O BRASIL É SEU, BAURU!

De tão alto, soava como alfinetada nos ouvidos o barulho da torcida bauruense quando seu time entrou em quadra no ginásio Gigantão, na tarde deste sábado, diante da jovem e aguerrida equipe do Paulistano. Não que a atmosfera ali criada, há mais de 130 km distante de Bauru, fosse surpresa para os jogadores. Porém, prestes a disputar o jogo decisivo das finais do NBB 9, eles sabiam: nada adiantaria se todos aqueles gritos de incentivo não fossem traduzidos em resultado dentro de quadra.

Certamente, mais do que o barulho, ecoavam em suas cabeças todas as adversidades que o esquadrão da Cidade Sem Limites passara ao longo da temporada. Uma temporada de superação. Mas que, entre derrotas e viradas, convicções e incertezas, sorrisos e lágrimas, terminou com o melhor desfecho possível.

Antes mesmo do término do duelo, quando o relógio ainda marcava metade do último quarto por jogar, a vitória estava quase garantida e o título inédito praticamente consumado. O sonido dos torcedores, que antes era ensurdecedor, foi ficando diferente. O barulho ainda tomava conta do ginásio, é verdade, mas de uma maneira muito mais especial. Desta vez, os gritos não provinham da boca ou da garganta, mas sim do fundo do coração.

Um coração sofrido, surrado e calejado por tantas horas nas filas por ingresso e por temporadas nas quais o título do Novo Basquete Brasil parecia um sonho tão difícil quanto acertar um arremesso do meio da quadra. Isso sem falar de outros anos em que a taça pareceu ter escapado nos detalhes, assim como aquela bola que gira, gira, gira sobre o aro, mas, teimosa, decide não cair.

É verdade que os triunfos no Campeonato Paulista, Liga Sul-Americana e Liga das Américas, bem como a excursão contra os times da NBA e a vitória contra o Real Madrid no Mundial de Clubes já haviam acalentado o âmago dos bauruenses. Mas faltava a cereja do bolo. Faltava o título da Liga Nacional. Afinal, foi através do NBB que o Dragão sofreu seus reveses mais doídos. Mas foi nele também que se robusteceu para alçar vôos maiores e sair expelindo fogo por aí.

É bom que se diga: o triunfo foi conquistado e construído pelas mãos de muita gente. Como mensurar a importância do multicampeão – e agora papai – Gegê? Certamente, tão imprescindível quanto os rebotes, a garra e a aplicação tática de Shilton, o Shiltão da massa. Se Stéfano, Henrique, Maicão e, principalmente, Gabriel Jaú contribuíram com muita vitalidade, o que dizer do veterano Valtinho, que aos 40 anos de idade provou porque é um dos maiores armadores que o basquete brasileiro já viu?

Importantíssimos também foram o carisma e os tiros de três pontos do gigante Jefferson, além do extenso repertório de fundamentos de Léo Meindl e das cravadas e da entrega de Guilherme Deodato, o Batman bauruense. Isso sem falar, é claro, do capitão e homem que sintetiza o espírito da equipe, o qual atende pelo nome de Alex Garcia – também conhecida por Brabo ou MVP das finais.

E tudo isso orquestrado por Demétrius Ferracciú, o comandante que iniciou sua trajetória basqueteira em Bauru para, anos depois, voltar à cidade, ser testado, se reinventar como profissional e ser consagrado como um dos grandes técnicos do país.
Se esses contribuíram com o talento, presidentes, diretores, membros da comissão técnica e demais funcionários suaram nos bastidores para que todas as aspirações se tornassem realidade.

A conquista do NBB mais emocionante de todos coroa um trabalho de longo prazo, já que o Dragão é um dos únicos times que esteve presente em todas as edições da competição. Das altas cifras investidas pelos patrocinadores até às passadas de pano do incansável Seo Zé, tudo culminou para que a jornada bauruense se tornasse tão ardente quanto a paixão da cidade pelo próprio basquete. Uma paixão Sem Limites.

Neste dia 17/06/2017, o topo da hierarquia do basquete brasileiro tem novo dono. Então, comemore, torcedor! Tire o grito da garganta e faça a festa merecida!

(*) Por Bruno Ribeiro | Fotos: Lucas Guanaes, com publicação compartilhada do site http://locomotivaesportiva.com.br