LUCIANO DIAS PIRES chega aos 90 anos com muita festa

Luciano Dias Pires, jornalista e historiador, diretor do Bauru Ilustrado, que tão bem faz aos bauruenses ávidos por saber tudo sobre a história da cidade e sobre as pessoas da comunidade, completa 90 anos neste dia 14 de maio. A data já havia sido comunicada pela transmissão em forma de entrevista promovida pela neta, Luciana Pires, No vídeo vimos como a família está em festa. Luciana fez uma entrevista descontraída com o avô que deu o que falar e foram muitos a acompanhar (coisas da modernidade).

Luciano Dias Pires nasceu em Botucatu, em 1927. É um escritor e  jornalista bauruense.

Ele é muito conhecido como o contador de histórias de Bauru.

Na verdade, ele conta história de quase toda existência de Bauru, mesmo de tempos antes de nascer, e isto há 90 anos, a serem completados no dia 15 de maio de 2.017.

Luciano Dias Pires também é relações públicas e atuou por anos na Rede Ferroviária Federal, antiga N.O.B., o que lhe dá experiência para contar as coisas importantes da cidade.

“Se precisasse, começaria tudo de novo, com a maior alegria”, disse Luciano Dias Pires, ao Jornal da Cidade, em uma data de aniversário, em forma de entrevista.

Com muita disposição para a vida, o jornalista, relações públicas, contabilista e memorialista Luciano Dias Pires, continua no mesmo ritmo de trabalho e com dedicação plena ao suplemento do JC, o Bauru Ilustrado.

Vive em seu dia-a-dia a compartilhada com um grande número de pessoas que há 43 anos acompanham o suplemento Bauru Ilustrado, ao final de cada mês.

‘Seo’ Luciano, como é respeitosamente chamado, pode ser definido como um grande contador de histórias, sejam as que rememoram os grandes acontecimentos da cidade ou as que retratam a vida das pessoas, não se limitando àquelas com destaque nos meios sociais e políticos de Bauru. “Eu queria contar a história de gente mais simples, que ajudou a construir a cidade”, comentou ele em recente entrevista.

Dentre as muitas memórias, lembra, com emoção, de alguns dos personagens de suas histórias, como a vendedora de pamonha que trabalhava para frequentar a universidade, ou o funcionário da farmácia que visitava de bicicleta os doentes para aplicar injeções, resultando em um presente de uma empresa: uma bicicleta nova.

Quem para para ouvir suas histórias se emociona quando conta o reencontro de uma professora com seus ex-alunos, anos depois de ela ter ido embora de Bauru após a morte de suas duas filhas por uma doença que devastou a cidade. “Ela foi para São Paulo, mas voltou para uma visita. Fizemos uma surpresa e reunimos quatro ex-alunos, já adultos. Foi muito comovente. Todos choraram, inclusive o fotógrafo do jornal que cobriu o encontro e eu”, conta.

Luciano Dias Pires conta que um dos principais motivos de orgulho no Bauru Ilustrado era a seção que trazia fotos e informações sobre as famílias que viviam em Bauru. “Ao longo dos anos, foram mais de 300 (fotos). Acredito que tenhamos o maior acervo do tipo no País”, ressalta o memorialista.

A importância de suas publicações é tamanha, que em 1996, a pedido dos lembrados no suplemento do Jornal da Cidade, ele organizou o primeiro almoço que reunia as famílias que tiveram suas histórias retratadas. O encontro aconteceu por outros 10 anos seguidos e atraía pessoas que viveram na cidade, mas se espalharam pelo mundo.

Durante todo esse tempo de dedicação, Luciano Dias Pires foi responsável pela formação de um enorme e rico acervo de objetos e documentos, sem contar as fotografias, que já somam 12 mil. “Tenho todas separadas por categorias, guardadas em caixas identificadas. Não estão catalogadas individualmente, mas eu acho tudo o que quero lá”, brinca o memorialista, com sua memória prodigiosa.

Mas não é proprietário de um acervo composto apenas por mais de 12 mil fotografias. Há ainda 400 postais de Bauru antigo, documentos originais e 185 painéis fotográficos, relatando 90% do passado local, e por um bom tempo esteve à procura de um local em que pudesse armazenar adequadamente esse material e realizar exposições abertas à visitação pública.

Um pouco sobre o Bauru Ilustrado

Luciano Dias Pires mostra a edição número 1 do Bauru Ilustrado, que nasceu em 13 de dezembro de 1974. Foto de seu arquivo pessoal.Em 1974 Luciano Dias Pires decidiu dar início ao Bauru Ilustrado, um jornal até então independente, com outro nome. A ideia do jornalista era de que a publicação fosse chamada Bauru Epopeia e a mudança aconteceu após uma conversa com o então prefeito Luiz Edmundo Coube. “Ele me deu um toque e disse que o nome poderia levar as pessoas a entender certa dose de presunção”, conta, surgindo a escolha do nome definitivo que se deu por conta da proposta inicial de publicar grande quantidade de fotografias, tendência que permanece até hoje.

