Nascida na cidade de Taquaritinga, SP, aos 6 de abril de 1920, filha de Antônio Alves Filho e Carminda Ribeiro Alves, já falecidos, Dona Celina Lourdes Alves Neves recebeu o título oficial de Cidadã Bauruense em 17 de novembro de 1990. Foi uma professora queridíssima em Bauru e grande incentivadora do teatro e outras manifestações culturais.

Tendo apenas o 1º grau, tornou-se autodidata, tendo escrito para o jornal Folha do Povo desde 1937.
Viúva de Eurico Camargo Neves, deixou 3 filhos: Paulo Roberto, Carlos Alberto e Celina Elizabeth Alves Neves.

Pertenceu à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) desde 1981. Possuiu 34 certificados, dos quais destacam-se: Jornalismo, Literatura Brasileira, Oratória, Chefia e Liderança, Marketing e Propaganda, Teatro, Folclore, Contabilidade, Dramatização em Grupo, Cartazismo, Bíblia, Datilografia, Taquigrafia e Caligrafia, todos pelo Departamento Técnico do Ensino Profissional Livre. Fez Curso de Psico-Drama no SENAC.

donacelinaemquadroFundou e dirigiu por 11 anos a Federação de Teatro Amador de Bauru, dirigiu a Escola Progresso por 42 anos, foi a primeira Presidente da Academia Bauruense de Letras, da qual consta como uma das fundadoras e dirigiu O Grupo Teatral Gil Vicente desde 1956. Uma apaixonada pelo teatro.

Idealizou e foi co-fundadora do Grupo Folclórico Luso Brasileiro, em 1958.

Quanto ao Grupo Teatral Gil Vicente, a princípio chamava-se Associação Literária e Esportiva Progresso, que segundo a Acadêmica era “um nome pomposo para uma escola tão pequena e de parcos recursos financeiros…” Mais tarde, sua diretora, filha de portugueses e ledora da literatura d’alem mar, batizou o grupo nascente como GRUPO TEATRAL GIL VICENTE, nome que leva, ainda hoje, conduzido pelo seu filho Paulo Robereto, que herdou o sonho, dedicação e vocação ao teatro.

Segundo a Acadêmica, quando de sua fundação: “esse grupo deve muito ao senhor Carlos Fernandes de Paiva, que foi o seu incentivador número 1, como o foi, também, da Federação Bauruense de Teatro Amador. A Acadêmica afirma que Carlos Fernandes de Paiva sempre esteve somando forças com a mesma.
Celina Lourdes Alves Neves foi a precursora da fundação da Associação Luso-Brasileira, quando, em 1957, idealizou e fundou o Grupo Folclórico Luso-Brasileiro.

donacelinaautografandoEm 1956, Celina Lourdes Alves Neves entrava para o rol dos amadores em teatro, quando foi homenageada por seus alunos no dia de seu aniversário, em seis de abril, com uma festa surpresa com teatro de arena, feito numa das salas de sua escola. João Julião de Oliveira Júnior, o “cabeça” da homenagem, que tinha um circo em Garça, pediu, em seguida, à Celina, se era possível fazer-se uma festa no Dia das Mães no mês seguinte. A dificuldade foi arranjar uma peça que falasse de mães. Dona Celina pesquisou, não encontrou, e sendo ledora assídua das antologias escolares, achou um trecho muito bonito, de Paulo Setubal, denominado “Minha Mãe, Deus lhe pague”. Achou a Acadêmica que era a oportunidade de matar dois coelhos: homenagear sua mãe, que a ajudava a criar seus filhos, pois já estava viúva há 3 anos, e atender o pedido daquele aluno. Então escreveu a peça em um ato e dois quadros: “Minha Mãe, Deus lhe pague”, e como era no mesmo dia em que se comemora a libertação dos escravos, escreveu “Senzala”, sobre a escravidão.

Teve, então, despertado o entusiasmo por peças teatrais, escreveu E assim nasceu Bauru, trecho da história da cidade de 1854 e 1910, quando foi instalada a Comarca.

Escreveu, depois, Uma Casa Portuguesa para uma apresentação do Grupo de Folclore Luso Brasileiro, seguindo-se, depois, Luthero, peça inspirada na vida do grande pensador cristão, para uma igreja do município de Piratininga. Escreveu roteiros para festas juninas e a peça “Dona História”, inspirada numa peça patriótica da Editora Vozes. Constava de 5 atos, sendo o primeiro “Descoberta do Brasil”, o segundo “Escravidão”, o terceiro “Liberdade”, o quarto “República” e o quinto “Fundação de Brasília”, com folclore de todos os Estados. Trabalharam 45 artistas no folclore das raças luzitana, italiana, espanhola e japonesa. Fizeram parte dessa peça os seus filhos Carlos Alberto e Paulo Neves, Roberto Calheiros, Margarida Vieira Pais, Filomena, Virgínia, Terezinha, Nilza Matos de Oliveira, Octacilio Garmes, mais tarde, com o atual Membro da ABL, Dr. Darci da Luz e suas irmãs, e outros.

Daí para a frente, Celina Lourdes Alves Neves dedicou-se às crônicas, tendo escrito por seis meses a coluna “Balaio” do Diário de Bauru e o texto de abertura do programa do radialista Maurício Picarelli, na Rádio Emissora Terra Branca. No Jornal da Cidade, mantém, há anos, a coluna “Bom dia, Bauru!”.

Tendo trabalhado por 25 anos no SENAC, representou, por duas vezes, nossa cidade no Teatro Anchieta, em São Paulo, onde seus atores obtiveram alguns prêmios e boas classificações.

Representou, também, nossa cidade com seu Grupo Teatral, em dois Festivais Nacionais, em Rio Preto e por três Festivais Nacionais em São Carlos. Compareceu em Festivais de várias cidades de nosso interior, como: Franca, Rio Preto, Rio Claro, Botucatu, Marília, Sorocaba, São Carlos e outras.
Como homenagem a essa intensa atividade literária, teve seu livro Retalhos da Vida editado pela EDUSC, Editora da Universidade do Sagrado Coração, sendo que, no lançamento, a autora foi homenageada com uma retrospectiva de sua vida, no Teatro Veritas daquela Universidade.

Agora vamos à entrevista com os filhos de Celina Alves Neves, Paulo Neves e seu irmão Carlos Neves, pela TV Z Castel.