18 de abril de 2012, dia em que Alberto Segalla completaria 100 anos, se vivo estivesse, para a nossa felicidade, para o bem das entidades filantrópicas e dos muitos amigos e familiares que ainda contariam com a sua presença e seu devotamento às causas justas e humanitárias.

Nascido em 18 de abril de 1912, veio a falecer em 29 de outubro de 1982, após ter completado 70 anos de uma vida inteiramente dedicada a Deus, à família, ao próximo e ao trabalho.

Filho de Archinto Segalla e Concetta Carpegiani Segalla, imigrantes italianos, Alberto Segalla nasceu em Macatuba, Estado de S. Paulo, onde morou com sua família e onde fez seus primeiros estudos e onde também casou-se com a professora Dalva Nascimento.

Exerceu nessa cidade o ofício de alfaiate e o cargo de secretário na prefeitura local.
Quando se mudaram para Bauru, seus pais se dedicaram ao comércio, adquirindo um armazém de secos e molhados na Rua Araújo Leite.

Dalva e Alberto Segalla tiveram oito filhos, aos quais ofereceram, com carinho, dedicação e esmero, uma cuidadosa educação religiosa, moral e sócio-cultural: Eloah, Elohy ( falecido), Osni, Carlos Roberto, Heloísa, Helena, Alberto Júnior e Elza Maria.

Ainda jovem, Alberto Segalla buscou, como autodidata, outras fontes de conhecimento e, após prestar um concurso em Santos, foi aprovado para ser funcionário do Banco do Brasil, onde trabalhou, em Bauru, durante muitos anos. Nos anos 50, convidado para instalar a primeira agência do Banco do Brasil, em Birigui, transferindo-se para aquela cidade, lá desempenhou as funções de gerente por 12 anos.

Em Birigui, como em Bauru, deixou muitos amigos, um nome respeitado e um exemplo a ser citado em várias oportunidades. Fez do grupo desses primeiros funcionários da agência do Banco do Brasil, em Birigui, uma verdadeira família, unida, atuante, responsável e solidária.
Religioso que era, instituiu na cidade a realização da Páscoa dos Bancários, celebração que congregava também os funcionários dos outros bancos existentes no local.
Sua partida e sua volta a Bauru foram muito sentidas e lamentadas por toda a cidade de Birigui que aprendeu a ver, no “seu” Segalla, uma alma nobre, um amigo desinteressado, um profissional humano, justo e competente.

De volta a Bauru, foi nomeado Inspetor do Banco do Brasil, função que exerceu até a sua aposentadoria.

Em Bauru não foi diferente, e quem dentre funcionários e clientes da época do Banco do Brasil, não se lembra de Alberto Segalla?

Indicado pela alta diretoria do Banco do Brasil, exerceu importantes funções na recuperação de grandes empresas em São Paulo e outras cidades, empresas essas que passavam por sérias crises financeiras e depois da presença de “seu” Segalla, foram revitalizadas e estão ainda hoje ocupando papel de destaque na economia nacional. Foram muitas as empresas que receberam a condução firme de Alberto Segalla, para não se verem à época em condição falimentar. Muitas, não citadas aqui por questão de respeito às mesmas, seus proprietários e diretores, se revitalizaram e mudaram seu rumo, indo na direção da prosperidade, geração de empregos, recolhimento de impostos e cumprimento do papel social a que se obrigam.

Seu Segalla era o homem certo indicado pelo Banco do Brasil para ir em busca de saneamento de empresas em crise. Daí muito tempo atuando em grandes centros. Esse período foi talvez o mais complicado da história do País sob olhar macroeconômico, exatamente quando a economia se expunha por índices de inflação altíssimos e conviver com as dificuldades decorrentes exigia além de competência, paciência, profissionalismo e muita dedicação.

Tanto em Birigui como em Bauru, Alberto Segalla sempre fez parte da diretoria de instituições filantrópicas, tais como asilos, creches e principalmente junto à APAE Bauru, em cuja frente esteve durante muitos anos até a sua morte.

Também foi diretor financeiro do Bauru Tênis Clube, a convite de amigos, quando tentou impor seu estilo, insistindo para que as ações no sentido fossem conforme seu firme propósito, não conseguindo infelizmente seu intento, o que de certa forma veio a ser uma pena para o clube, conforme conta a história.

