Nascido em Bauru em 8 de janeiro de 1931 é  um oficial reformado da Aeronáutica e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Destaca-se por sua contribuição no desenvolvimento da indústria aeronáutica brasileira.

Capitaneou a equipe que projetou e construiu o avião Bandeirante. Liderou em 1970 o grupo que promoveu a criação da Embraer, uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo.

Deu início à produção industrial de aviões no Brasil. Presidiu a empresa até 1986, quando aceitou o desafio de ser presidente da Petrobras, onde atuou até 1989. Em 1990, assumiu o Ministério da Infra-estrutura e, em 1991, retornou à Embraer, desempenhando um papel importante na condução do processo de privatização da empresa, concluído em 1994.

Também atuou como presidente da Varig por três anos (2000-2003) e criou em 2003 a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual.

Ozires Silva também faz parte de uma série de Conselhos e de Associações de Classe. Em 18 de novembro de 2008, a Unimonte apresenta à sociedade Ozires como seu novo reitor.

Livros publicados

  • A Decolagem de um Sonho: História da Criação da Embraer. Lemos Editorial, 1998.
  • Cartas a um Jovem Empreendedor. Elsevier, 2006.
  • Nas Asas da Educação: A trajetória da Embraer. Elsevier, 2008.
  • A Decolagem de um Grande Sonho. Elsevier Editora, 2008.
  • Etanol: a revolução verde e amarela. 2008

    Ozires Silva, um bauruense

Archimedes Azevedo Raia Jr.

Em 2011, o bauruense Ozires Silva completou 80 anos. A Assenag lançou o livro “Ozires Silva – um líder da inovação”, de autoria de Décios Sischetti, com pesquisa de Renato Senis Cardoso.

A Câmara lhe prestou justa homenagem. A Embraer, também, com a exposição “Sonhos e Ousadia”. Bauru não deve se esquecer, dentre tantos filhos ilustres, este que engrandece o seu nome e do Brasil pelo mundo todo. Ozires sempre faz questão de registrar, nas mais diversas formas, a sua origem bauruense, nas conversas, nas palestras. Na exposição da Embraer, consta em diversos trechos o nome de sua cidade natal. “O menino de Bauru…”; “Eu nasci há um bocado de tempo lá em Bauru”; “Foi no Aeroclube de Bauru…”; “Casado com Therezinha Silva, sua namorada desde os tempos do Colégio em Bauru”.

Ozires e seu amigo Benedicto César, o Zico, possuíam o sonho de serem aviadores e, no Aeroclube, foram apoiados por Kurt Hendrik, um suíço que adotou a cidade como sua, e que tinha a aviação correndo nas veias. Pouco depois de criada a Força Aérea Brasileira, em 1948, eles se apresentaram como candidatos a Cadetes do Ar. Zico morreu muito cedo, com apenas 25 anos, deixando a concretização dos sonhos nas mãos do amigo.

Formou-se engenheiro no Instituto Tecnológico da Aeronáutica e, na formatura, em 1962, o reitor lhe falou: “Vou lhe dar na mão o diploma para o engenheiro mais aeronáutico que o ITA já formou”. Ozires foi convidado a prestar serviços, em 1964, como diretor do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento. Obteve título de Mestre em Ciências Aeronáuticas no California Institute of Technolgy, onde também foi agraciado com a medalha Alumni Award. Foi homenageado em muitos outros países.

O engenheiro Ozires é um dos homens mais respeitados neste país e no exterior. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Embraer. Na sua primeira gestão (1969-86), desenvolveu o Bandeirante e outros seis aviões. Em 1986, assumiu a presidência da Petrobrás. De 1990 a 1991 foi o superministro da Infraestrutura. Neste período, ocorreu a privatização da Embraer. Em 1992, na sua segunda gestão na empresa, a conduziu neste processo. Hoje, a Embraer é terceiro maior fabricante de aeronaves comerciais leves do mundo, atrás somente da americana Boeing e da européia Airbus, na frente da canadense Bombardier. Foi também presidente da Varig e reitor da Unisa e da Unimonte, onde continua seu trabalho de educação. Publicou 8 livros.

Apesar deste invejável currículo, Ozires é de uma humildade contagiante. Isto me permitiu vivenciar com o superministro uma experiência singular. Em 1992, eu, que era diretor técnico, e a engenheira Cylene Garcia, então presidente, representávamos a Emdurb em um congresso de transportes, em Campinas. Ozires fez uma palestra sobre o tema, já que os transportes eram pertinentes ao Ministério da Infraestrutura. Após esbanjar simpatia e competência e, finalizando a sua fala, fomos eu e Cylene nos apresentar ao ministro como seus conterrâneos. Ele se mostrou muito satisfeito por ver a sua amada cidade representada naquele importante encontro nacional.

Ficamos conversando por um bom tempo até que a sala se esvaziasse. Ozires pegou sua pasta e foi saindo conosco para fora do recinto. Não havia nenhum assessor, nenhum segurança, nenhum político ladeando aquele que era o mais importante ministro do governo Collor. Tentando ser delicado, ofereci a ele uma carona para Bauru. Ele, muito solícito, agradeceu, e disse que aceitaria, mas que naquele momento retornaria a São Paulo, onde dona Therezinha, sua esposa, o esperava. Entrou no carro oficial, onde só havia o motorista, e partiu.

