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Bauru Tenis Clube

A ideia de criar um clube de tênis em Bauru surgiu na década de 20, época em que o desenvolvimento da cidade dava seus primeiros passos. Serviços de iluminação pública e distribuição de água tratada, por exemplo, eram iniciativas recentes e pouquíssimas ruas eram pavimentadas.

Em 1924, o então secretário do consulado japonês no município, Kazukio Iryie, em parceria com amigos, construiu a primeira quadra de tênis, num terreno localizado na esquina das ruas Virgílio Malta com 15 de Novembro.

Aos poucos, o entusiasmo em torno do elegante esporte foi contagiando os bauruenses e, em pouco tempo, a cidade já reunia tenistas de renome. Com tanta procura, o grupo conseguiu, por empréstimo, uma autorização do prefeito José Gomes Duarte para construir mais duas quadras em um terreno localizado na esquina das ruas Antônio Alves e 7 de Setembro.

Assim, o clube foi ganhando forma, graças à dedicação de representantes da sociedade que, desde os primeiros tempos, não mediram esforços para a fundação da entidade, além de incentivarem sempre a prática do esporte. Até que, em 1º de agosto de 1926 foi fundado oficialmente o Bauru Tênis Clube.

Seu primeiro presidente foi o médico Jerônimo de Cunto Júnior, eleito em assembléia geral no mesmo dia. A fundação foi registrada na página principal do jornal Correio de Baurú (publicação conforme original): “Como já é de dominio de todos aquelles que se interressam pelo esporte desta cidade, um grupo de rapazes de nossa melhor sociedade, acaba de fundar o Baurú Tennis Clube. Desde que esses rapazes deram impulso a essa iniciativa, vêm-se sentindo rodeados da melhor sympathia por tal emprehendimento.

O Sr. Kazukio Iryie, socio benemerito do clube referido, doou ao mesmo todo material necessario a uma quadra. Por gentileza do seu digno presidente, foram cedidos provisoriamente pela Sociedade Noroeste, uma rede e duas raquettes. O sr. Jeronymo de Cunto Junior presenteou também o clube em questão com uma elegante raquete.

A nossa camara permitiu fossem construídas as quadras, mediante a condicção do embelezamento do local escolhido. Para tal cumprir, os seus directores mandaram levantar o muro e fazer calçamento, bem como ajardinar o contorno das quadras. Neste ponto, salientamos com justiça o nome do prefeito local, sr. José Gomes Duarte, espírito progressista reconhecido, que em tudo procurou auxiliar o desideratun desses rapazes.

O serviço de construção das quadras foi confiado ao sócio, engenheiro Walter Schiller que também fez o levantamento da planta respectiva, no que se revelou ótimo e esforçado profissional. A diretoria que regeu provisoriamente os destinos do Tenis Clube ficou assim constituída: presidente: Dr. J. de Cunto Junior, vice-presidente: Victorino Bianchi, tesoureiro; Walter Zunchi e secretario, Sebastião A. Silva.

Pela importância que essa útil sociedade vem dar aos nossos foros esportivos pugnando pelo seu progresso, não nos furtamos ao desejo de fixar aqui os nossos parabéns aos distintos rapazes que a iniciaram, bem como àqueles que vêm continuando tal obra, com esforço louvável.”

Assim, o grupo de tenistas cresceu, investiu em treinamentos e, em 21 de outubro de 1926, fez a estreia do BTC em jogos intermunicipais. Foi na cidade de Araraquara.

Com uma bela vitória por 3 a 2, pelos tenistas Rufino de Almeida, K.F. Morrisay, Leão de Castro e Walter Zucchi.

Fritz Gutt e Kurukawa deram início a uma sequência de grandes conquistas.  O BTC chegou ao vice-campeonato do Interior em 1936, foi campeão em 1937, vice em 1938 e, novamente, campeão em 1939. Nessas conquistas despontaram Gabriel Rabello de Andrade, Waldemar Ferreira, Arildo Soares e Walter Zucchi, entre outros. Portanto, nos anos 30, Bauru já se destacava nos noticiários esportivos.

No início da década de 1.940, novos talentos começaram a despontar, sob a orientação do professor José Stockl, contratado pelo B.T.C. para treinar as jovens promessas do tênis que defenderiam Bauru.
Nascia, nesta época, um quarteto que, por muitos anos, foi imbatível.

