O amor segundo Maiakóvski

Não, não se trata de uma publicação fora do contexto ou proposta do Vivendo Bauru, mas falar de amor nunca é demais.

E como sabem falar desse sentimento lindo, infelizmente não experimentado por todos.
Os poetas sim, eles sabem o que é o amor. Caetano Veloso sabe, Gal Costa, que interpreta O Amor, com letra adaptado em original de

Ivan Tadeu fala a respeito:

“PARA QUE O AMOR NÃO SEJA MAIS ESCRAVO.” (entendendo a letra/música cantada por Caetano)

O amor segundo Maiakóvski

Nestes tempos negros, onde o amor é vítima de preconceitos mesquinhos de quem se diz guardião dos bons costumes de uma classe hipócrita, de quem se esconde por trás de supostos valores cristãos para exercer seu preconceito e sua intolerância, invoquemos o grande poeta russo Vladimir Maiakóvski, que, em outros tempos, se insurgiu contra a igualmente mesquinha mentalidade burguesa.

Olhemos para cima, para o alto, lá onde ele está.”…. não importa o que possa me acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos, aprendi a ter coragem.”(No Caminho, com Maiakóvski, Eduardo Alves da Costa.)Para entender a sua obra, precisamos primeiramente conhecer um pouquinho do homem Maiakovski. Vladimir Maiakovski, nascido em Baghdati, Império Russo, em 19 de julho de 1893, e morto em Moscou, Rússia, em 14 de abril de 1930, também chamado de “o poeta da Revolução”, foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot, bem como “o maior poeta do futurismo”, movimento que ajudou a criar.Foi também um ser politizado.

Esse tipo de posicionamento era muito comum na Rússia do final do século XIX e do início do século XX, haja vista quem já leu Dostoiévski. Aos quinze anos Maiakovski ingressou no Partido Social-Democrático Operário Russo. Era um militante, foi preso e morreu cedo. Para ele, e vários outros contemporâneos, a revolução era muito mais do que uma questão política, era uma questão existencial. Mas a Revolução de Outubro não resultou muito bem no que ele almejava.

As circunstâncias de sua morte são controvertidas: alguns dizem que ele foi perseguido politicamente; outros, que ele se suicidou com um tiro; outros, que ele se suicidou cortando os pulsos, após deixar escrita uma mensagem mais ou menos assim: “Não quero mais viver num mundo de mortos, prefiro morrer antes”. E eu prefiro essa última versão da morte dele.

Além de ser mais dramática, combina com sua posição de considerar a revolução como uma condição da existência. Porque estou contando tudo isso? Porque esses dados são essenciais para entender a obra dele. No livro ‘A geração que esbanjou seus poetas’, Roman Jakobson, linguista e grande amigo dele, afirma que Maiakovski se suicidou.

De fato, o suicídio está sempre presente na poesia dele.Maiakovski era bem crédulo na ciência (não viveu o suficiente para passar pela desilusão do pós-modernismo). Ele acreditava que lá pelos anos 3.000 a ciência estaria tão evoluída que conseguiria ressuscitar as pessoas. Ele pede para ser ressuscitado, pois é poeta e merece viver numa outra realidade, com uma vida mais plena. Caetano Veloso musicou o poema de Maiakovski com poucas alterações na letra.A letra fala da chegada do amor como um momento de milagre e renovação da vida. Maiakovski foi um homem que viveu grandes e intensos conflitos em sua vida pessoal, amando uma mulher que jamais seria de fato sua, sonhando com uma sociedade em que a justiça e a igualdade fossem plenamente alcançadas, tentando fazer de sua arte um ato político.

Desesperado, suicidou-se em 1930, com apenas 37 anos de idade.De qualquer maneira, o grito de Maiakovski, que ecoa em Caetano, configura-se como um autêntico anseio por vida e ressurreição. É um desejo profundo de amor e reciprocidade que acabam presos na garganta do poeta. Nossos poetas clamam por vida, clamam por ressurreição, clamam por uma Páscoa que, no caso deles, parece ainda distante e inalcançável…

(Poema, traduzido para o português por Augusto de Campos e Boris Schnaiderman.)

FONTE: Internet, diversos sites.

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