Parque Vitória Régia – nosso cartão postal

É visível por quem passa por uma das principais e mais movimentadas avenidas da cidade, a Nações Unidas o imponente Parque Vitória Régia.
Foi construído há 39 anos. Além de símbolo, é tido como o cartão postal da Cidade Sem Limites.

O Parque Vitória Régia é um dos principais projetos do arquiteto Jurandyr Bueno Filho (considerado uma inovação na época de sua construção). Embora seja referência para toda a região, o local funciona muito mais como uma escultura urbana do que propriamente como local para realização de eventos culturais.

O arquiteto Nilson Ghirardello, professor do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, diz a respeito que mesmo somando mais de três décadas de existência, apenas uma pequena parcela do potencial de lazer que o Parque Vitória Régia oferece é utilizada pela população.

“Se o parque impressiona por seus conceitos modernos, na questão da infraestrutura deixa a desejar. O anfiteatro, por exemplo, é magnífico. A ideia do palco flutuante, que lembra a flor vitória-régia, amparado por placas acústicas esculturais na parte traseira, é incrível, enche os olhos de seus observadores. O problema é que, na prática, se torna inviável reservar o local para eventos, já que o espaço é descoberto, e as condições de tempo podem atrapalhar”, destaca Nilson em matéria levada aos leitores do Jornal da Cidade.

A concepção

O projeto não surgiu assim do nada. O arquiteto Jurandyr Bueno Filho fez do limão uma limonada, ao se deparar com verdadeira cratera naquele local, quando projetando a extensão da Avenida Nações Unidas.

Se olharmos atentamente, veremos que o anfiteatro foi concebido levando em conta a condição física do local, decorrente do Ribeirão das Flores, que foi se concentrando no local. Aquela água que circunda o palco é do Ribeirão das Flores, que nasce pouco mais acima.

Se o Vitória Régia é um encanto de se ver, por outro lado a canalização de referido ribeirão é uma lástima sob o ponto de vista engenharia, com foco no escoamento da água, especialmente em tempos de chuva, já que a estrutura não foi prevista para esse fim. Como a Avenida Nações Unidas fica num fundo de vale e tem todo seu redor com asfalto, o único caminho da água pluvial e a própria avenida, que fica inundada a cada chuva com uma potência um pouco maior de água.

O Ribeirão das Flores é afluente do Rio Bauru e chega até a Avenida Nuno de Assis por canalização subterrânea, entre as pistas, tendo na superfície o belo verde que faz a diferença em termos de paisagismo.

Porém, em razão de quando foi projetada, essa tubulação é pequena para captar toda a água que vai se formando ao longo dos 10 quilômetros da Nações. Por isso, o ex-prefeito Rodrigo Agostinho ter se expressado assim. “Uma das ideias que eu sempre defendi seria renaturalizar o Ribeirão das Flores”.

A proposta seria abrir o canteiro central da avenida e, nos cruzamentos, deixar canalizado. “Seriam espécies de microbacias”, explica Agostinho. “Com isso, ficaria a céu aberto e haveria maior capacidade de captar a água das chuvas. É algo que vem sendo feito no mundo todo. Antes, os rios eram locais de esgoto. Isso mudou”, complementa.

Há quem defenda a opção de recanalizar o Ribeirão das Flores, porém seriam necessários mais de R$ 100 milhões”, para esse fim.

Enquanto a solução não vem, continuamos a contemplar o Parque Vitória Régia, a transitar pela Avenida Nações Unidas e continuar a considerar o nosso anfiteatro o cartão postal de Bauru.

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

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