Chamado de Equipe da Primavera, os jovens encaravam seus adversários sem qualquer hesitação. Eram eles: Roberto Cardoso (que integraria a equipe do Brasil na Copa Devis de 1953, na Europa), Luiz Carlos de Barros César (bicampeão mundial universitário na Alemanha em 1953 e na Espanha em 1955), Caio Tasso Pinheiro Brisolla – todos com apenas 15 anos de idade – liderados por Stockl.

Em 1943, a Equipe Primavera se destacou nos Jogos Abertos em Sorocaba, derrotando seguidamente as equipes de Rio Claro, Campinas e Sorocaba. A final foi contra o Santos, com triunfo do B.T.C. por 3 a 2. E a disputa não parou aí! Inconformados, os santistas enviaram um ofício ao B.T.C. pedindo uma revanchee a Equipe de Bauru foi até Santos e novamente triunfou com 3 a 2.
Era a consagração do quarteto na modalidade.

Paralelamente, a categoria feminina também alcançava projeção, a exemplo de Clélia Teixeira, Nair Zulian Coimbra, Wilma Zulian Cardoso e a inesquecível conquista de Claudia Faillace em 1979, que sagrou-se campeã mundial infantil na Venezuela.

12032001_1159390440742432_1074512609962034802_nVemos na foto ao lado, na fase áurea da prática do tênis, sob orientação de Claudio Sacomandi, da esquerda para direita : Baby Garroux, Antonieta Camargo, Suzy Cury e Clélia Pinho (ótimas tenistas).

Nova fase

Quando José Stockl mudou-se para Curitiba, foi aberta uma lacuna no treinamento de jovens tenistas no Bauru Tênis Clube.
Mas o diretor de Tênis do clube, Dahyl Guimarães, esportista que defendeu o BTC muitas vezes em diferentes torneios, convidou o tenista Cláudio Sacomandi, que estava radicado em Marília, para assumir o posto e dar continuidade ao trabalho de Stockl.

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            Abaixo: (em pé): Carlos Cury, Roberto Cardoso, Claudio Sacomandi e Vivaldi;                                    (abaixados) Nelson Sperb e Rubens Rocha.

Foi o casamento perfeito! Sacomandi revelou, com seus conhecimentos e sua vasta experiência, atletas que conquistariam ainda mais títulos para o município: seus filhos, os irmãos Segalla, Laurecy Fernandes, Suzy Cury, Martha Cury, as irmãs Cecília e Regina Joaquim, Roger Guedes, Júlio Góes, e posteriormente, Cláudia Faillace.

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Além de treinador, como jogador Cláudio Sacomandi alcançou vitórias inesquecíveis, principalmente em duplas com Roberto Cardoso, em torneios importantes, inclusive no Exterior.

tidei...natacao..ok_-300x184A natação sempre foi esporte muito praticada no Bauru Tênis Clube e o Pólo Aquático conquistou inúmeros títulos não só em nível local.

O esporte promoveu ao patamar mais alto do cenário esportivo a que referimos, nomes como Décio Patelli Júnior (que chegou à condição de árbitro até em olimpíadas), Nando (tecnico), Turco, Luiz, Pato, Cebola, Markinho, Zigoto, Amorin, Bijos e destaque para o saudoso Sapé (nomes como eles próprios se referiam, além de outros, apelidados como Esperma, Peitinho, Romario e Bagolino (outros são omitidos mas propositadamente).

Espaço social

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Criado, inicialmente para a prática do tênis, o B.T.C. logo atraiu a alta sociedade local, tornando-se um importante centro de convergência social e política da cidade. Na foto de Vilma Borges, uma edição concorrida de uma Festa do Queijo e do Vinho, ainda na sede social da Rua Gustavo Maciel.

Ao assumir a presidência do clube, em 1946, dr. Célio de Almeida comprou várias casas na rua 7 de Setembro, já prevendo o natural crescimento que estava por vir. Assim, para atender seus sócios à altura, em 1960, na terceira gestão de Gabriel Rabello de Andrade, uma nova sede social foi construída: o “Transatlântico de Concreto”, como ficou conhecida a construção que, por décadas, foi palco de bailes e festas memoráveis.

O clube na região central de Bauru era dos mais completos, pois contemplava um amplo salão de bailes, divido por um escadario que dava para o lado direito a quem subia para o salão de aperitivos. A galeria, como era chamada, era um requintado espaço no qual os que queriam apenas apreciar as festas se acomodavam. Tinha um belo restaurante, que por anos teve como garçom o Zé do Skinão, em período anterior àquele em que abriu seu próprio bar que é marcante na história do sanduíche bauru.

sedebtcantigaAcima a foto da sede social, comercializada a um empresário local e locada a uma empresa de cobrança, que daquilo tudo reservou a piscina olímpica para o projeto ABDA, que vem a ser o marco saudoso de um tempo que ficou marcado na lembrança de várias gerações (foto acima).

