Saiba mais sobre Mairton Farias, que nos deixou hoje

Tristeza na cidade pelo passamento de Mairton Farias.

Muito atuante em várias entidades e muito querido em razão de seu comportamento sempre de muita cordialidade e positivismo, irá fazer falta, Sentiremos sua ausência.
Mairton Basílio de Carvalho Farias chegou a Bauru recém-casado, optando por nossa cidade para oferecer à família que começava a ser formada, a tranqüilidade e a segurança de uma cidade típica do Interior, que tanto ele quanto a esposa já conheciam de inúmeras visitas.

Logo abriu uma casa de chá, a Charão, que na época tornou-se um ponto de encontro tanto para jovens namorados quanto para as famílias de Bauru.
Mairton e a esposa Elida terminaram a faculdade em Bauru, ele em publicidade, e ela, professora.

Fez, ao longo de sua permanência por aqui, inúmeras amizades, trabalhando por um tempo na TV Globo local, enquanto Élida passou a dar aulas numa universidade e também na rede estadual. Depois de anos, Mairton decidiu se desligar da TV para abrir a sua própria empresa que, atualmente está sob o comando de um dos filhos (uma agência de publicidade de muito êxito).

Mairton e Elida sempre se consideraram “adotados” pela cidade e isso depois de 45 anos aqui residindo.
Viraram os dois bauruenses autênticos, embora ele jamais conseguiu deixar de manter o sotaque carioca. Num bate-papo ainda esta semana, num cinema do Alameda, ouvi dos dois que não pensavam em parar de trabalhar.Mairton continuou junto aos filhos na agência e administrando uma entidade que cuida de crianças no Núcleo Geisel, adotada pelo Lions Clube Bauru Estoril. Por aí dá para saber um pouco de seu lado de filantropia, dividindo seu tempo com quem mais precisava (e isso em absolutamente sigilo, fazendo como deve ser feito, apenas com intuito de ajudar o semelhante).

Ambos sempre nutriram uma paixão enorme pelo Carnaval, tanto que todos os anos viajavam para o Rio de Janeiro, para assistir ou até desfilar nas escolas de samba preferidas: São Clemente e Mangueira. Élida sempre mostrou seu lado de historiadora assinando inúmeros enredos de escolas de samba locais (aliás de muito sucesso)
Sobre sua chegada a Bauru, disse que se deu pela transferência pelo banco em que trabalhava, aproveitando-se de uma vaga na cidade que já conhecia, pois tinha vindo várias vezes junto à esposa que já havia até morado em Bauru.

Disse a respeito da decisão: “Escolhemos Bauru para formar a nossa família. Tínhamos apenas dois anos e meio de casados e gostamos da ideia de criar a nossa primeira filha, que já tinha cerca de um ano, e os outros três que nasceram aqui, longe de qualquer influência da cidade grande”.

Aí vieram “de mala e cuia”, com Élida deixando o emprego lá, onde era professora estadual, e ao chegar aqui investindo na casa de chá, a Charão. Era na Cussy Júnior com a Agenor Meira. “Depois acabamos os estudos e, nesse meio tempo, a gente já havia feito diversos amigos na cidade e a situação já era outra. Mas tudo foi feito pensando na criação dos filhos” disse a respeito.

Quando perguntado sobre Bauru ou Rio de Janeiro, para morar, disse: “não tem nem comparação com a cidade de hoje: era calma, bem administrada. Na época, o prefeito era Alcides Franciscato, pessoa que cheguei a conhecer por intermédio de uma tia da minha esposa, que trabalhava com ele na prefeitura. Naquele momento Bauru era o lugar ideal para se formar uma família, criar os filhos. O Rio de Janeiro ainda não era tão violento como é hoje, mas parece que eu adivinhei na escolha. Já Bauru era uma cidade acolhedora, típica do interior”.

MB, como carinhosamente o chamava, disse em papo informal ainda esses dias, que tinha mais tempo de Bauru do que do Rio de Janeiro, aqui chegando com 27 anos, sendo que aqui alcançou a maior parte de suas conquistas. Até mesmo se for dividir o tempo vivido nas duas cidades, Tinha por costume dizer que era um filho adotado da cidade.

Muito ligado à classe empresarial do comércio, ocupava o cargo na ACIB.

Em uma entrevista concedida ao Jornal da Cidade, disse: “Quando a gente chegou a Bauru, estranhamos muita coisa. Primeiro, chegamos trabalhando muito. Tínhamos pouco tempo para diversão e, aliás, na época havia pouca diversão. Mas nas reuniões ou festas com os amigos, a gente estranhava o fato de homem ficar de um lado e mulher, do outro. Nunca o casal estava junto e isso era uma coisa que a gente estranhava muito e, aos poucos, depois de fazer um relacionamento maior com as pessoas, nós fomos quebrando esse gelo. A gente era diferente: onde estava minha esposa, eu estava. E vice-versa. Haviam costumes do Interior. Por exemplo: acabava a sessão das 6 no cinema da 1º de Agosto, todo mundo subia para a casa de chá e, quando dava uma certa hora, todos saíam ao mesmo tempo. Nós andávamos de mãos dadas ou abraçados. Era costume nosso e as pessoas olhavam como que reprovando a atitude”.

Sobre a famosa Casa de Chá (quem se recorda?), tinha um público bastante variado. Era como se fosse uma cafeteria nos dias de hoje, mais frequentada por jovens. Lá fizeram grandes amigos que, na época, eram apenas namorados. Claro que essa amizade perdurou por toda uma vida.

Mairton saiu da hoje TV Tem por entender que já tinha uma bagagem muito grande em mídia eletrônica. “A MB Propaganda nasceu em 1984 e fiquei à frente da empresa por 20 anos. Depois meu filho, após se formar em São Paulo, revelou que gostaria de tocar a empresa. Hoje ele administra e eu estou junto para não ficar parado, não quero parar nunca, quero morrer trabalhando”, respondeu quando perguntado a respeito.

Sobre seu lado de filantropia, sempre se doou muito e, de uns anos para cá, ele e Élida passaram a fazer parte de um clube de serviço, o Lions Clube Bauru Estoril, clube que apadrinha uma entidade. Foi aí que surgiu a decisão de dirigir essa entidade. A entidade atende 176 crianças no total – 76 na creche e o restante no centro de convivência infanto-juvenil. É trabalho dirigido para crianças de 6 a 14 anos, em horário inverso ao escolar. Se há 30 anos atrás, tivéssemos pensado nisso, teríamos, com certeza, menos problemas de marginalização.

Vai fazer muita falta, mas já está a caminho do céu com seu caminho todo iluminado. Fez muito por merecer o descanso eterno.

(*) Renato Cardoso.