Japoneses em Bauru

Estima-se que vivam em Bauru 2.200 famílias de origem japonesa, das quais descendem cerca de 8 mil pessoas, sendo que, maioria delas, se fixando em dois bairros mais acentuadamente: a Vila Independência, na zona oeste, inaugurada em meados dos anos 30, e boa parte dos nikkeis (filhos de japoneses nascidos no Brasil) também na Vila Nipônica. A Vila Independência respira a tradição japonesa, desde sua fundação.

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Os primeiros imigrantes japoneses se fixaram no bairro inicialmente chamado Água do Sobrado, local escolhido pelos imigrantes pela existência de um córrego que oferecida água em abundância, utilizada na irrigação das suas plantações.

Com o passar dos anos, já com a denominação de Vila Independência, o local transformou-se no preferido da colônia japonesa em Bauru, quando, já organizados, criaram a Associação Cultural Okinawa Água do Sobrado (Acoas), que existe até hoje. Oninawa em razão de ser também a cidade do Japão de onde milhares de japoneses saíram com destino ao Brasil, em busca de uma vida melhor.

familia-japonesaFotos meramente ilustrativas, subtraída da internet, porém que nos remetem à proposta. Busca-se saber a autoria.

Os primeiros imigrantes que chegaram a Bauru partiram para a agricultura, mas seus filhos mudaram um pouco essa história e hoje o comércio é o ponto forte da comunidade, atuando em quase todos os ramos, como nas floriculturas, quitandas, supermercados, oficinas mecânicas, além de outras áreas.

No bairro, a economia está exclusivamente ligada à comunidade japonesa, que ao longo da Avenida Castelo Branco mantém seus pontos comerciais, mas ainda com pequenas chácaras que dividem espaço com o cenário e em cujos locais os filhos dos imigrantes ainda mantêm viva a tradição da agricultura, que por muitos anos subsidiou a sobrevivência dos primeiros japoneses em Bauru. Nesses locais, famílias ainda cultivam hortaliças, frutas e mantêm o setor granjeiro ativo.

Tenrikio (1)A arquitetura japonesa está presente em alguns prédios históricos dos bairros, a exemplo do lindo templo da Igreja Missionária Tenrikyo (foto), sede nacional da Igreja no Brasil, que é um dos locais que mantém essa tradição. Visitar o local é se encantar e se sentir como se estivesse na terra do sol nascente.

A igreja surgiu em 1939, construída pela comunidade japonesa que reside no bairro. O templo é considerado um local de confraternização da comunidade. E, por isso, seus frequentadores fizeram com que a igreja crescesse rapidamente.

Além dessas construções históricas, na rotatória de acesso ao bairro existe a Praça Reverendo Chujiro Otake, pioneiro da igreja Tenrikyo no Brasil. Na praça também foi construído um grande relógio do sol, de muita importância cultural e funcional.

As primeiras famílias de japoneses chegaram a Bauru pela estrada de ferro, em 1914, na intenção de ganhar dinheiro e retornar em pouco tempo para o Japão (essa era a proposta). Os mais antigos contam que as famílias passaram por muitas dificuldades ao se instalarem em Bauru.

Giro IshikawaGiro Ishicava (foto), vereador por anos em nossa Câmara Municipal, já falecido, dizia que, com a esposa, Mitue Ishicava, chegaram a Bauru ainda pequenos e, juntos com os pais trabalharam na lavoura. Dizia ele que “a fé foi que manteve a família em Bauru”.

“Parte da minha vida foi dedicada a cuidar do templo Tenrikyo”, conta Ishicava. Além disso foi o primeiro nikkei (filho de japoneses nascidos no Brasil) a assumir um cargo eletivo na cidade, em 1956. “Houve um plebiscito aqui na Independência e eu fui escolhido”, recorda. Depois foi eleito ainda outras cinco vezes como vereador, na cidade.