O Clube Náutico

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Em 1971, na gestão de Walter Pires Ramos, foi inaugurada a Sede Náutica, às margens do Rio Tietê, numa área de aproximadamente 50 mil metros quadrados na Rodovia Bauru-Jaú, no município de Pederneiras. Em 1996, foi lançada a Marina Porto B.T.C., oferecendo, na época, serviços de primeiro mundo para as embarcações (foto acima).

E foi ainda na gestão de Walter Pires Ramos que a sede social ganhou o famoso Cine B.T.C. e o Cassino do Clube, ambos desativados na década de 1980.

O Clube de Campo

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A ideia de fundar uma Sede de Campo surgiu na gestão de Blair Martini, que adquiriu a primeira gleba. Mais tarde, nas gestões de Nilton Silveira e José Haroldo Segalla, foram incorporadas mais duas grandes áreas, totalizando cerca de 250 mil metros quadrados.

Aos poucos, a Sede de Campo ganhou várias quadras de tênis, parque aquático, ginásios poliesportivos, campos de futebol, quiosques, sauna, restaurante, pista de atletismo, academia de ginástica e muito mais (foto acima).

Hoje, em razão da venda da antiga sede social, no centro da cidade, o clube de campo faz papel completo, pois abriga local para as festas e completo parque esportivo para a prática de muitas modalidades, assim como academia de ginástica e uma área verde ampla, onde estão localizados os quiosques, onde os sócios com suas famílias promovem churrascos em finais de semanas e feriados. Enfim cumpre com seu papel e os sócios pouco se lembram da sede social de memoráveis festas e encontros.

1412622565tov_-_campeao_2o_turno_2_proporcional_414x656O tênis, esporte que dá nome ao clube é muito praticado na atual séde do B.T.C., mas sem dúvida é o futebol o mais concorrido e isso na tendência da maioria dos clubes, pois por esse esporte a maior receita, daí a importância que tem na série de atividades, quase até mais que o “esporte branco”.

A foto é de uma das muitas competições que sempre ocorrem aos finais de semana.

Emblema

btcA denominação Bauru Tênis Clube é imutável. Sua marca é representada pela abreviatura BTC, sobreposta a duas raquetes de tênis cruzadas, em cor vermelha sobre fundo branco.
Acima, três estrelas de ouro, que representam dois títulos mundiais de tênis universitários, conquistados pelo atleta Luiz Carlos de Barros Cesar, em Dortmund (Alemanha), e em San Sebastian (Espanha), nos anos 1953 e 1955, além do título mundial na categoria 10 anos, conquistado pela atleta Cláudia Noêmia Nelli Failace em 1979, em Caracas (Venezuela).

Tempos áureos

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O Bauru Tênis Clube, o clube mais requintado da cidade, viveu sua fase de glamour até quando conseguiu, pois por questão financeira, por motivos que não veem ao caso agora, sua diretoria se viu obrigada a vender a sede central e do que restou do produto da venda, investiu na então sede de campo, que passou a ser a sede principal e mesmo porque, em razão da expansão da cidade, aquele local já podia como pode abrigar todas as atividades, tanto sociais como esportivas e de lazer.

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Uma das festas mais concorridas naqueles anos dourados, sem dúvida era a Noite do Queijo e do Vinho, nas quais eram servidos ótimos vinhos e tábuas de queijo e a animação era certa, conforme vemos na foto acima, assinada por Vilma Borges, de 1.997.

O carnaval do BTC

Não há dentre os associados daqueles tempos quem não se recorde das noites de carnaval (cinco noites e duas matinées) e a foto abaixo diz tudo. Eram blocos e mais blocos e aquele requinte pelas senhoras e seus maridos que se vestiam luxuosamente para a apresentação que sempre fazia com que concursos fossem promovidos.

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E como tinha glamour em nosso carnaval, seguindo a tendência da época e quase que podendo ser reportado ao que ocorria no Copacabana Pálace, com senhoras muito bem trajadas e mostrando todo requinte. A seguir, um grupo de senhoras que rigorosamente, em todos os anos, participavam do carnaval, em blocos e cada ano mais elegantes que o anterior:

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Na naquela década de 1.980 o carnaval do Bauru Tênis Clube atingia seu ápice e, pelo vídeo abaixo, a melhor forma para mostrarmos como era e quão animados eram os associados. Tempos bons!

