Região Administrativa tem Bauru como sede

A Região Administrativa de Bauru é composta por 39 municípios e ocupa 16.105 km2 ou 6,5% do total do território do Estado.

Desde o período da expansão cafeeira, sua infra-estrutura viária permitiu a ligação regional com a Capital, o Porto de Santos e outras regiões do Estado e do país.

Ocupa posição privilegiada para comércio, comunicações e transportes, em função de sua localização central no Estado e de se constituir em entroncamento rodo-hidro-ferroviário.

O transporte ferroviário é tradição regional e uma das alavancas do desenvolvimento.

Em direção a oeste, permite o acesso à Bolívia, ao Paraguai e ao norte da Argentina e, a leste, aos portos de Santos e de Paranaguá.

A malha rodoviária é importante na logística regional, viabilizando acesso a todo território paulista. A partir da Rodovia Castello Branco, o principal acesso é proporcionado pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300), que corta a região no sentido leste-oeste, passando por Bauru.

Outras importantes vias de acesso são a SP-225 que, ao sul, liga Bauru à região sudeste da RA de Marília e, ao norte, à Rodovia Anhangüera; a SP-333, que faz a ligação com as regiões Central, de Ribeirão Preto e de Marília, além do norte do Paraná; e a SP-294, que une Bauru a Panorama e ao Rio Paraná.

Com o aeroporto de Bauru e a Hidrovia Tietê-Paraná, essas malhas formam o principal sistema viário regional.
A maior parte do solo regional é composta por arenitos, que apresentam sérios problemas de fertilidade e erosão; a outra parte é de coloração vermelha, mais facilmente cultivável.

A região possui uma Estação Aduaneira do Interior-EADI, localizada em Bauru, que permite agilizar o controle alfandegário do comércio exterior com a Bolívia e que contabiliza relevante percentual da movimentação de cargas do ramal ferroviário da Novoeste, como resultado de negócios com a Bolívia.

A Região Administrativa de Bauru também está na rota do Gasoduto Bolívia-Brasil.

Os 39 municípios que compõem a região de Bauru são: Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Bariri, Barra Bonita, Bauru, Bocaina, Boracéia, Borebi, Cabrália Paulista, Cafelândia, Dois Córregos, Duartina, Getulina, Guaiçara, Guaimbê, Guarantã, Iacanga, Igaraçu do Tietê, Itaju, Itapuí, Jaú, Lençóis Paulista, Lins, Lucianópolis, Macatuba, Mineiros do Tietê, Paulistânia, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga, Pongaí, Presidente Alves, Promissão, Reginópolis, Sabino, Ubirajara e Uru.

2. Histórico

A rede urbana regional foi fortemente marcada pela expansão da cultura do café e a chegada da estrada de ferro. Em 1905, alcançava Bauru a Estrada de Ferro Sorocabana, que permitiu o escoamento da produção para a Capital e o Porto de Santos.

Em 1906, saiu de Bauru a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que avançaria por terras em grande parte despovoadas, até atingir a fronteira estadual em 1910, direcionando a frente cafeeira e fazendo surgir novas aglomerações urbanas. A Cia. Paulista de Estradas de Ferro atingiu Bauru, em 1916.

Por ser entroncamento ferroviário estrategicamente localizado e base logística para a penetração do sertão, Bauru foi se definindo como centro regional, graças às ferrovias e à chegada de migrantes, atraídos pela expansão das atividades agrícolas, estruturando-se um mercado consumidor e vitalizando a rede urbana regional. A indústria nunca se projetou além de seus contornos iniciais e o que caracterizou a região foi sua condição de pólo terciário, ao centralizar atividades comerciais, financeiras, de serviços e administrativas, cuja abrangência extrapolava seus limites.

Enquanto a área rural sofria esvaziamento, as vantagens locacionais e a infra-estrutura do setor terciário de Bauru impulsionavam o crescimento da população urbana. A cidade colhia os frutos do crescimento de outras regiões, como o norte do Paraná, que necessitava de seus equipamentos, para comercialização e beneficiamento de produtos, e de sua infraestrutura viária, para escoamento da produção para o Porto de Santos. Ao mesmo tempo, constituía-se um centro redistribuidor de produtos manufaturados originários de São Paulo, para todo o Oeste paulista e para as zonas de expansão de fronteira agrícola do norte do Paraná e do sul do Mato Grosso. Bauru era, também, local de passagem obrigatória de migrantes, em seus deslocamentos para as novas áreas.

O movimento de assentamento populacional regional ocorreu mais acentuadamente nas proximidades do traçado das ferrovias, principalmente em Bauru, Jaú e Lins. As taxas de urbanização cresceram com os movimentos populacionais provocados pela expansão da pecuária e pela modernização das relações de trabalho na agricultura, pois os trabalhadores volantes ocupados nas atividades agrícolas passaram a residir em núcleos urbanos.

3. Aspectos Demográficos

Desde a década de 60, a população rural vem decrescendo na região, inicialmente devido ao refluxo da produção cafeeira e do avanço da pecuária; e, nos anos 70, com o processo de mecanização do campo e a adoção do trabalho volante, que expulsou o trabalhador da área rural para a urbana.