Morreu justamente um dia após a realização da Feira da Bondade, em Bauru, no ano de 1982, festa filantrópica anual mais consistente para arrecadar fundos para a APAE, entidade à qual se dedicou por anos, tendo conduzido com vários parceiros a construção da sede que hoje abriga ações importantes em prol de crianças e adultos especiais.

Sobre seu pai, escreveu a filha Eloah Segalla Passarelli:

“Aqueles que, pela sua vida e por seus ideais, se tornam exemplos para outras vidas; aqueles que, em seus locais de trabalho e na sua profissão, dedicam-se a contribuir para o bem comum; aqueles que fizeram do conceito de solidariedade e de justiça um princípio e uma religião, conquistam, diante de Deus e dos homens, um lugar especial na lembrança de todos nós.

Alguns, pelo silêncio a que os obriga a modéstia, escondem-se no seu mundo e só os que com eles conviveram sabem que a abnegação é toda a sua história. Por força de suas realizações essas pessoas acabam, no entanto, projetando-se além das fronteiras da sua família e do seu local de trabalho, marcando sua passagem pela vida com a luz do seu exemplo.

Para exaltar pessoas cuja força espiritual e moral inspira nobres propósitos e ações, para que o conhecimento de algumas vidas se amplie e fecunde esperanças novas, para que a palavra e vida dos bons transmitam uma mensagem de confiança e conforto para as gerações de hoje e as que amanhã hão de vir, é preciso que se divulguem os méritos daqueles cuja existência não foi em vão.
Entre seres humanos dessa estirpe, além de outros que aqui já foram lembrados, destacamos hoje Alberto Segalla, homem de caráter firme, coração magnânimo e espírito empreendedor, traços identificadores de pessoas notáveis.

Preocupado sempre em realizar da melhor maneira possível sua tarefa, afeiçoado à sua família, orgulhoso de seu trabalho, amigo de seus colegas e funcionários, consciente de sua cidadania e religiosidade, vale por um símbolo para todos os que lutam para cumprir as missões que lhe são confiadas.”

Heloisa Segalla Bevilacqua assim descreve seu pai:

“Quem foi Alberto Segalla?

Se estivesse vivo, agora no dia 18 de abril faria 100 anos, juntamente com seus familiares.
Mas não foi assim que Deus o quis.
Mas vamos lá, quem aqui escreve é uma de suas filhas, a de número cinco dentre os oito nascidos do casal.

O que me lembro de papai, de quando criança, é de ter sido ele um pai presente, protetor e provedor, não nos deixando faltar nada, a ponto de pedir ao dono de uma antiga sapataria de Biriguí, onde morávamos, para deixar livre para escolhermos os pares de sandálias que pudéssemos experimentar e depois ele indo até o local para o devido pagamento.
Este foi apenas um dos incontáveis momentos em que ele se mostrou como pai amoroso, zeloso para com todos, cuidando dos filhos (oito) com o máximo de amor e carinho, pensando sempre nos mínimos detalhes visando fazer a todos muito felizes.

Lembro-me de sua reação quando pedíamos para ir a um baile ou uma brincadeira dançante da época e logo vinha dele as perguntas: com quem?… onde?… e a que horas?, mirando-me com aqueles olhos verdes inesquecíveis, dando a entender que preferia nossa presença em casa, ao seu lado, com a máxima proteção.

Hoje todos nós, seus filhos, bem sentimos o quanto foi bom termos sido educados assim.
Quanto ao pai profissional, lembro-me dele como alguém fora de série – honesto, cumpridor de seu dever até o dia de sua morte, pois conviveu com muitas dores de estômago, por não dizer úlcera, talvez decorrente de preocupações com o trabalho bancário, que levava rigorosamente a sério, já que desonestidade não fazia parte de seu dia a dia.

Orgulho-me dele e tenho certeza que passou a muitos funcionários do banco, o melhor de si, tanto como funcionário, como gerente, e por fim como inspetor.
O que falar de Alberto Segalla como presidente da APAE, com dedicação ao extremo, porém dentro de seu padrão ético e simplicidade, mesmo porque exibicionismo também era palavra que não continha em seu dicionário.

