O sanduíche bauru lembra Zé do Skinão?

Zé do Skinão apostou no sanduíche, daí ter o nome mantido até hoje 

Não tem como falar do sanduíche bauru sem deixar de falar no Zé do Slinão (foto acima), que o difundiu e ajustou a delícia ao bolso do bauruense (com um único queijo) e o serviu por anos, em seu Skinão.

Hoje não se sabe quem ficou mais famoso com o sanduíche, se o criador Casimiro Pinto Neto ou o bauruense que pilotou seu ponto na esquina da Rodrigues Alves por anos. Pelo menos em Bauru o sanduíche lembra o saudoso Zé do Slinão.

De fato no Skinão era possível saborear o sanduíche que leva o nome da cidade com todo seu sabor. Pouca gente se deu conta da falta de três queijos que constavam na receita original, daí o bauruense ser o verdadeiro, como é conhecido.

Mas na verdade, muitas pessoas no mundo todo saboreiam o sanduíche Bauru e nem imaginam que o lanche foi batizado com este nome por causa de um outro bauruense. A receita, embora simples e hoje conhecida internacionalmente, foi inventada em 1933 pelo então radialista Casimiro Pinto Neto, o Bauru, apelido que recebeu dos amigos quando chegou à capital por causa da sua origem. Casimiro na época era um dos freqüentadores da famosa lanchonete paulistana – o Ponto Chic – instalado no largo do Paissandú, considerado naquela época o centro novo e elegante de São Paulo.

Numa noite, chegando atrasado ao Ponto Chic para uma partida de sinuca, Casimiro quis comer algo rápido e substancioso. Chamou Carlos, o principal “sanduicheiro” da casa, e orientou: “Abra um pão francês, retire o miolo e ponha dentro queijo derretido”. Enquanto Carlos anotava, Bauru comentou: “Está faltando proteína nisso”. Deu então a ordem: “Acrescente umas fatias de rosbife”. O “sanduicheiro” se afastava quando Bauru completou a receita: “Carlos, bota também umas fatias de tomate”.

Quando Bauru estava comendo o segundo sanduíche, chegou um amigo e pegou um pedaço de seu lanche – gostou – e gritou para o garçom, “Me vê um destes do Bauru.” A partir daí os amigos foram experimentando e o nome foi ficando. Todos quando iam pedir falavam: “Me dê um do Bauru”, “…me dê um Bauru”, e assim ficou o nome para o sanduíche inventado por Casimiro Pinto Neto – Sua Excelência – o BAURU.

Com a intenção de deixar o lanche ainda mais saboroso, os chefes de cozinha foram adicionando, nas últimas décadas, novos ingredientes à receita original do Bauru. Assim, o lanche passou a incluir, além de tomates frescos, fatias de pepino curtido em vinagre de vinho branco (picles) e vários tipos de queijo.

Receita original
Ingredientes
250 gramas de uma peça de lagarto
80 g de queijo prato
80 g de queijo suíço
80 g de queijo estepe
10 g de queijo provolone

Água o quanto baste
1/2 colher de sopa de manteiga
6 rodelas de tomate
6 fatias de pepino (antes de usar o pepino, deixe-o por quatro dias em uma conserva de vinagre de vinho branco).
3 pães franceses
Sal a gosto

Preparo
Aqueça bem uma chapa de ferro (ou assadeira) no fogão e coloque a carne de lagarto, inteira, sem nenhum tempero. Vire-a seguidamente para que vá assando com uniformidade, até formar um centímetro e meio de carne bem assada, com o centro rosado. Depois de pronto o rosbife, corte-o em fatias bem finas.

Fatie os queijos. Leve uma panela ao fogo, com três copos de água. Acrescente a manteiga e aqueça, até que se forme uma camada de óleo por cima. Abaixe o fogo. Coloque na água o queijo provolone. Junte depois os outros queijos, aos poucos, mexendo sempre e acrescentando água quando necessário, até que se forme uma pasta uniforme.

Corte o pão ao meio, no sentido do comprimento. Em uma das partes, coloque quatro fatias do rosbife, temperadas com sal (na hora). Sobre o rosbife, disponha duas rodelas de tomate e duas fatias de pepino. Retire um pouco do miolo da outra parte do pão e acrescente um terço do queijo fundido, quente. Feche o sanduíche e corte sem sentido diagonal. Repita o procedimento com os outros dois pães e sirva imediatamente.

Pronto, agora que está com água na boca, procure retornar ao Skinão, saborear a delícia feita por lá e beber na fonte as histórias que o Zé do Skinão tinha pra contar.

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

03 de setembro de 2.017: 80 anos do sanduíche bauru.

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