Luiz Edmundo Carrijo Coube nasceu em Bauru, em 15 de maio de 1928 e faleceu em 19 de dezembro de 1981.

Era um dos quatro filhos de João Coube, fundador da Tilibra e da Sra. Carmem Carrijo Coube. Era irmão de Henrique, Sérvio e Ruben.

Edmundo Coube, como era conhecido, foi uma das pessoas mais queridas de Bauru, onde teve marcante atuação social, comunitária, religiosa, filantrópica e política.

Marido exemplar e pai amoroso, era querido por todos por sua forma extremamente simples de se relacionar. Figura marcante na história de Bauru, por seu legado e por sua estreita participação em todos os assuntos relevantes de Bauru em seus 53 anos de vida (faleceu de enfarto, com essa idade).

Em 7 de março de 1969 passou a ocupar a presidência do DAE Bauru, tendo sido o responsável pela construção da casa de bombas para captação de água do Rio Batalha e pela construção de mais uma estação de tratamento de água. Exerceu o importante cargo até 21 de janeiro de 1973.

De 1973 a 1976 foi Prefeito de Bauru, apoiado por Alcides Franciscato, como candidato único, pela ARENA. Foi, na opinião da grande maioria dos historiadores, políticos da época e de quem estuda a história de Bauru com profundidade, um dos melhores ou talvez o melhor prefeito da Cidade Sem Limites.

Com seu perfil de homem simples e avesso às aparências, pautou sua gestão por obras de suma importância para nossa cidade até hoje, pois maioria delas se deu sob a terra, ou seja, obras que no meio político são denominadas como as que não rendem votos. Edmundo foi o prefeito que mais atuou na condução de obras de infra estrutura, fundamental para a qualidade de vida dos bauruenses, quer para o abastecer de água os lares dos bauruenses, quer na construção da rede de esgoto até hoje utilizada pelos quase 400 mil da terrinha. Ninguém, como ele, atuou tanto em obras ligadas à qualidade de vida sob o aspecto mais importante (água e esgoto).

Durante sua gestão, focou também no prosseguimento da Avenida Nações Unidas e no desenvolvimento do Distrito Industrial, não descuidando, entretanto, da educação, quando eram oferecidas merenda escolar para 30 mil estudantes e dando início a essa prestação de serviço público fundamental às nossas crianças que eram, em sua visão, o público principal a ser atendido, juntamente aos idosos.

Foi o criador do Serviço de Previdência dos Municipiários, atual FUNPREV, que em dias de hoje vem dando trabalho à comunidade bauruense. Uma das grandes preocupações de Luiz Edmundo Coube era relacionada à fase de aposentadoria dos então funcionários da Prefeitura Municipal e pensão aos viúvos e viúvas, daí a ideia de criar a hoje FUNPREV.

A UNESP Bauru tem assinatura de dois prefeitos: Tidei de Lima, que a trouxe para a “Cidade Sem Limites”, por decisão do então governador Orestes Quércia e Luiz Edmundo Coube, idealizador da Fundação Educacional de Bauru, que foi a base da UNESP. Foi pela Fundação que se formaram grandes nomes da engenharia, da psicologia, arquitetura, artes e comunicação, assim como políticos famosos.

Na visão de Luiz Edmundo Coube, tanto FUNPREV como DAE eram entidades satélites da prefeitura que tinham como proposta e objetivo servir suas comunidades, respectivamente. Jamais pensou, naqueles anos, que tais entidades seriam ou viriam a ser utilizadas como cabides de empregos e locais onde os políticos acomodam seus arranjos eleitorais e outros que não valem a pena serem comentados nesse momento em que o autor se presta a contar um pouco da vida de uma pessoa tão séria e querida.

Nas atividades particulares, desenvolveu o Consórcio Sobrado, constituído de um grupo de casas construídas na Rua Tuffy Haron, no Parque Paulistano. Milhares de residências foram construídas por este consórcio, conduzido com muita competência, clareza e foco na qualidade das residências entregues aos consorciados, por meio de muita transparência.

Foi sócio e um dos grandes incentivadores do Vale do Igapó, que tinha um projeto muito arrojado até mesmo para os dias de hoje. Sob seu comando e participação, nada menos que 400 pessoas adquiriram lotes naquele condomínio que, se mantida a proposta original, seria hoje um dos bairros mais nobres de todo o interior. Um dos aspectos do empreendimento era relacionado ao campo de golfe, projetado e construído com gramas importadas da Argentina, com nove buracos e considerado á época um dos mais perfeitos para a prática do esporte. Todos os lotes davam “fundo” para o belo e paisagístico campo de golfe, muito bem cuidado.