Nosso pai foi, aí, mais do que nunca, um modelo de entrega, de dedicação, buscando a seu modo os direitos da entidade, contribuindo ao lado de muitos companheiros para que a APAE Bauru chegasse a ter a sede que hoje abriga crianças especiais, dentre as quais uma neta, que era a razão de tudo quanto sua luta pela causa.

Papai faleceu aos setenta anos e justamente após uma noite da Feira da Bondade, depois de conceder uma entrevista que por certo o levou à emoção máxima.
Para terminar, só tenho que agradecer por ter sido filha desse pai extremamente bom, protetor e que me deixou ótimos exemplos.

Feliz 100 anos, mesmo que não esteja mais aqui, mas bem sei que no céu está em paz.”

Helena Segalla Cardoso, outra filha, se manifesta sobre Alberto Segalla, da seguinte forma:

“Já se passaram 30 anos sem sua presença, e no entanto sinto tanto sua falta como se ainda pudesse ir até ele pra conversarmos e lhe pedir conselhos. Eram momentos tão serenos aqueles, de cujos encontros saía sempre mais segura, encorajada ou me sentindo amparada de alguma forma.
Quanto mais passa o tempo, mais percebo o pai maravilhoso que tive, que educou a mim e meus irmãos de forma mais completa, com amor, proteção, exigências, deveres e direitos, tudo na medida certa.

Deixou sem dúvida um exemplo a ser seguido e nossos corações com muita saudade!”

Elza Segalla Cabreira, a filha mais nova, assim se expressou sobre o pai:

“Aqueles que tiveram o privilégio de com ele conviver, conheceram um ser humano capaz de evidenciar, através de seus atos mais simples, que viver com honestidade, respeitando os princípios éticos e solidários, amando e unindo seus familiares e amigos, é possível e vale a pena! O tempo passa, mas essa verdade permanece!”

Oriundo de Macatuba, fez parte de uma grande e linda família, hoje espalhada pela próxima antiga Bocaiuva, Lençóis Paulista, São Manuel, Botucatu, Agudos, Birigui e Bauru, além de muitas outras.

O amor especial pelos especiais:

Sr. Alberto Segalla com a neta Thalita.

O filho mais velho do casal Alberto e Dalva Nascimento Segalla, Elohy, com esposa Maria Rita, tiveram duas filhas, Thalita e Carla, sendo a mais velha Thalita, uma eterna e querida criança especial, merecendo e recebendo, portanto, carinho e atenção especiais… dele, da esposa Dalva, dos pais, irmã, tios e primos.

Quis o destino que Elohy partisse ainda jovem, em decorrência de um acidente de trem, tendo sido ele o único a ter a vida ceifada. Se Thalita e Carla já eram amadas, a partir do triste episódio, então, a atenção, dedicação e carinho se multiplicaram.

Thalita foi para Alberto Segalla a inspiração e motivo maior para sua partida rumo à dedicação a crianças e adultos nessas condições, daí ter-se dedicado em grande parte de sua vida em prol das crianças e adultos especiais, por absoluto engajamento junto à APAE-Bauru.
Inesquecível sua postura e rigor na condução dos destinos da APAE, sempre ele acompanhado de nobres e valorosos companheiros, dentre os quais, a atual Presidente, Olga Bicudo e muitos que continua na luta em defesa das crianças eternas, escolhidas por Deus.

Uma antiga máquina de escrever, ainda guardada pela família, simboliza as inumeráveis cartas que enviou para políticos de todos os escalões, exigindo o direito do excepcional. Seu Segalla assumia a necessidade dos assistidos pela APAE e tanto pedia auxílio, quanto exigia o que por lei têm eles, plenamente.

Os que tiveram o privilégio de conhecê-lo, ao recordar agora, só podem se remeter à conclusão de ter sido ele um homem bom, um dentre muitos, que pelas virtudes merecem ser lembrados, muito embora, se vivos, não iriam em acordo com a divulgação.

No máximo, concordariam com uma oração sentida, numa remessa direta ao Pai protetor, que envia para este nosso mundo, quase sempre pessoas especiais, como Alberto Segalla, que pautou sua vida por comportamento exemplar junto à família, aos amigos, companheiros de trabalho e parceiros de luta em prol dos que mais necessitam.

100 anos de Alberto Segalla, lembrados com muita saudade, neste 18 de abril de 2.012.