Em 2005, a taxa de urbanização regional foi de 94,51%, enquanto a do Estado foi de 93,65%. No período 2000/2005, a taxa geométrica de crescimento anual da população foi de RA de Bauru 4 1,49%, inferior à do Estado (de 1,56%), mas seus principais municípios, Bauru (1,71%) e Jaú (1,89%), cresceram a taxas semelhantes ou superiores à da população estadual, apontando para a continuidade da concentração populacional nos municípios maiores.

Dois municípios são os únicos com população superior a 100 mil habitantes: Bauru, com 343.450 habitantes, e Jaú, com 122.901 habitantes. Dentre todos municípios da região, 27 possuíam população inferior a 20 mil habitantes, sendo que 12 destes tinham menos de 5.000 habitantes, abrigando menos de 5% da população total.

Em 2005, a população regional foi de 1.028.893 habitantes, ou 2,6% do total do Estado, sendo que só o município de Bauru representou 33% da população total regional. A densidade demográfica da região, nesse mesmo ano, foi de 63,89 habitantes por km2.

Conforme pode ser observado nas figuras a seguir, o processo de inversão observado na pirâmide etária da população do Estado também ocorreu na RA de Bauru. Entre 1980 e 2005, houve um acentuado envelhecimento da população, marcado pela redução da participação de crianças, maior participação de pessoas em idade ativa e participação crescente de idosos no total da população.

Panorama Econômico

O Produto Interno Bruto-PIB da RA, em 2004, foi de R$ 10,8 bilhões, representando 2% do total do Estado.

16 municípios têm sua atividade econômica voltada, predominantemente, para a agropecuária (grupo 1); nove para as atividades agropecuárias e terciárias (grupo 2); cinco dedicam-se, principalmente, à industria simples (grupo 3); quatro possuem agroindústrias (grupo 5); dois são multisetoriais (grupo 6).

2 A tipologia dos municípios, segundo o perfil do PIB, destaca, dentre as diversas atividades econômicas do município a de maior peso na formação do PIB municipal. Em www.seade.gov.br.

Economia caracterizada por atividades do setor terciário

A agropecuária é a base econômica da RA de Bauru. A produção de cana-de-açúcar, sua principal lavoura, tem passado por um processo de mecanização da colheita, o que resulta em desemprego de trabalhadores rurais. Café e fruticultura também estão presentes no panorama econômico do setor primário regional.

O município de Bauru é centro de comercialização de animais (bovinos, eqüinos e suínos), refletindo o peso da pecuária na atividade econômica regional. É expressiva, também, a participação da avicultura de corte, na região, e frigoríficos, em Lins, Lençóis Paulista e Bauru.

A criação de bicho-da-seda (sericicultura) tem sido uma atividade regional importante. Depois de um período de declínio, tem havido uma recuperação da exploração sericícola, em municípios como Duartina, por exemplo.

Primário, Secundário, Terciário

Fonte: Fundação Seade. Elaboração: Unidade de Assessoria Econômica.

Desde o início, a indústria regional esteve calcada em atividades de beneficiamento agrícola ou na produção de bens finais demandados pelo processo de urbanização. Nela, prevalecem os ramos de bens de consumo não duráveis, vinculados, principalmente, à indústria de produtos alimentícios de origem agrícola e animal e de bebidas, como os grandes frigoríficos e a indústria de líquidos alcoólicos/vinagre, com destaque para os gêneros sucroalcooleiros e de óleos vegetais. Com as perspectivas promissoras para a produção de etanol e biodiesel, estão sendo implantadas várias usinas e destilarias de álcool na região.

A parte sudeste da região concentra a maior parte das indústrias, principalmente os municípios de Bauru, Jaú, Agudos, Pederneiras, Macatuba, Lençóis Paulista, Barra Bonita, Dois Córregos, Bariri e Lins. Neste último, está sendo implantada a maior destilaria de biodiesel brasileira, que utilizará como matriz o sebo bovino e oleaginosas vegetais.

A RA não possui municípios no Grupo 4 que corresponde àqueles com atividade econômica, predominantemente, voltada para a indústria complexa. Jaú, conhecida como a “Capital do Calçado Feminino”, tem como suas principais atividades a indústria calçadista e a agroindústria canavieira.
Embora existam na cidade outras atividades ligadas à indústria têxtil, alimentícia, de vestuário, de artefatos de tecidos, química, de mobiliário e metalúrgica, sua estrutura industrial é marcada pela fabricação de calçados, couros, peles e similares.

Segundo a Pesquisa de Atividade Econômica Paulista (Paep)4, realizada pela Fundação Seade, em 1996 e 2001, a participação das unidades locais da indústria da região no total do Estado passou de 2,07%, em 1996, para 2,49%, em 2001.

No mesmo período, a participação do valor adicionado industrial subiu de 1,41% para 1,69%, mas a do pessoal ocupado na indústria, decresceu de 2,62% para 2,42% do total estadual.

