Teste seu conhecimento a respeito de Belchior

Para se dizer conhecedor da obra do cantor e compositor cearense Belchior, que morreu na madrugada deste domingo (30), aos 70 anos, é preciso conhecer os clássicos da música brasileira, como “Apenas um Rapaz Latino Americano”, “Medo de Avião” e “Como Nossos Pais”. São canções conhecidas, sem dúvida, mas esta última talvez a mais de todas, depois de gravada por Elis Regina. É tida pelos conhecedores de música como a mais bela.

Belchior foi um compositor que fez aproximação de suas obras com as artes, a filosofia e a literatura e a prova está em suas composições que tiveram início ou divulgação a partir dos anos 70, quando consolidou sua discografia.

Conforme publicação da Folha, “Mote e Glosa” (1974) é o cartão de visitas do projeto musical de Belchior, um disco do tempo de vinil que contém canções como a que dá título ao álbum, além de “A Palo Seco” e “Todo Sujo de Batom”.

“Alucinação” é sem dúvida o álbum que marca a sua carreira. Foi lançado em 1.972 e é nele que temos os clássicos “Apenas um Rapaz Latino Americano”, “Como Nossos Pais”, “Velha Roupa Colorida” e “Sujeito de Sorte”. Músicas de muito sucesso e que nos remete a um compositor brilhante, de muita inspiração e que por todo seu valor mereceu respeito e apoio no mundo artístico, além de prestígio e fama junto a sua grande legião de fãs. Uma vez Belchior, sempre Belchior.


Se atentarmos para as letras de suas composições, veremos um autor retratando grupos marginalizados pela sociedade, entre pretos, pobres, estudantes, índios, nordestinos, retirantes, prostitutas e artista, conforme mencionou em matéria da Folha, a professora de linguística Josely Teixeira Carlos, que estuda a obra de Belchior há anos.

O cantor e compositor retorna em 1.977 com “Coração Selvagem”, disco que apresenta canções como a faixa título “Paralelas”, que ficou famosa na voz da cantora Vanusa (Erasmo Carlos também fez constar em um de seus trabalhos fonográficos).

Com medo de avião veio em 1.979, junto com outros sucessos, como “Meu cordial brasileiro” e “Tudo outra vez”, As canções fazem parte do trabalho “Era uma vez um homem e seu tempo”.

Suas obras não pararam por aí e a partir dos anos 80 Belchior continua sua discografia com discos como “Cenas do próximo capítulo”, Elogio da Loucura e Bahiudo.

Carreira

Seu pai tocava flauta e saxofone e sua mãe cantava em coro de igreja. Tinha tios poetas e boêmios. Ainda criança recebeu influência dos cantores do rádio Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Durante sua infância, no Ceará, foi cantador de feira e poeta repentista, indo depois estudar música coral e piano. Foi programador de rádio em Sobral.

Em 1962, mudou-se para Fortaleza, onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como Fagner, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Cirino entre outros, conhecidos como o Pessoal do Ceará.

De 1965 a 1970 apresentou-se em festivais de música no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção Na Hora do Almoço, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana. Em São Paulo, para onde se mudou, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes com o grupo do Ceará.

Em 1972 Elis Regina gravou sua composição Mucuripe (com Fagner). Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, gravou seu primeiro LP em 1974, na gravadora Chantecler. O segundo, Alucinação (Polygram, 1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como Velha roupa colorida, Como nossos pais, que depois foram regravadas por Elis Regina e Apenas um rapaz latino-americano.

Outros êxitos incluem Paralelas (lançada por Vanusa) e Galos, noites e quintais (regravada por Jair Rodrigues). Em 1979 no LP Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (Warner) gravou Comentário a respeito de John (homenagem a John Lennon), também gravada pela cantora Bianca. Em 1983 fundou sua própria produtora e gravadora, Paraíso Discos, e em 1997 tornou-se sócio do selo Camerati. Sua discografia inclui Um show – dez anos de sucesso (1986, Continental) e Vício elegante (1996, GPA/Velas), com regravações de sucessos de outros compositores.

Discografia

1971 – Na Hora do Almoço (Copacabana – Compacto)
1973 – Sorry, Baby (Copacabana – Compacto)
1974 – Mote e Glosa (Continental – LP/K7)
1976 – Alucinação (Polygram – LP/CD/K7)
1977 – Coração Selvagem (Warner – LP/CD/K7)
1978 – Todos os Sentidos (Warner – LP/CD/K7)
1978 – Pop Brasil (Warner Music / WEA)
1979 – Era uma Vez um Homem e Seu Tempo (Warner – LP/CD/K7)
1980 – Objeto Direto (Warner – LP)
1982 – Paraíso (Warner – LP)
1984 – Cenas do Próximo Capítulo (Paraíso/Odeon – LP)
1986 – Um Show: 10 Anos de Sucesso (Continental – LP)
1987 – Melodrama (Polygram – LP/K7)
1988 – Elogio da Loucura (Polygram – LP/K7)
1990 – Projeto Fanzine (Polygram – LP/K7)
1990 – Trilhas Sonoras (Continental – LP)
1991 – Divina Comédia Humana (MoviePlay – CD)
1991 – Acústico (Arlequim Discos – CD)
1993 – Baihuno (MoviePlay – CD)
1995 – Um Concerto Bárbaro: Acústico ao Vivo (Universal Music – CD)
1996 – Vício Elegante (Paraíso/GPA/Velas – CD)
1999 – Autorretrato (BMG – CD)
2002 – Pessoal do Ceará (Continental / Warner – CD)
2008 – Sempre (Som Livre – CD)

Belchior nasceu Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, em 26 de outubro de 1946, em Santa Cruz do Sul. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional.

Vai “Como nossos pais”, em apresentação de Elis Regina, no Fantástico:

Mais pelo Vivendo Bauru.

(*) Por Renato Cardoso, que é jornalista, publicitário e bacharel em direito.
* Com informações do UOL e Wikipédia.