada em Amã), 2011; Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Daca, 2012; Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Astana, 2013; Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Yangon, 2014.

É atualmente Chefe, substituto, do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo (ERESP); Foi membro do Conselho Curatorial do Museu de Arte de São Paulo (MASP), de 2010 a 2014, a quem doou sua coleção de arte e etnologia asiáticas (cerca de 2.500 peças) em comodato/doação por testamento, em 2011.

A coleção constituirá a primeira ala permanente do Continente asiático em um museu da América Latina. Juntamente com o acervo doou mais de 1.800 livros, CD´s e DVD´s sobre as civilizações asiáticas para o museu (leia a respeito em matéria publicado pelo jornal O Estado de São Paulo. Leia também Diplomata vai ceder coleção de obras asiáticas ao Masp Tem matérias publicadas em revistas brasileiras e participou de vários seminários nacionais e internacionais sobre a Ásia.

Como se vê, trata-se de um bauruense que faz carreira promissora e vencedora junto ao Itamaraty e personalidade do Vivendo Bauru.