Bate uma saudade no peito quando nos lembramos dos bailes clássicos, com as melhores orquestras do Brasil e as diretorias não hesitando em contratá-las. O dia 31 de julho era marcado pelo Baile de Aniversário do BTC, que tinha comemoração em conjunto com o aniversário da cidade.

Os bailes das debutantes ficaram marcados e cada ano uma proposta, com super decoração e foi quando entraram no cenário nomes como Paulo Keller, Paulo Medina, Robertinho Godoy e outros e tudo parecia um conto de fadas. Abaixo um momento:

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Os bailes das debutantes tinham todo um glamour e em cada edição uma “madrinha”, que eram elas escolhidas pelo que representavam na sociedade, a exemplo de Irene Medina, aqui na recepção que ofereceu às jovens daquele ano que iniciaram sua vida social pelo baile em questão:

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Mas o saudosismo persiste, porque toda uma geração, desde conclusão do “Transatlântico de Concreto”, como ficou conhecida a sede, até anos de 1.990, viveu intensamente, pelos memoráveis carnavais, bailes de debutantes, bailes outros e festas que ocorriam como sucesso quase que mensalmente (fotos da época abaixo):

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O cassino do B.T.C.
“Ouvia-se falar muitos dos jogos do cassino no BTC quando eu me mudei com a minha família de Pederneiras para Bauru, em 1947, quando eu tinha meus 6 anos de idade. Eram jogos de carteado, como pôquer, buraco e caxeta, nada do que víamos nos filmes americanos com todas aquelas roletas e máquinas. Mas era muito famoso por aqui. Vinham membros da sociedade, sócios, autoridades e até visitantes da região que se reuniam no BTC para se divertirem e fazerem algumas apostas em dinheiro”, contou o ex-presidente do BTC, Milton Fernando Neme Simão, da gestão de 2000 a 2004 e frequentador do famoso Serpentário do B.T.C.

Ainda de acordo com Simão, o Cassino BTC já existia na antiga sede social, na rua Cussy Junior, no Centro, onde reunia público para o carteado. Com a construção da nova sede, a sala de jogos foi durante um curto período no mezanino do Transatlântico, posteriormente, mudou-se para rua Cussy Junior, onde funcionou até dar lugar à sauna. “Eu não participava porque era muito jovem, mas era comentado o sucesso que fazia. Parou de ser Cassino BTC quando a lei proibiu jogos de azar (1.946), mas, manteve-se a sala de jogos e todos eram orientados a não fazerem apostas. Mas o nome “Cassino BTC” pegou e nunca deixou de ser usado na época. Tinha restaurante e um bar que ficava ao lado. Por lá se discutiam sobre o clube, futebol, seleção brasileira, a política do País e do nosso município”, lembrou Milton Simão.

A missão do clube:

Sendo uma associação recreativa, sem fins lucrativos, a principal missão do Bauru Tênis Clube é proporcionar lazer e entretenimento, bem como estimular a prática do esporte. Outro ponto de sua missão justifica-se na integração social, por meio de reuniões, eventos sociais, culturais, recreativos e esportivos.

Tênis: esporte que dá nome ao clube

Não tem como negar o aspecto do basquetebol ter ingressado no BTC por conta do fanatismo de alguns diretores e conselheiros (mas não vem ao caso), pois foi o tênis que deu origem ao clube e até o nome, daí Bauru Tênis Clube.

O “esporte branco”, como sempre foi chamado, foi marcante e não poucos associados praticaram-no em intensidade, mesmo porque havia toda uma estrutura para tal, desde física até com professores do porte de Cláudio Sacomandi.

Saudosas dupladas que até hoje ocorrem e que bom a atual diretoria manter a tradição e reconhecer que é no tênis que se baseia a história do clube. Veja uma duplada realizada já no Clube de Campos:

Professor Belgo vence e protagoniza show no ITF Bauru

* Nota da editoria: não há na internet nem foi possível encontrar no próprio BTC, fotos históricas que sabidamente existiam e não se quer imaginar que, além do fato da venda da saudosa sede social, ainda há a proposta de se esconder um passado tão rico, para que não se remeta os que ora acompanham a narrativa quanto as causas que levaram a tal venda. Enfim, procura-se fotos da época original do B.T.C. para que a história seja contada por completo.

(*) Por Renato Cardoso, que é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

Saiba mais pelo Bauru Tênis Clube pelo site www.btc.com.br

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