Unidades locais Pessoal Ocupado Valor Adicionado
Fonte: Fundação Seade – Paep, 1996; 2001.

A localização estratégica de Bauru é fator de grande importância na estruturação do terciário, em especial do comércio atacadista. O crescimento e a concentração da riqueza gerada, principalmente pela produção sucroalcooleira, provocaram a expansão dos segmentos sociais de médias e altas rendas, gerando novos padrões de consumo, refletindo-se na modernização e sofisticação do setor terciário.

No município-sede, desenvolveram-se várias atividades terciárias de apoio à produção e à circulação de mercadorias e de pessoas, como armazéns, depósitos, hotéis, estabelecimentos comerciais e serviços financeiros, administrativos, pessoais e sociais. Assim, o município ostenta um comércio dinâmico e de abrangência regional e é entreposto de grande expressão, dada a presença de depósitos
de distribuição de empresas industriais. Outros sub-centros regionais como Lins, Pederneiras e Lençóis Paulista apresentam grande potencialidade de expansão do setor terciário.

Duas Universidades estaduais (USP e UNESP), quatro entidades de ensino superior particulares e diversas escolas profissionalizantes estão localizadas em Bauru. A estrutura ambulatorial e hospitalar do município coloca a sede regional na categoria de centro hospitalar e universitário, atendendo a 4 Fundação Seade. Pesquisa da Atividade Econômica Paulista, 1996 e 2001.
Em www.seade.gov.br.

Além da Faculdade de Odontologia, na cidade, encontram-se o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e o Instituto Lauro de Souza Lima, de referência nacional na área de Dermatologia.
A Hidrovia Tietê-Paraná imprime importante potencial às atividades turísticas, com suas extensões de rios em corrente livre, paisagens naturais, praias, camping e pesca e recursos energéticos.

O turismo de lazer e cultural é possibilitado, ainda, pela riqueza arquitetônica de edificações erguidas no auge do período cafeeiro, complementado pelo turismo de negócios, em Lins e Bauru.

Localizam-se, na RA de Bauru, os Arranjos Produtivos Locais (APL) de café, em Piraju; cerâmica estrutural, em Tatuí; e calçados femininos, em Jaú 5.

A RA de Bauru abriga a Aglomeração Urbana de Bauru e o Centro Urbano de Jaú.

A Aglomeração Urbana de Bauru é composta pelos municípios de Agudos, Bauru, Lençóis Paulistas e Pederneiras que, juntos, abrigam uma população de cerca de 477 mil habitantes. Bauru, principal cidade, fica a 345 km da capital.

O município fica próximo de centros urbanos, como Jaú (65 km), Botucatu (92 km), Marília (106 km) e Lins (108 km).

A economia da Aglomeração Urbana de Bauru é bastante diversificada. Em seu parque industrial, destacam-se as agroindústrias alimentícia, sucroalcooleira e de óleos vegetais.

A existência do maior entroncamento rodo-hidro-ferroviário da América Latina nessa região cria condições para um desenvolvimento econômico auto-sustentado, favorecendo não apenas as atividades industrial e agropecuária como também os empreendimentos turísticos, contribuindo para a
diversificação da economia local.

A agropecuária regional é bastante diversificada. Apesar da preponderância do cultivo da cana-de-açúcar e da produção de carne bovina, destacam-se, ainda, a laranja e outros frutos
cítricos, a avicultura, o milho, o ovo, o leite C e o café. Parte dessa dinâmica produtiva é dada pela atividade agroindustrial local. O setor terciário exerce importante papel na geração de
empregos, principalmente no município de Bauru, pólo das atividades terciárias.

A Aglomeração de Bauru é beneficiada diretamente pela Hidrovia Tietê-Paraná, que permite a estruturação de transportes intermodais a partir de Pederneiras, que é hoje o principal terminal hidroviário de cargas do Estado.

O município de Bauru possui ligação com a capital do Estado, por meio da rodovia Marechal Rondon. Outros acessos rodoviários a Bauru são: SP-225 Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (trecho Bauru–Jaú); SP-294 Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (trecho
Bauru–Panorama); e SP-321 Rodovia Cesário José de Castilho, que conecta o município às regiões de Araraquara, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Bauru possui citygate do Gasoduto Bolívia–Brasil, que abastece a população com gás natural, e está integrado à rede de fibra óptica.

Na área do ensino, destacam-se: a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp, cujo campus abriga, também, o Colégio Técnico Industrial Prof. Isaac Portal Rondan e o Instituto de Pesquisas Meteorológicas – IPMet, e a Universidade de São Paulo – USP, que mantém a Faculdade de Odontologia de Bauru – FOB. Bauru abriga instituições renomadas nos campos da pesquisa e tratamento de doenças, como hanseníase, malformações craniofaciais, câncer, neurocirurgia e gestação de alto risco.

No município, destaca-se o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, mantido pela USP, de referência em toda a América do Sul no tratamento de anomalias craniofaciais congênitas. O município também possui clínicas médicas e centros especializados.

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