Nem tudo foi empenho para que saísse a faculdade de medicina

A nossa faculdade de medicina com elo à USP, com aulas prontas a serem dadas já a partir do próximo ano (2.018), com vestibulares com inscrições abertas, saiu pelo empenho de muitos bauruenses, autoridades e não e enfim temos a nossa faculdade pública voltada à área médica.

Cerimônias, discursos, elogios, fotos, destaque, coluna social e pronto, já está tudo de bom tamanho e quem saiu no retrato saiu, quem não saiu que espere por outra oportunidade e quiçá pela conquista da ainda mais importante e necessária Estação de Tratamento de Esgoto, que toda população conclama.

Mas nem tudo se deu pelo empenho de autoridades civis, militares, eclesiásticas e da USP, que há mais de cinco anos mandou que fosse construído o lindo prédio azul, aliás concebido bem antes, já que mereceu assinatura arquitetônica de Jurandyr Bueno Filho (já falecido).

Ocorre, ou ocorreu um sério equívoco, pois o Estado mandou que fosse construído aquele que ficou conhecido como Hospital do Centrinho, ao mesmo tempo em que os diretores da FOB-USP local, planejavam a descentralização no atendimento dos pacientes em foco, levando médicos e demais profissionais a quatro cantos do País, ao invés daquela infinidade de portadores de lábios leporinos e outros sérios problemas mais ligados à parte crânio-facial de nossos irmãos, mais alocados no norte e nordeste, tendo que viajar até Bauru.

Quis o destino que a diretoria local do Centrinho se empenhasse para que fosse construído tal hospital, em local nobre da cidade, que se soma ao cartão postal da cidade, o Parque Vitória Régia.

Falta de visão, de planejamento? Não importa mais, porque foi de um sério equívoco, dentre tantos que se comete em nossas universidades públicas, que enfim saiu a nossa tão sonhada faculdade de medicina, pois em não sendo ocupado o lindo prédio azul, poderiam todos, do reitor da USP à diretora da FOB e do Centrinho, sentarem na cadeira de réus por improbidade administrativa.

Valeu, o resultado está aí e rojões, bexigas, festa e comemorações, porque enfim chegamos à tão sonhada faculdade de medicina, mas que o erro sério, cometido anos atrás, sirva de exemplo para que não se cometa mais equívocos da natureza e de tamanha envergadura.

Sabemos que nossas universidades públicas (as 3), USP, Unesp e Unicamp, são deficitárias, com um número exorbitante de funcionários, que somados a gastos sem controle, levam-nas ao estágio de expressiva oneração aos cofres públicos estaduais.
Depois da comemoração, com o chão limpo diante de tanta festa, fica a pergunta: não seria a hora de se exigir mais de nossas universidades, fazendo valer o direito do cidadão de cobrar, porque como está não dá mais, o prejuízo é demais e na razão direta de muitas benesses que ocorrem nos campus das universidades espalhados pelo estado todo?

Um olhar mais atento à condição preocupante sempre vai bem e se residimos no estado mais rico da federação, não tem porquê sermos os maiores devedores junto ao governo central, na cifra de R$ 250 bilhões, mais que a somatória dos demais estados da federação (todos juntos), que chega a R$ 230 bilhões.

Fica, por fim a indagação: o que o governo do PSDB fez durante mais de 20 anos no poder, se privatizou tudo, de estradas a ferrovias, ficando apenas com pastas essenciais, como saúde, educação, esporte, lazer, turismo e poucas outras? E isso com a maior receita em forma de impostos de todo o País (mais que todos os estados do nordeste juntos).

Com a palavra o representante na região do governador, deputado Pedro Tobias.

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista.