O assunto destravar a cidade ainda rende

Bem inteirado agora, posso com tranquilidade avaliar os passos do prefeito, secretária do planejamento, COMDEMA e demais municípes que participaram das diversas fases de discussão do tema, até que chegassem nossos vereadores à aprovação final e de forma unânime do projeto de lei de autoria do prefeito municipal, na proposta de “destravar Bauru”. O prefeito insistiu no envio do projeto de lei à Câmara Municipal, pois foi em direção ao que prometera como candidato, com ênfase às palavras “destravar Bauru”.
Entende-se que Clodoaldo Gazzetta age mais como um membro do PSD, partido fundado por Gilberto Kassab, do que como militante do PV – Partido Verde – por anos..

Mas há que ser levado em conta que Gazzetta mereceu grande votação, mais por seus discursos em campanhas anteriores, na condição de ambientalista, pelo PV, Partido Verde, do que pelas palavras em sentido de uma Bauru expansionista, na última eleição, por forte pressão de seu vice, Toninho Gimezes, homem ligado a Campos Machado, influente junto ao governo do Estado e só por conta do número de deputados em nossa Assembléia Legislativa, onde se tem informação de que há lá troca de votos por cargos na máquina pública estadual e até mesmo pastas importantes da estrutura governamental..

Estranho, muito estranho o resultado da votação, com 17 vereadores dizendo sim ao projeto de lei de autoria do mandatário maior do executivo.

Mesmo com participação de muitos ecologistas, maioria alocados no COMDEMA (Conselho Municipal do Meio Ambiente), a decisão ainda será alvo de cobranças por parte da municipalidade, dentre os quais, os que enxergam na nova lei o mesmo que ocorrera com relação à Cohab, que foi “parida” com objetivo de construir moradias para bauruenses, mas que, das 80 mil constates do currículo, apenas próximo a 17 mil em nossa cidade, resultando na maior dívida da história de Bauru, em se tratando de órgão com vínculo à administração municipal.

Lembremos que visão política e administrativa muda na medida em que mudam os atores que comandam as ações que em tese são de interesse da população.

A miopia maior se dá com relação ao foco da providência em forma de lei, que mira a zona leste da cidade, já ocupada, quer por equipamentos na extensão da Avenida Rodrigues Alves, chegando a pouco mais da antiga fábrica da Coca Cola, onde temos a divisa com Pederneiras e, por outra rodovia, levemos em conta que o Vale do Igapó tem sua área com metade em área do mesmo vizinho mencionado.

Entre as duas pistas já temos ocupação por empresas, por clube da política militar (cabos e sargentos), algumas vilas populares e pronto, chegamos ao Hospital da Unimed, passando por grande área do Hospital Lauro de Souza Lima, toda ocupada e com uma bela estrutura pronta para servir a municipalidade.

Olhando a partir do Hospital da Unimed, rumo ao equipamento Alameda Quality Center, temos a mais rica área de cerrado e é lá que mora o perigo, pois já com muitas invasões por especuladores, é o alvo perfeito pelos mesmos de sempre, que procuram riquezas com ações que não interessam ao município no mais autêntico comportamento de que os meios justificam o fim.

Em momento algum foi demonstrado que nossos homens públicos olham para a Bauru lá de cima, tendo uma zona urbana inteira a ser expandida rumo à zona oeste da cidade, passando pelo Recinto Mello Moraes e indo na direção a Piratininga, pela estrada velha de acesso. O que temos lá é pura pastagem, sem o menor risco de agressão ao nosso habitat, pois não há registro de minas. Matas mesmo, só em pequena quantidade, que poderão servir como o que manda a lei, de manutenção de 20% de empreendimentos com verde, a compensar o ocupação do solo por cimento, asfalto e concreto puro.

É para a zona oeste da cidade que Bauru precisa crescer, bastando apenas ações estratégicas no objetivo de valorizar o metro quadrado da região. UPAS, equipamentos institucionais, praças esportivas e outras naquela localidade, poderão levar o valor do metro quadrado às alturas.

Imagina-se que foram levados em conta recentes lançamentos imobiliários, sem êxito, porém os mesmos ainda na extensão da Avenida Comendador Martha, em região onde antes era mato puro. As vendas estão encalhados, até por conta de projetos arquitetônicos que merecem pouca admiração.

Miopia, pura miopia de nossos homens públicos, que discursos sabem fazer, mas que demonstram que jamais se debruçaram sobre o mapa da cidade, mirando a atual zona urbana e querendo, conforme se conclui, o que querem os poderosos, que de sua parte detêm grandes áreas na região leste da cidade, chegando à região que dá destino ao aeroporto internacional.

O que se conclui, é que prefeito e vereadores querem reinventar a roda, pois se temos uma cidade pronta e acabada, dentro da zona urbana, com toda infra-estrutura, porque inventar essa moda de “destravar a cidade”, quando nem mesmo o IPTU Progressivo entrou para valer, provando que poderosos exercem forte influência junto ao poder público. Nossa área central lembra mais aquilo que vimos nos antigos filmes de bang-bang, de tempos de John Wayne, Burt Lancaster, Kirk Douglas e outros, na versão branco e preto.

A SEPLAN, onde reside o perigo, é alvo até do GAECO e olha lá se os funcionários indiciados não optarem pela delação premiada e, se por aí, tiraremos mais coelhos tirados da cartola do que o Átila em suas apresentações espetaculosas.

Muita coisa poderá surgir de tempos da administração Rodrigo Agostinho e mesmo as anteriores, com passagem por aquele período de aprovação de diversos condomínios fechados, só não promovendo aprovação do Pamplona, porque a invasão de APA era muito evidente e foi registrado conflito de interesse entre os empreendedores.

Bom olhar para aquele período, quando a pasta em mãos de um indicado por um então poderoso major, a mando do coronel, fazendo inserir na pasta um نجل رجل أعمال قوي في صناعةالبناء والتشييد

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista.