Monsenhor Ricci continua em Bauru até o final de julho

O agora Monsenhor Luis Ricci será o novo Bispo auxiliar de Niterói, no Rio de Janeiro (leia tudo a respeito aqui).

Bispo de Bauru Dom Caetano Ferrari e o agora Monsenhor Ricci./ Foto: Nayara Assis/94FMPrestes a completar 20 anos de ordenação e lançando seu primeiro livro, o pároco está a frente da igreja São Cristóvão ha 9 anos.

Em entrevista coletiva à imprensa, realizada ontem (10), o Monsenhor Ricci contou como foi para ele aceitar esse convite em uma arquidiocese que é 5 vezes maior do que a diocese de Bauru.
Na entrevista, o conhecido em Bauru como Padre Ricci, detalhou qual é a emoção de se tornar um bispo durante o pontificado do Papa Francisco.

Sua ordenação episcopal será no dia 16 de julho, às 15h em Bauru, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, cujo evento contará com a presença de 3 bispos: Dom Caetano, Dom Luis Antônio Guedes e o Arcebispo de Niterói, Dom José Francisco.

Ele deve deixar Bauru no início de agosto, portanto até lá ele continua com suas atividades normais como professor e diretor da faculdade em Marília e à frente da igreja São Cristóvão.

A mensagem do Monsenhor Ricci

Aos presentes na entrevista coletiva, disse que a primeira imagem que lhe veio à mente ao ser informado da nomeação foi a ponte Rio-Niterói, daí fazaer o elo dizendo que pretende colaborar para “ligar” as pessoas a Deus e a elas mesmas, através da fé, do amor e da fraternidade.

Ricci acrescenta que será um desafio e tanto, principalmente porque a Diocese de Niterói possui 2,5 milhões de habitantes, ou seja, é cinco vezes maior do que a Arquidiocese a qual pertence: Bauru. “O coração veio à boca e pensei na ponte Rio-Niterói. Pretendo ‘construir pontes’, por meio da Palavra de Deus”, revela.

Até final de julho, Ricci permanece à frente da Paróquia de São Cristóvão, em Bauru, e mantém as atribuições na Faculdade João Paulo II (Fajopa), em Marília, onde é professor e diretor. Monsenhor completará 20 anos de sacerdócio, no próximo dia 10 de julho.

Em razão da importante nomeação, o Monsenhor Ricci destaca que ficou surpreso.  “Acolhida com gratidão e confiança, após intenso e sofrido discernimento (…) foi pela fé e confiança em Deus que decidi querer o que Deus quer para mim”, comentou a respeito.

Pároco da Paróquia de São Cristóvão, Ricci completará 51 anos no próximo dia 16. O religioso é diretor e professor de ética teológica e bioética, na Faculdade João Paulo II (Fajopa), em Marília, com mestrado e doutorado em teologia moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense – Academia Alfonsiana de Roma, e pós-doutorado em bioética, pelo Centro Universitário São Camilo, em São Paulo.

Sua última pesquisa resultou no livro “A morte social: mistanásia e bioética”, que será lançada hoje (11 de maio), às 19h15, no Auditório João Paulo II, da Universidade do Sagrado Coração (USC), que fica na rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil, em Bauru.

Artigo assinado pelo Monsenhor Ricci, publicado no Jornal da Cidade:

“O Senhor Fez em mim Maravilhas! (Lc 1,49)”

No ano Nacional Mariano, no Tempo Pascal e no Domingo do Bom Pastor, venho por meio desta manifestar minha sincera e gratidão a Deus, Uno e Trino, pelo dom da vida cristã, vocação sacerdotal e por me chamar, por meio da Igreja, na pessoa do Santo Padre, o estimado Papa Francisco, para o Ministério Episcopal, nomeando-me Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Niterói. Confesso que fiquei surpreso com a nomeação, acolhida com gratidão e confiança, após intenso e sofrido discernimento. Sempre acreditei e experienciei que quando Deus dá uma missão, oferece-nos também os meios para bem cumpri-la, em seu nome, por amor e com amor. Diante de tantos fatos que ocorreram em minha vida, posso afirmar: “Senhor, em tudo engrandeceste e glorificaste o teu povo, sem deixar de assisti-lo, em todo tempo e lugar o socorreste” (Sb 19,22). Chegou a hora de partir, pois “há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu” (Ecl 3,1).

