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    Quem foi Aserá na Bíblia?

    outubro 20, 20256 Mins Read

    Aserá é uma figura mencionada na Bíblia associada à idolatria praticada por alguns povos vizinhos de Israel na Antiguidade. Seu nome aparece em diversos textos do Antigo Testamento, geralmente relacionado ao culto de deuses estrangeiros e à adoração pagã em Canaã.

    Na cultura semita, Aserá (também chamada de Asherah em hebraico) era considerada uma divindade feminina, cultuada como deusa da fertilidade, da maternidade e da natureza. Ela era vista por muitos povos como a companheira do deus El ou, em algumas tradições posteriores, como a esposa de Baal, o principal deus cananeu.

    O nome de Aserá aparece tanto em referência à própria deusa quanto aos postes sagrados (asherim) que representavam sua figura e eram usados em rituais idolátricos. Esses postes eram erguidos em colinas, florestas e altares, marcando locais de culto proibidos pela lei mosaica.

    O culto a Aserá em Canaã

    O culto a Aserá era amplamente difundido entre os cananeus antes da chegada dos israelitas à Terra Prometida. As práticas incluíam oferendas, sacrifícios e rituais ligados à fertilidade, muitas vezes realizados em templos ou sob árvores consideradas sagradas.

    A deusa era representada como uma figura materna e era vista como a protetora das colheitas e das famílias. Sua adoração, porém, foi condenada repetidamente pelos profetas e líderes de Israel, pois contrariava o primeiro mandamento — “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).

    Apesar das advertências, o povo de Israel, em vários momentos da história, acabou adotando práticas religiosas cananeias, incluindo o culto a Aserá. Essa influência foi especialmente forte nos períodos de apostasia, quando reis e comunidades se afastavam da adoração ao Deus de Israel.

    Aserá e os reis de Israel

    Os livros históricos do Antigo Testamento mostram que o culto a Aserá se espalhou por Israel e Judá durante o reinado de alguns monarcas que toleraram ou incentivaram a idolatria.

    • O rei Acabe, por exemplo, é mencionado em 1 Reis 18:19 como um dos governantes que promoveu o culto a Baal e a Aserá, influenciado por sua esposa Jezabel, princesa fenícia devota dessas divindades.
    • O rei Manassés, em 2 Reis 21:7, chegou a colocar uma imagem de Aserá dentro do templo de Jerusalém, o que foi considerado um ato de grave profanação.

    Essas atitudes provocaram a ira dos profetas, especialmente Elias, Eliseu e Isaías, que denunciaram a idolatria como uma traição ao pacto de Israel com o Senhor. A luta contra os cultos de Baal e Aserá se tornou um símbolo da fidelidade à aliança com Deus.

    A reforma religiosa e a destruição dos postes de Aserá

    Ao longo da história bíblica, alguns reis se destacaram por promover reformas religiosas que buscavam restaurar o verdadeiro culto a Deus e eliminar os símbolos de idolatria.

    • Ezequias (2 Reis 18:4) foi um dos primeiros a destruir os altares e os postes de Aserá, buscando purificar a adoração em Jerusalém.
    • Josias (2 Reis 23:4–7) deu continuidade a essa reforma, removendo todos os objetos dedicados a Baal, Aserá e outros deuses, além de expulsar sacerdotes idólatras e derrubar os santuários pagãos.

    Essas ações marcaram momentos importantes de retorno à fé monoteísta, mostrando que a presença de Aserá representava mais do que simples idolatria — era um símbolo da ruptura entre o povo e o Deus de Israel.

    Aserá na arqueologia e nos estudos históricos

    Além do relato bíblico, Aserá é citada em inscrições e artefatos arqueológicos encontrados em regiões como Ugarite, Samaria e Judá. Textos ugaríticos do século XIII a.C. descrevem Aserá como “a mãe dos deuses”, confirmando que sua adoração era comum entre os povos cananeus antes e durante o período israelita.

    Algumas descobertas arqueológicas sugerem que, em certas comunidades antigas, Aserá chegou a ser sincretizada com o culto a Javé, o Deus de Israel, o que indicaria que parte do povo via nela uma espécie de consorte divina. No entanto, a teologia bíblica rejeitou completamente essa ideia, reforçando a exclusividade de Javé como o único Deus verdadeiro.

    Essas evidências históricas ajudam a compreender por que os profetas e sacerdotes hebreus lutaram tão intensamente contra a influência do paganismo cananeu e do culto a Aserá.

    Aserá na Bíblia
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Aser%C3%A1

    O significado espiritual de Aserá na Bíblia

    Do ponto de vista teológico, Aserá representa tudo o que se opõe à adoração pura e fiel ao Deus de Israel. Sua presença nas Escrituras é um lembrete das tentações que o povo enfrentou ao conviver com culturas vizinhas e da constante necessidade de permanecer fiel à aliança divina.

    A destruição dos postes de Aserá, relatada diversas vezes, simboliza a purificação espiritual e o rompimento com práticas que desviavam o coração do povo. A idolatria era vista não apenas como um erro religioso, mas como uma infidelidade espiritual comparável à traição dentro de um casamento — uma das metáforas mais usadas pelos profetas.

    Assim, a menção de Aserá na Bíblia tem valor pedagógico: alerta sobre os perigos da assimilação cultural e da substituição do verdadeiro Deus por crenças humanas.

    Aserá e o papel das mulheres nos cultos antigos

    O culto a Aserá também tem uma dimensão social importante. Como deusa da fertilidade, era comum que mulheres participassem ativamente de suas cerimônias, muitas vezes envolvendo oferendas relacionadas à maternidade e à agricultura.

    Alguns estudiosos interpretam essa prática como uma tentativa das antigas sociedades de valorizar o feminino no contexto religioso. Contudo, dentro da visão bíblica, o culto a Aserá era proibido, pois desviava o foco da adoração a Deus e se misturava a rituais pagãos que incluíam práticas imorais, como prostituição cultual.

    Isso explica por que o tema de Aserá é recorrente nas advertências dos profetas, que viam nesses cultos uma ameaça à integridade moral e espiritual de Israel.

    Conclusão

    A história de Aserá na Bíblia é um retrato da luta constante entre a fé monoteísta e as influências pagãs que cercavam o povo de Israel. Deusa cananeia da fertilidade e mãe dos deuses, ela simbolizava os valores e crenças das nações vizinhas — crenças que, em diversos momentos, tentaram se misturar à fé israelita.

    Os líderes e profetas que combateram seu culto deixaram um legado de fidelidade à aliança com Deus e de rejeição à idolatria. A narrativa sobre Aserá ensina que a verdadeira adoração exige exclusividade, pureza e compromisso.

    Assim, mais do que uma personagem histórica, Aserá representa o contraste entre o divino revelado nas Escrituras e as tentações espirituais que acompanham a humanidade desde os tempos antigos.

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