Falar de Cláudio Amantini promove certa dúvida, a princípio, pois não se pode definir por qual caminho avaliar. Esportista, empresário, pai de uma bela próle, esportista apaixonado pelo Esporte Clube Noroeste, um homem que nasceu pobre, foi garçon e conseguiu construir um conjunto de empresas hoje conduzidas pelos filhos? Um bauruense com muitos amigos e com um coração que abriga todas suas paixões?

No espaço “Que fim levou?”, do site de Milton Neves, obtive a informação de que Claudio Amantini tem várias paixões e alegrias. Consta do site que a principal delas é sua filha caçula, Claudinha, hoje perto de completar seis anos. É sua companheira de todos os domingos na missa das sete e meia da Igreja São Cristóvão, e a forma como se relaciona com a filha dá bem para se ter a noção perfeita da dimensão do amor pela linda garota.

Quem conhece ou conviveu por toda vida com Cláudio Amantini pode até perceber o jeito corujão para com a filha caçula, mas com os demais filhos não se dá de forma diferente e essa forma de se relacionar resultou no que toda Bauru concorda: todos muito queridos e de muitos amigos.

Não tem como falar de Claudio Amantini sem falar de sua paixão pela pesca. Ou melhor, sem falar de peixes e do Esporte Clube Noroeste. Difícil escolher qual paixão é maior e só mesmo acompanhando-o para se chegar a uma definição. Quanto sua paixão pela pesca, um pouco mais difícil, pois é quase impossível acompanhar esse homem de quase 82 anos de vida num barco pesqueiro. É um dos mais renomados pescadores do País e o que mais conhece o Rio Paraguai, onde, em Porto Esperança, mantém seu famoso rancho. É lá que recebe há muitos anos amigos de todo o País, dentre eles muitos artistas e esportistas, como Martinho da Vila, Sérgio Reis e muitos outros.

Claudio Amantini é famoso pelos peixes que constam de suas histórias comprovadas por fotos e filmes e também por sua resistência a bordo de barcos apropriados para um dos rios mais piscosos do Brasil.

Em sua residência, em sua sala na Amantini Veículos, muitas fotos de momentos para ele inesquecíveis e sempre com os troféus em mãos (peixes de todos os tipos e tamanhos).

Falar do esportista Claudio Amantini, do diretor eterno do Esporte Clube Noroeste, é inserí-lo na galeria dos grandes nomes do futebol brasileiro. Claudio Amantini é tido como o eterno presidente do “vermelhinho” de Bauru e para falar tudo sobre sua participação em quase todas diretorias, há anos, só mesmo um livro exclusivo com muitos fatos relatados a respeito.

A obcessão pela pesca herdou do pai, de quem, aos seis anos, recebeu uma enxada e uma peneira, para pegar gosto pela “lida” da pesca.

A paixão pelo esporte e mais especificamente pelo Esporte Clube Noroeste começa em tempos de menino, de quando usava uma passagem secreta para chegar ao gramado e ficar perto dos “craques” da época. Quando conta suas inúmeras passagens como torcedor e diretor do Noroeste, Amantini muda o tom de voz e os olhos brilham. Conta toda sua trajetória com riqueza de detalhes, como que revivendo cada momento no relacionamento com os jogadores, com a diretoria, com os atletas e também com os adversários. Incontáveis são as passagens próprias do futebol, porém artísticas desse homem nascido em Itapuí e vindo logo cedo para Bauru. Muito pode ser dito e comentado e muito mais fica para os anais do futebol, visto por tantos como folclores do rico esporte brasileiro e por outros como próprio da arte de quem convive com todos os aspectos das disputas apaixonadas. Suas ingerências junto às federações e junto a árbitros nos tempos áureos, ficam para conversas reservadas. Mas são notáveis e espetaculares.