Foi pela fé (cf. Hb 11) que eu dei um sim ao chamado de Deus, tendo plena consciência de minha condição de vaso de barro, com limites e fragilidades, que carrega um grande tesouro, para que todos reconheçam que todo bem vem de Deus e não de mim (cf. 2 Cor 4,7). Coloco minha confiança total em Deus, porque seu que “O Senhor completará para mim a sua obra. Senhor, tua bondade dura para sempre: não abandones a obra de tuas mãos” (Sl 138,8). Foi pela fé e confiança em Deus que decidi querer o que Deus quer para mim. Chegou o momento de, como Maria, dar também o meu sim ao chamado de Deus, como uma resposta de amor ao amor recebido durante toda a minha existência. De fato, o Senhor “fez em mim maravilhas” (Lc 1,49). Fecit mihi magna é o lema que escolhi para a minha nova missão. Acredito que toda boa obra é realizada a quatro mãos, as de Deus e as minhas: “Para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus” (Jo, 2,21). Sair da área de conforto e avançar para águas mais profundas, navegar por novos mares e construir pontes só se compreende à luz da teologia da Kenosis (cf Fl 2,5-11) e do não esquecimento dos pobres e necessitados (cf. GL 2,10).

Minha saudação primeira vai para a Arquidiocese de Niterói, pela qual rezo desde a minha nomeação e que em breve me acolherá. Saúdo o caríssimo pastor e irmão Dom José Francisco Rezende Dias, nosso Arcebispo, que me acolheu de modo muito cordial e fraterno, o Arcebispo Emérito Dom Frei Alano Maria Pena, OP, o Presbitério, Religiosos e Religiosas, Seminaristas e Vocacionados, Pessoas de Boa Vontade, Autoridades, Meios de Comunicação e todo o Povo de Deus que serve a Cristo, Bom Pastor. Estarei entre vocês como servidor e aprendiz. Espero poder contribuir, contando sempre com a Graça de Deus. Após a comunicação que recebi com “temor e tremor” (Fil 2,12), a primeira imagem que me veio foi a da Ponte Rio-Niterói.

Desejo ser um operário na Vinha do Senhor, construtor de pontes, na comunhão eclesial e solidária, colaborando para “aterrar os valões e aplainar montanhas e colinas” (cf. Lc 3,5), como anunciou São João Batista, Padroeiro da Arquidiocese de Niterói.

Agradeço ao meu Bispo e pastor Dom Caetano Ferrari, OFM, Bispo de Bauru, que muito me ajudou e incentivou, assim como ao Arcebispo e aos Bispos da Província Eclesiástica de Botucatu, pela profícua convivência durante anos. Agradecimento sincero ao meu Presbitério pelo convívio fraterno e sempre cordial, aos Religiosos e Religiosas, ao Povo de Deus da Diocese de Bauru, às Paróquias e Comunidades onde servi, aos Seminários de Marília, Formadores e Seminarista, à Faculdade João Paulo II, Professores, Alunos, Funcionários, à Pastoral da Criança, às Autoridades, aos Meios de Comunicação e pelas amizades edificadas nos vários serviços que realizei durante os quase vinte anos de sacerdócio e docência acadêmica. Agradeço de modo muito especial minha querida família, sempre presente e solícita. Muito obrigado por tudo e por tanto!

Ao Povo de Deus da Diocese de Bauru, da Paróquia de São Cristóvão e concidadãos da cidade de Bauru, onde nasci, minha gratidão sincera por todo o carinho e afeto a min dispensados. Tenho a grande responsabilidade de ser o primeiro padre da Diocese de Bauru e da cidade de Bauru a ser nomeado Bispo. Quanto maior o serviço, maior a responsabilidade. Sei que poderei contar com o apoio e orações de todos e todas.

Aproveito a ocasião para convidar e comunicar que a minha Ordenação Episcopal foi agendada, de comum acordo, entre a Arquidiocese de Niterói e a Diocese de Bauru, para o dia 16 de julho, domingo, Memória de Nossa Senhora do Carmo, às 15h, em Bauru. Rezem por mim! Que Nossa Senhora Auxiliadora, Co-Padroeira da Arquidiocese de Niterói juntamente com São João Batista, interceda por mim, para que eu possa permanecer nos passos e atitudes de Cristo, Bom Pastor, sendo testemunha de sua Ressureição.

Obrigado Senhor! Confio e espero em Ti!

O autor é pároco da Paróquia de São Cristóvão

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