Edmundo sabia ouvir, sabia dar tempo para decidir e certamente sempre levava em conta seu caráter altamente elogiável, assim como sua extrema religiosidade (era Católico Apostólico Romano), praticante, seguindo o que assimilara de sua mãe, Sra. Carmem Carrijo Coube (seus filhos mantém o mesmo elo com a igreja católica). Quando decidia por uma opinião, quase sempre era respeitado, porque sabia dar tempo para analisar o tema em toda intensidade, antes de esboçar sua opinião a respeito.

Participou junto a Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Herbert Levy, Olavo Setúbal e mais outras personalidades, da fundação do PP – Partido Progressista, num momento importante da política nacional, quando se fazia necessária a fundação de um terceiro partido além do MDB e Arena, para a redemocratização do Brasil, nos anos de chumbo.

O PP foi o partido estratégico para Tancredo e Ulysses, pois por ele deu-se início o movimento que culminou com o fim do regime militar e reinício do período democrático ainda em vigor.

Mas, no campo cívico, não foi apenas este em que Edmundo Coube teve participação. Antes de ser eleito prefeito, em 1.973, entrou ele para um movimento religioso denominado “Escalada”, no auge do regime militar, do qual participavam representantes da igreja católica, como o Bispo Don Cândido Padin, Padre Luiz Baptistela e outros, mas também representantes da extrema direita, incluindo algumas altas patentes do exército. E foi exatamente Dr. Edmundo Coube o fiel da balança, que ao final propôs o fim do movimento, no nítido afã de não mais expor os então jovens a confrontos tão vigorosos e delicados, à época.

A eleição de Luiz Edmundo Coube para a prefeitura de Bauru

Edmundo Coube foi eleito para governar Bauru de 31 de janeiro de 1.973, a 31 de janeiro de 1.977, tendo na condição de vice prefeito o arquiteto Jurandyr Bueno Filho.

A eleição de Edmundo Coube foi muito tranquila, com uma concorrência política pouco empenhada em concorrer de fato e, quanto ao aspecto, os mais antigos insinuam que, naquele momento, era a vez de um Coube ocupar a Prefeitura Municipal de Bauru.

O Dr. Edmundo, como era chamado mesmo pelos mais íntimos, dado o respeito que impunha por sua postura ética, de homem extremamente calmo, aberto ao diálogo, porém dado a pouco opinar e mais ouvir, foi quem mereceu ser indicado para concorrer a eleição de 1.972, quando era Juiz de Direito Eleitoral, Nilton Silveira, homem muito próximo do grupo da ARENA, de então. Muito se comenta a respeito da eleição, mas em detalhes tudo será contado no livro Bauru na Política Através do Tempo, a ser lançado em breve.

A história até hoje não ousou contar, mas o prefeito Edmundo Coube herdou uma prefeitura extremamente endividada de seu antecessor e, ao fato, há que se comentar que muitas foram as noites em que ele mais os irmão Henrique e Sérvio passaram em claro, na busca de uma solução aos graves problemas de caixa de nossa prefeitura municipal. O assunto estava restrito a poucos que conhecem a história de Bauru, de verdade.

Embora contando com apoio de Alcides Franciscato para sua eleição (e houve todo e absoluto empenho do ex prefeito para a eleição de Edmundo), na segunda metade do mandato houve rompimento político, a ponto de Henrique Coube, o irmão mais velho, vir especialmente de São Paulo para socorrer o então prefeito irmão, que se via acuado pela força política de então. Henrique veio para propor a abertura de um jornal, que seria rodado na própria Tilibra, que sabidamente tinha equipamento de sobra para oferecer à cidade um jornal à altura daquele que seria o concorrente mais direto. Edmundo optou por não concordar com Henrique e se prestou a conviver com a alta dívida que tinha que administrar mais a concorrência que não se sabe por qual razão, ferrenha.

Aqueles que tentaram “boicotar” a administração de Edmundo Coube, tinham, então, um forte esquema de comunicação para o mister. Mas o momento foi superado pelo melhor caminho, que foi pautado pela paciência de Edmundo Coube, resolvendo por completo o “caixa” da Prefeitura Municipal e passando, a seguir, o comando da cidade para seu sucessor, Osvaldo Sbeghen, bem em conformidade com o esquema político da época, que constava ter Bauru, quatro deputados, dois federais e dois estaduais.