Posteriormente, Cylene e eu conversávamos: que sorte o ministro não ter aceito o convite, apesar da honra que nos proporcionaria. Já pensou ele neste carro velho da Emdurb? E se quebrasse no caminho, o que faríamos com o ministro? Rimos bastante pelo fato e pela nossa ousadia. Mas ficamos com a impressão maravilhosa daquela pessoa, uma das figuras mais proeminentes da República e que se fizera acessível a todos, inclusive a nós, pobres mortais!!! Que saudades dos tempos, onde ministros eram extraordinários, cultos, competentes, probos, respeitados e abertos à comunidade. Precisaríamos de outros tantos Ozires nos dias atuais.

O autor, Archimedes Azevedo Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana da UFSCar. E-mail: raiajr@ufscar.br

O sonho de Ozires Silva

O sonho de Ozires começa com um professor de química de um colégio estadual de Bauru, interior paulista. O professor não poderia imaginar que numa de suas aulas começaria a brotar um sonho que deu origem a uma das empresas brasileiras de maior projeção mundial. No dia 23 de outubro de 1946, o professor Sérgio Castro lembrou o aniversário do vôo pioneiro de Alberto Santos Dumont. Ao terminar o relato, um de seus alunos, de quase 16 anos, perguntou: “Se tivemos um Santos Dumont e temos um país tão grande, por que o Brasil não fabrica Aviões?” O adolescente era Ozires Silva, que em 1970 lideraria a fundação da Embraer, uma das maiores empresas brasileira e uma das mais admiradas em vários lugares do Mundo.

Ozires Silva praticava aeromodelismo. Tomando como base Croquis norte-americanos, fazia pequenos modelos de aviões. Queria ser engenheiro aeronáutico. Mas não havia esse curso no Brasil, e os pais não tinham dinheiro para enviá-lo ao exterior. Ele conta no livro A decolagem de um sonho.

Aos 19 anos, decidiu entrar para a Força Aérea Brasileira, mas precisou vencer a resistência da mãe, que não aprovava a idéia de um filho aviador. Formou-se piloto da Aeronáutica. Serviu na Amazônia, trabalhou no Correio Aéreo Nacional, no Rio de Janeiro, e foi galgando postos na carreira militar. Até que em maio de 1958, um vôo mudou sua vida.

Ozires Silva foi acordado de madrugada para acompanhar o major Antenor Coelho de Souza , que cursava o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na cidade de São José dos Campos , em São Paulo. Durante as duas horas de vôo, fez muitas perguntas sobre o curso, e o major surpreendeu dizendo que ele preenchia todas as condições para requerer ao Ministro da Aeronáutica a autorização para concorrer a uma vaga no Instituto. “Quase não acreditei no que ouvi”, relembra ainda hoje sem esconder a emoção.

O que ocorreu naquele momento é difícil descrever.

Fiquei com a forte impressão de que tinha embarcado naquele avião como piloto e descido como engenheiro. Sentia-me outra pessoa. Naquela noite, não consegui mais dormir. A excitação era quase incontrolável.

Outro grande passo foi dado quando Ozires conhece o coronel Casemiro Montenegro Filho, um dos fundadores do ITA. O encontro de dois sonhos viabilizou a Embraer. Em setembro de 1964, o engenheiro aeronáutico Ozires Silva assumiu a chefia do Departamento de Aeronaves. Quatro anos depois, em outubro de 1968, sua equipe apresentava o protótipo do primeiro avião brasileiro, o Bandeirante.

A idéia era produzir um aparelho que pudesse ser vendido e exportado para diferentes países. Eles sabiam que isso só seria possível se conseguisse fabricar uma aeronave que preenchesse competitivamente as demandas do mercado aeronáutico em termo de performance, confiabilidade, preço e assistência técnica. O sonho do adolescente de Bauru virava realidade.

Em 1984, quase quinze anos após a fundação da Embraer, o Bandeirante já operava em 26 países.

Ozires não desistiu dos seus sonhos, mesmo depois de enfrentar obstáculos como ouvir o então presidente da Cessna, na época um dos maiores Fabricantes mundiais de aeronaves de pequeno e médio porte, chamar seu projeto de “burro”. Em vez de ficar desestimulado, ele persistiu com determinação de produzir um avião comercial totalmente nacional.

E de fato Ozires percebera uma oportunidade. Observou que os grandes jatos que começavam a ser utilizados não pousavam em cidades médias e pequenas do Brasil porque necessitavam de aeroportos com pistas maiores. Ele decidiu transformar seu sonho em realidade e inicia o projeto IPD 6504 para construção da aeronave Bandeirante, responsável pela revolução na indústria aeronáutica brasileira.

“Pensei em criar um pequeno avião, robusto, capaz de operar em aeroportos típicos do interior e de transportar passageiros em número compatível com a geração de demanda das pequenas cidades”.

Plantava , assim ,a semente para o futuro da aviação regional, interligando cidades de porte médio, que encontrou amplo mercado em países de dimensões continentais, como os Estados Unidos.

A Embraer se consolidou embalada por quatro sonhos: O precursor Santos Dumont, o de Casemiro Montenegro, o de Ozires Silva e o de Maurício Botelho que assumiu a presidência da empresa em 1995, no momento em que foi privatizada, e liderou a sua transformação em uma empresa de nível mundial, colocando-a como a terceira maior empresa de aviação comercial do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus.

Retirado do livro de César Souza

Vídeo sobre sua vida