Luiz de Gonzaga Bevilacqua nasceu em 29 de janeiro de 1912 e faleceu em 10 de maio de 1992. Estaria, portanto, fazendo 100 anos em 2.012

Bevilacqua foi o precursor da astronomia brasileira, tendo atuado na astronáautica.

A doutora em história social e coordenadora do Núcleo de História da Universidade do Sagrado Coração (USC), Terezinha Zanlochi, define Luiz de Gonzaga Bevilacqua, como uma “Uma pessoa completa… um visionário”

A Professora Terezinha pesquisa desde 2009 a vida e as obras do Professor Luiz de Gonzaga Bevilacqua e pretende lançar sua biografia ainda este ano, no seu centenário.

Segundo a pesquisadora, mesmo longe dos grandes centros de pesquisa, Bevilacqua tinha um feeling especial para o futuro. Era carismático e dominava a língua inglesa, o que abriu muitos caminhos e possibilitou que ele representasse o Brasil em diversos congressos internacionais sobre astronomia e astronáutica. “Ele estava a quilômetros luz do presente, tinha bons amigos no campo da ciência, política e artes… Era uma pessoa excepcional, um homem sedutor”.

Bevilacqua teve participação ativa na fundação do Aeroclube de Bauru, em 1938, onde integrou a primeira turma de piloto. Pela boa estrutura deste aeroclube, a Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, enviou para Bauru a Missão Compton, em 1941, e o Professor Bevilacqua ficou encarregado de acompanhar o grupo de físicos e cientistas que aqui chegaram. Tal missão envolveu Bauru e o Brasil na corrida espacial internacional.

“A partir daí, Bevilacqua mergulhou em estudos sobre o espaço aéreo, astronomia e astronáutica. Em 1954, participou da fundação e se tornou presidente da Sociedade Interplanetária Brasileira, em São Paulo. Publicou diversos artigos científicos e participou de inúmeros eventos nacionais e internacionais, em Barcelona, Paris, Roma, entre muitos outros países”, explica a pesquisadora.

Luiz de Gonzaga Bevilacqua foi pioneiro na astronáutica, tendo interagido com cientistas de renome internacional, quando o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputinik I, foi lançado no espaço em 1957.

Alguns anos mais tarde, em 1961, Bevilacqua e Thomas Pedro Brun entregam ao presidente Jânio Quadros uma carta sugerindo a criação de um Conselho Nacional de Pesquisas e Desenvolvimento Espacial. Nascia aí a história da astronáutica no Brasil.

Participando do Conselho, com outros membros, dentre os quais o coronel Aldo Weber Vieira da Rosa, diretor do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento da Aeronáutica, Almirante Octacílio Cunha, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o engenheiro Thomaz Pedro Bun, presidente da Sociedade Interplanetária Brasileira fez com que o “O GOCNAE” viesse a ser o embrião do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)”, acrescenta Terezinha.

Luiz Bevilacqua é nome registrado na história dos primórdios da era espacial brasileira, também por ter acreditado que a soberania aérea de um país seria dimensionada pelo princípio aerodinâmico gerado por pressão e depressão, isto é, pela necessidade das aeronaves terem asas para voar. Sendo assim, o uso do espaço para aeronaves exige autorização dos países em questão, mas o uso deste espaço para satélites e foguetes descarta tal exigência. O espaço para os satélites e foguetes seria livre e inapropriável. Dessa forma, ele idealizou a “Lei do Espaço Sideral”, em prática até hoje.

Em dezembro de 1958, o foguete do Sputnik III, passaria três noites seguidas sobre Bauru. Os russos queriam fotos da localização do foguete e Bevilacqua fez o registro. A foto foi publicada pela extinta revista Manchete. “A partir de então, ele aumentou sua rede de entrosamento junto aos cientistas internacionais e passou a fazer parte de associações como American Rocket Society, Societè Astronomique de France, Agrupacion Astronautica de Espanha, Associazzioni Italiana Razzi, Associacion Interplanetaria Argentina e The British Interplanetary Society, entre diversas outras”, acrescenta Terezinha.

Luiz de Gonzaga Bevilacqua nasceu no Rio de Janeiro e ficou conhecido em Bauru como o maior carioca bauruense. “Meu pai adorava a cidade. Talvez haja outros cariocas tão bauruenses como ele foi, porém, mais do que ele foi, eu acredito que não há”, frisa o filho, Mario Bevilacqua Neto.

Filho de Maria Josefa Bevilacqua e do procurador de Justiça e crítico musical, Mário Bevilacqua, era neto de Isidoro Bevilacqua, um professor de música que veio da Itália em 1838.

Bevilacqua chegou em Bauru em 1932, aos 20 anos de idade, para trabalhar na Controladoriaa Central da República, junto à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Aqui, casou-se com Zilda Seabra, filha do coronel Manoel Alves Seabra. Bevilacqua teve quatro filhos: Maria Lúcia, Luiz, Mário e Maria Cecília.

Entre seus outros feitos sociais, em 1941, ele secretariou a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Bauru e foi provedor e presidente da Federação das Santas Casas do Estado de São Paulo, além de ter sido vice-presidente da Federação das Santas Casa do Brasil.

Foi presidente do Rotary Clube, presidente honorário e Governador do Distrito nº 451. Em 1960, recebeu o título de “Bauruense do Ano”, por meio de votação popular.

Em 1993, a biblioteca, documentos e imagens históricas sobre a vida e obras de Bevilacqua foram doados ao Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e Região “Gabriel Ruiz Pelegrina”, da Universidade do Sagrado Coração, o NUPHIS/ USC.