A princípio eram 5 mil exemplares iniciais de tiragem e não foi fácil colocá-los nas ruas, pois os anunciantes não confiavam muito no projeto e, diante da dificuldade persistente, em 1977 Luciano propôs ao diretor do Jornal da Cidade na época, Nilson Cosa, que o “Bauru Ilustrado” fosse distribuído junto com a publicação.

“Mas só deu certo quando falei diretamente com o Alcides Franciscato. Ele ligou e determinou na mesma hora que, a partir do mês seguinte, o Bauru Ilustrado saísse com o JC, que se responsabilizou pelas vendas dos espaços publicitários, depois de combinarmos um cachê”, lembra.

Vida em família

Dos 90 anos de vida de Luciano Dias Pires, 86 foram vividos em Bauru. De Botucatu, veio ainda pequeno para a cidade com os pais Francisco Xavier Pires e Lázara Dias Pires. Também tinha dois irmãos mais velhos: João Batista Dias Pires e Jack Dias Pires, que foi um dos expedicionários bauruenses na Segunda Guerra Mundial.

Por aqui, constituiu sua própria família, fruto do casamento que dura 62 anos com a Sra. Helena da Silva Pires, 83 anos, professora aposentada, que conheceu no curso Normal do Colégio Guedes de Azevedo. Na publicação de hoje pelo Facebook, foi todo elogios à companheira, num exemplo a todos que sabem da necessidade de valorizar a família.

O memorialista é pai de Luciano, jornalista e chargista, Luiz Antônio, diretor do Zoológico de Bauru, e da professora Lúcia Helena. Pires tem ainda seis netos – Fernanda, Bárbara, a cantora Luciana, Daniel, Gabriela e Mathias e a bisneta Isadora.

Tudo começou com a ferrovia…

A trajetória profissional de Luciano Dias Pires se deu a partir da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), onde ingressou em 1945, muito embora a dedicação paralela aos veículos de comunicação impressos, radiofônicos e televisivos, que o motivou a largar o emprego e tentar a vida em São Paulo como radialista. Sem sucesso, retornou e atuou como relações públicas da empresa por muito tempo, inclusive na capital do Estado, até se aposentar, em 1982.

Sua paixão pela ferrovia está evidente na maioria das publicações do Bauru Ilustrado, e foi a partir dela que iniciou seu interesse pela história da cidade. “Em 1965, estava na Europa e tive contato com a indústria do turismo ferroviário existente lá. Fiquei fascinado por tentar implantar aquilo em Bauru, já que nossos trens chegavam ao Paraguai e a Bolívia”, explica.

Estudioso de nossa história, após conhecer a fundo a história da Noroeste do Brasil, Luciano se deu conta de como ela se confundia com a história e o desenvolvimento da cidade. “Fui lendo artigos, buscando, fuçando, conversando com as pessoas… Hoje, posso dizer que sou considerado um expert”, brinca Pires.

Paixão pelo rádio começou aos 8 anos de idade

Se Luciano Dias Pires já era vidrado nas ondas do rádio, depois de ouvir um comentário de um locutor recém-contratado pela Bauru Rádio Clube, o Luciano Santoro, trabalhar diante do microfone se tornou uma obsessão. Mesmo aos 8 anos de idade ouviu de Santoro: “É o meu xará? Quem sabe você, em um futuro que vai chegar logo, será também um locutor de rádio!”.

Do então locutor esportivo Aurélio Campos, de quem era fã, Luciano Pires tentou a sorte na Rádio Tupi, em São Paulo. Seu primeiro teste, porém, foi frustrado. “Fui sabatinado pelo Homero Silva, que era um nome influente do rádio naquela época. Mas ele foi muito indiferente. Me mandou ler um texto, sem que eu tivesse ensaiado, e falou, ao final, que eu tinha a voz grave, mas que deveria voltar seis meses depois de treinar muito. Claro que, se ele estivesse vivo, estaria me esperando até hoje”, ri, Luciano.

Não abandonando a paixão e proposta de carreira, em Bauru ele teve sua primeira oportunidade. Apaixonado pelo Noroeste, começou a ler mensagens comerciais e informar os resultados de jogos de todo o Brasil no transcorrer dos jogos, a partir da criação do serviço de som no velho estádio do Alvirrubro.

Por conta disso, surgiu o convite para assumir a locução do período noturno, das 20h às 23h, na Bauru Rádio Clube.

Daí em diante, foi só sucesso! Em 1954, quando o time do Noroeste chegou pela primeira vez à elite do futebol de São Paulo, criou o programa “Pra Frente Noroeste”, um dos maiores sucessos do rádio na época. No ano seguinte lançou o Grande Jornal Falado G-8, o primeiro programa do gênero jornalístico da cidade.

Dois anos depois foi para a Rádio Terra Branca, mas concluiu seu ciclo no rádio na década de 1960, quando partiu de vez para a comunicação impressa.

Hoje é figura indispensável na imprensa local e assina o Bauru Ilustrado, que é aguardado com muita expectativa pelos assinantes do Jornal da Cidade, que faz a distribuição junto a uma das edições dos finais dos meses.

(*) Com informações subtraídas do Jornal da Cidade, Terceiro Tempo, Wikipédia e outros meios.

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