Aos sete anos Amantini veio para Bauru, em razão da crise do café, levando em conta seu pai à época ter propriedade para exploração da cafeicultura em Itapuí, onde nascera. Isso, pelos idos de 1.935, quando a cidade de Bauru se inserira no cenário mundial pela construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Claudio Amantini teve que começar a trabalhar muito cedo para ajudar a família em razão do pai, adoentado. Foi engraxate, joalheiro, e um carregador de malas de primeira, como ele mesmo comenta, pois ganhava dos mais velhos na conquista de clientes dentre os passageiros que chegavam e saiam de Bauru pelos trens de então. Procurou ser o melhor em tudo e daí o sucesso como empresário e como pai de família, provada pela união de todos os filhos, de forma exemplar.

Seu ingresso no mundo das ferrovias foi determinante e como garçom ficou marcado e é símbolo dos que deram o melhor de si para o tratamento aos passageiros de trens nos tempos históricos e românticos. Sua vida a bordo de vagões de trens teve início por entrega de jornais, indo cobrir a falta de Domingos Macegosa e a partir de então jamais parou de “servir” nos restaurantes da N.O.B. Muitas são as histórias sobre sua fase como garçon. Trabalhou… como trabalhou!

Incontáveis vezes fez o trajeto Bauru/Corumbá e retornando, sem o descanso necessário. Começou pela entrega de jornais e depois agenciador de carro e se aposentou como concessionário de carros restaurantes indo ele próprio atuar no atendimento ao público das classes a e b, distribuídos por carros distintos.

Essa vida, a bordo de carros vagões lhe rendeu profundo conhecimento. De culinária a formas de bem servir.

Em 1.970 assumiu pela primeira vez a presidência do Esporte Clube Noroeste, ficando até 1.972 e retornando em 1.975 e permanecendo no cargo até 1.978. A partir de então, jamais se separou da diretoria e sempre esteve atuando de forma direta ou indireta em prol do Esporte Clube Noroeste.

O jornal Bom Dia, em 16 de abril de 2.011 saiu com uma interessante e completa matéria que mostra um Claudio Amantini mais presente do que nunca junto ao chamdo “vermelhinho” de Bauru.

Os jornalistas Gustavo Longe o Bruno Mestrinelli escreveram:

“Todo apoio será recompensado

Ex-presidente Cláudio Amantini admite ser ‘doente’ pelo Noroeste e inicia, por conta própria, a mobilização para garantir apoio ao time nos últimos jogos no Paulistão. Neste domingo, contra o Ituano, fora de casa, não será diferente
Provavelmente o ex-presidente do Noroeste Cláudio Amantini foi o único a não jogar a toalha após a goleada sofrida contra o Oeste de Itápolis, no último dia 26 de março.

Na ocasião, o time perdeu por 4 a 0 e precisaria de duas vitórias nos últimos três jogos para escapar do rebaixamento. Uma combinação improvável para um time que no campeonato inteiro tinha apenas duas vitórias.

Foi justamente neste momento que entrou a figura do empresário Cláudio Amantini. Ex-presidente do clube nos períodos de 1970-1972 e 1975-1978, ele se mobilizou para levantar o ânimo da equipe – e dos torcedores, principalmente – nesta reta final do Paulistão.

Para o jogo contra a Portuguesa, a primeira das três “decisões”, ele conseguiu três ônibus para levar os torcedores até São Paulo. Deu certo. O Noroeste surpreendeu e venceu por 2 a 0.

Agora a história se repete e nem mesmo a goleada sofrida contra o São Paulo, desanimou Amantini e a torcida, como comprovam as declarações dos torcedores que estampam as páginas de hoje do BOM DIA.

O ex-presidente novamente se mobilizou e para hoje são nada menos que dez ônibus com ingressos para os torcedores na partida de hoje, em Itu, que define a permanência da equipe na Série A-1.

“Eu acho que a gente tem que se mobilizar e ajudar também e não apenas torcer. Essa luta é difícil, mas estou sentindo nos jogadores que eles estão focados para evitar o rebaixamento. A parada é dura, mas o Noroeste sempre se fortalece nos momentos decisivos”, diz o ex-presidente e também sócio vitalício do clube.

