NORMAN – CONFIE EM MIM, é a boa dica de cinema da semana

O filme narra a história de Norman Oppenheimer, que tem uma solitária vida às margens do poder e do dinheiro de Nova Iorque, um improvável operador sonhando sobre esquemas financeiros que nunca se tornam realidade. Sempre na busca de alguém disposto a prestar atenção nele, Norman faz amizade com Micha Eshel, um carismático político israelense em uma má fase de sua carreira. Porém, três anos depois, Eshel torna-se um influente líder mundial, transformando drasticamente a vida de Norman tanto positivamente quanto negativamente.

O filme tem no elenco, Richard Gere, Lior Ashkenazi, Michael Sheen, Charlotte Gainsbourg, Dan Stevens, Steve Buscemi, com produção executiva de  Caroline Kaplan, Jim Kaufman, Amanda Marshall, direção de Miranda Bailey, Lawrence Inglee, David Mandil, Oren Moverman, Eyal Rimmon, Gideon Tadmor

Imagino ser a melhor opção entre os filmes que entram em cartaz nos cinemas de Bauru.

Com quase 70 anos,o  ator, galã veterano, dedica-se a filmes com estudos de personagens complexos, como este, de um ‘judeu generoso’ que usa bondade para disfarçar interesses e ego.

Richard Gere, conhecido com símbolo sexual com filmes como “Gigolô americano” e “Uma linda mulher”, deixa de lado sua persona conhecida pelas qualidades físicas para seduzir pela agenda de contatos, alguns nem tão autênticos quanto ele desejaria. No fundo, toda essa fanfarronice mascara uma profunda solidão.

Norman: Confie em Mim é centrado na figura de Norman Oppenheimer (Gere), uma peça – ao que tudo indica – esquecida do mercado financeiro, que, em busca de se tornar relevante, procura negociar informações privilegiadas. A grande chance acontece quando o protagonista conhece Micha Eshel (Lior Ashkenazi, ótimo), um jovem político israelense em ascensão na carreira.

Sinopse:

Norman: Confie em mim” é o primeiro filme em língua inglesa do norte-americano radicado em Israel, Joseph Cedar (“Beaufort”), tendo como protagonista essa figura que beira o tóxico, com seus excessos de altruísmo, disfarçando seus interesses e ego.

Ninguém sabe ao certo onde Norman Oppenheimer (Richard Gere) mora. Poderia até ser nas ruas de sua Nova York, mas parece que não. Ele é um sujeito com contatos e generosidade suficientes para compartilhar com amigos e até gente que mal conhece.

A ascensão de Norman começa quando faz amizade com um proeminente político israelense que está visitando Nova York, Micha Eshel (Lior Ashkenazi). O protagonista compra um caríssimo par de sapatos para o novo amigo. Três anos depois, o político é eleito primeiro-ministro e, surpreendentemente, ainda se lembra do protagonista, a quem não via desde aquele episódio.

O que é ainda mais surpreendente é que Norman ganha um cargo na administração de Eshel. É uma figura praticamente decorativa, mas que ainda assim atrai o interesse de diversas pessoas.
Nesse momento, começam a aparecer novos personagens na vida de Norman, todos com alguma agenda própria: o sobrinho ambicioso (Michael Sheen), um rabino (Steve Buscemi), um magnata (Harris Yulin) e seu assistente (Dan Stevens) e, por fim, uma funcionária diplomática (Charlotte Gainsbourg).

As conexões do protagonista seguem num crescendo até que um escândalo político introduz novos contornos. A partir dessa virada de tom, o filme não consegue mais se recuperar, tomando um caminho acidentado e perdendo parte de seu charme.

Norman, como dizem outros personagens, é um “judeu generoso” e, através dele, Cedar subverte todo o estereótipo pejorativo de personagens judeus mesquinhos, desde o Shylock de “O mercador de Veneza”, de Shakespeare, até Fagin, de “Oliver Twist”, de Charles Dickens.

Muito do protagonista aqui depende da aura de confiança que ele é capaz de transmitir aos outros personagens. É preciso que eles acreditem nos contatos dessa figura um tanto desalinhada, que nunca tira seu pesado sobretudo ou larga o celular.
O filme só funciona em determinados segmentos pela confiança que Gere é capaz de transmitir, com sua voz pesada e atitudes inesperadas. Norman é exagerado, chega a ser chato em sua insistência. Ainda assim, as pessoas (ou, pelo menos, a maioria delas) lhe dão atenção.

Do alto de seus quase 70 anos, Gere poderia ter se reinventado como herói de filmes de ação – como seus contemporâneos Liam Neeson e Bruce Willis – mas foi por um caminho completamente oposto, envolvendo-se com filmes mais calcados em estudos de personagens complexos.

Nem sempre ele acerta, mas aqui, se há uma grande qualidade em “Norman”, é a performance repleta de nuances e compreensão de um personagem nem sempre agradável.

O filme está em cartaz no Cine ‘n Fun, sala 4, com sessões às 13h30, 17h25 e 19h40 (quinta, domingo a quarta) e 13h30 e 17h35 às sextas e sábados.


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(*) Por Renato Cardoso, com informações do Adoro Cinema e G1.

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