No Dia da Mulher, Cora Coralina é lembrada como uma bauruense

Cora Coralina (foto de arquivo) gostava de celebrar os vizinhos, por conta da então nora, Nize Garcia Bretas, que morou na cidade de Bauru por muitos anos e participou de festas e da vida social, até que se mudou para o Balneário de Camboriú. A poetisa Cora Coralina, uma das mais famosas do País, era

Foto de Cora Coralina. Crédito Acervo Museu Casa de Cora Coralina. FOTO DIVULGACÃO

mãe do então comandante da 6ªCSM, Cantídio Bretas Filho, que aqui residiu por anos e que deu à famosa poetisa a oportunidade de conviver com bauruenses, especialmente da literatura, a exemplo do médico Olegário Bastos, seu amigo e fã.

Mas em nível nacional, ela exerceu influência no calendário, por conta de, em alguns Estados e regiões, o Dia do Vizinho ser comemorado em 23 de agosto ou 23 de dezembro, na antevéspera do Natal.

História

O Dia do Vizinho foi criado há mais de 30 anos em homenagem à poetisa Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, a Cora Coralina, na cidade de Goiás (GO).

A ideia surgiu devido ao apreço que a escritora tinha pelos vizinhos. Após eles insistirem em festejar o seu aniversário, também comemorado hoje, Coralina teria pedido que, em vez de uma festa para ela, celebrassem os vizinhos.

A poetisa começou a escrever aos 14 anos e fez dezenas de livros. Destacam “Estórias da Casa Velha da Ponte”, “Meu Livro de Cordel”, e o livro infantil “Meninos Verdes”. A autora morreu em Goiás, em 10 de abril de 1985, aos 96 anos. Para relembrar a poetisa, abaixo um de seus mais conhecidos poemas.

O cântico da Terra (Cora Coralina)

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

(*) Vai em forma de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado neste 08 de março de 2.017.