A Câmara Municipal, na gestão de Edmundo Coube, era composta por 13 representantes da Aliança Renovadora Nacional e por 4 representantes do antigo MDB. Foi quando, por absoluto casuísmo imposto pelo governo central, foram extintos os partidos políticos existentes e criados artificialmente dois: a ARENA, da situação e o MDB, da oposição.

A mesa diretora da Câmara Municipal era composta por Francisco Dal Médico (presidente ARENA), vice – Adenor Costa (ARENA), 1º Secretário – João Pereira Martins (ARENA)e 2º Secretário – Ângelo Gonçalves (ARENA).

Importante levar em conta o aspecto de Edmundo Coube ter passado ao seu sucessor, Osvaldo Sbeghen, uma prefeitura municipal absolutamente saneada em termos financeiros e absolutamente organizada, pronta para o decolar do que viria a seguir.

Estouro da Avenida Nações Unidas:

Em 13 de agôsto de 1976, quando era prefeito de Bauru, Luiz Edmundo Coube, coincidentemente uma sexta-feira, a Avenida Nações Unidas foi palco de um acontecimento inusitado. O então presidente Ernesto Geisel, em visita a Bauru, passou pela referida avenida e cerca de uma hora depois, esta explodiu, causando muita destruição em toda sua extensão. Cogitou-se, à época, a possibilidade de um atentado contra o presidente Geisel, hipótese descartada em seguida.

A verdadeira causa foi um caminhão-tanque que, acidentando-se na Alameda Octávio Pinheiro Brisolla, derramou combustível que chegou até á Avenida Nações Unidas através das redes coletoras. Um cigarro aceso foi o causador da explosão.

O alto prestígio do então prefeito, fez com que o governo federal assumisse, logo após o evento, o compromisso de enviar recursos para a reconstrução da mesma, o que de fato ocorrera.

O legado de Edmundo Coube

Numa cidade que ficou conhecida como “Sem Limites”, por insinuação do então prefeito Nicola Avalone Júnior, na verdade sempre teve limites no que tange à comunicação. No comando da comunicação local, especialmente a impressa, que mais determina formação de opinião, pois o que se escreve se perpetua, ou perpetuava antes do advento da internet, Luiz Edmundo Coube, por tudo que fez pela Bauru, ficou em segundo plano, junto aos demais prefeitos e deputados de eras de chumbo ou regime militar, como queiram.

Mas a história não é contado por alguns poucos anos e sim pela verdade que um dia chega, em todas as circunstâncias.

E nesse dia 19 de dezembro de 2.011, quando chega a 30 anos a morte de Luiz Edmundo Coube, uma corrente pela internet se incumbe de levar a verdadeira imagem desse homem simples que foi uma das figuras mais importantes de Bauru em toda sua trajetória.

Para lembrar alguns de seus feitos, renovo a informação: criação da Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp, criação da hoje FUNPREV e o mais respeitado presidente do DAE, em toda sua trajetória. Foi também peça fundamental para a fundação do Partido Republicano, ao lado de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, mais Herbert Levy (Cazeta Mercantil) e Olavo Setúbal (Banco Itaú), pois naquele momento de conflito no país que pela força ceifou muitas vidas de jovens, um terceiro partido viria a ser fundamental para a redemocratização do Brasil.

O Edmundo Coube extremamente religioso

Católico fervoroso, Luiz Edmundo Coube e esposa Lucy Marques Coube foram uns dos fundadores do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, há exatos 50 anos, em 1961, pois eles fizeram parte da Equipe numero 1, juntamente com o casal José da Silva Martha e esposa Madalena, Olga e Servio Coube, e outros mais.

Ainda no último dia 15 de dezembro, foi realizada uma missa na Catedral do Espírito Santo, para comemorar este jubileu dos 50 anos das equipes em Bauru e na data desta postagem, 19 de dezembro de 2.011, foi celebrada a missa pelos 30 anos de sua morte.

Embora um dia triste pelo tempo distante da pessoa física de Edmundo Coube, muito orgulho esboçado pela atitude da viúva, Lucy Coube e filhos, que não escondem o quanto tinham e têm Edmundo Coube como o chefe da família e modelo de homem sério e probo.

(*) Renato Cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.