A paixão de Cláudio Amantini pelo Noroeste é tamanha que ele próprio a define como uma “doença”. Paixão que o fez cruzar o Parque Antarctica de joelhos quando viu o Noroeste conquistar a segunda divisão do Paulistão em 1970 e poder disputar vaga na primeira divisão com os grandes. Ou então ir abraçar os torcedores que voltaram do jogo contra a Portuguesa, duas semanas atrás.

Neste domingo, quando os ônibus com os torcedores saírem de Bauru rumo a Itu, às 10h30, Cláudio Amantini também estará lá para desejar boa sorte. Ele próprio irá para Itu acompanhar a última partida do Noroeste no atual Paulistão.

Cláudio Amantini repete o que fez em 1970 durante festa do centenário do clube, no ano passado

Seu palpite? “O Noroeste vai ganhar, pode ficar tranquilo. Eles [os jogadores] também jogarão com a pressão e conseguiremos aproveitar as chances. Vamos sair dessa”, aposta o “doente” pelo Noroeste.

Dois anos em um jogo

O jogo entre Ituano e Noroeste neste domingo, às 16h, no estádio Novelli Júnior, não é o jogo do ano para a equipe bauruense. Na verdade a partida também vale todo o planejamento da próxima temporada.

O time precisa vencer e torcer por um tropeço de São Bernardo ou Linense para continuar na primeira divisão. Qualquer outro resultado derruba o Noroeste novamente para a Série A-2 .

Disputar a segundona no ano que vem será uma volta ao ostracismo, de onde a equipe saiu no ano passado com o vice-campeonato logo no primeiro ano de disputa da segunda divisão após quatro anos na elite.

O clube ficará longe da visibilidade da Série A-1, disputará apenas a Copa Paulista com os outros times do Interior e, consequentemente, perderá receitas no montagem do elenco.

A principal delas é a cota dos direitos de televisão destinada aos times pequenos – neste ano o Noroeste ganhou R$ 1,8 milhão. Como todas as partidas são televisionadas, a equipe também conseguiu um patrocínio a mais do que no ano passado e ainda conseguiu fazer um contrato pontual no jogo contra o São Paulo, na última semana, que foi transmitida para todo o Estado.

A permanência, ou a queda, pode até interferir no planejamento da categoria de base. O técnico Jorge Saran, que comanda o Noroeste nesta reta final do Paulistão, é o treinador do sub-20 e um dos coordenadores da categoria de base. O próprio treinador admite que não sabe o que pode acontecer com ele no segundo semestre.

“Eu sou empregado do Noroeste e estou à disposição do clube. Foi solicitado que eu assumisse a equipe nesta reta final. Se vou continuar ou não só depende da diretoria. Mas o importante é que o trabalho da base continue, com ou sem o Jorge. Se for comigo, vamos seguir o trabalho feito. Não podemos encostar”, afirmou.

Time indefinido / Para salvar as duas temporadas, o técnico Jorge Saran terá dois desfalques. Os zagueiros França – que jogava de volante – e Da Silva estão suspensos.

No lugar de França entra Júlio César, que retorna de suspensão. A dúvida está na zaga. Se o técnico mantiver o esquema de três zagueiros, Matheus será o titular. Outra possibilidade é colocar o meia Thiago Marin e jogar no esquema 4-4-2.

Os próprios jogadores admitem a importância do jogo de hoje para a equipe – e para as próprias carreiras.

“O time não pode cair. Não quero ficar marcado com a queda depois da minha passagem aqui em 2007”, comenta Márcio Gabriel.”

A foto que lustra a página é de Cláudio Amantina, ainda há dois meses exibindo sua paixão pelo Esporte Clube Noroeste (de Cristiano Zanardi).

A seguir uma entrevista feita pelo programa Nota 10 (Tuba e Léa Ferreira), pela qual podemos melhor traçar o perfil do pescador, batalhador, noroestino, bauruense por adoção e querido por todos, Claudio Amantini. E também carnavalesco.