Mesmo instalados em sua maioria nas vila Independência e Nipônica, na zona oeste, outros bairros espalhados pela cidade também registram um pouco da história da comunidade nipônica. São praças, rotatórias, ruas, pontes e até um núcleo habitacional que, ao longo do tempo, receberam nomes de imigrantes que fizeram parte da história da cidade.

São quase 80 pontos em vários bairros da cidade com nomes de imigrantes e seus filhos. A maior parte das homenagens feita por ruas, como: Kaneaki Ijuim, na Vila Nipônica; Finio Toshida, no Jardim Santos Dumont; Takuji Takanaka, na Pousada da Esperança, e Shigeo Matsumoto, no Núcleo Nobuji Nagasawa. Uma praça localizada na Vila Bechel e uma alameda no Vale do Igapó também receberam o nome de Japão, em homenagem.

fc8 (1)Praça das Cerejeiras, onde se instala a sede da prefeitura municipal

As cerejeiras deram o nome à praça que abriga o paço municipal, inaugurada em 1958, em comemoração ao 50º aniversário da imigração japonesa no Brasil. No centenário foi providenciada uma remodelação do local, lembrando as cerejeiras, tão tradicionais no país do sol nascente.

p_kasatomaruNo centenário da imigração, Bauru outra vez presenteou a comunidade japonesa com entrega de outra praça, localizada na divisa entre os jardins Terra Branca e Eugênia, denominada “Kasato Maru”, mesmo nome da embarcação que atracou no porto de Santos, em 18 de junho de 1908, trazendo as primeiras famílias japonesas que desembarcaram no Brasil (foto acima).

Aqui uma tomada da praça bauruense, que embeleza o espaço na região oeste da cidade.fc27 (1)

Japoneses bauruenses

O Japão está estampado no rosto de centenas de cidadãos de pele amarelada e olhos puxados que compõem a massa chamada orgulhosamente de bauruenses e que ajudaram e ajudam na construção e expansão da cidade.

351322São japoneses legítimos ou herdeiros, os representantes do Japão, que podem ser vistos em restaurantes que servem os famosos sushis, sashimis e teppaniakis, nos concorridos restaurantes com cardápio típico do Japão.

Eles sempre ocupam os primeiros lugares de listas de aprovados nos vestibulares e também são destaque nos mais diversos ramos da economia bauruense, quer na Vila Independência como em tantos outros lugares espalhados pela cidade.

Eles são mestres no comércio, na matemática, nos origamis, na simpatia e em fugir de entrevistas, peculiaridades que só fizeram acentuar o amor da colônia japonesa pela terra natal e a necessidade de preservar costumes. Daí o fato de os nipônicos serem famosos pelo seu tradicionalismo.
Cidade-irmã: Tenry

Tenry, localizada na província de Nara, no Japão, foi a cidade escolhida para ser a irmã de Bauru, regulamentado pela lei municipal número 1.462, de 23 de dezembro de 1969, assinada pelo ex-prefeito Alcides Franciscato. O autor da proposta foi o então vereador Giro Ishikawa.
A ideia da lei é estabelecer uma relação de irmandade entre Bauru e Tenry, promovendo o intercâmbio, a ajuda mútua, assim como a troca de experiências entre os dois países.

Japoneses estão em Bauru há mais de 100 anos

dsc_02131Foto subtraída do site do Clube Nipo Brasileiro em Bauru.

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil em 1.908, a bordo do navio Kasato Maru, no porto de Santos, vindo de Kobe, no Japão. Depois de seis anos os primeiros japoneses chegavam a Bauru (1.914).

Os pioneiros da imigração japonesa vieram até Bauru com o objetivo de plantar algodão e, para isso, instalaram-se inicialmente na zona rural. O nissei Massaru Ogino, estudioso da história japonesa no Brasil, diz que a maior parte dos imigrantes que veio para Bauru provenientemente da província de Okinawa, uma ilha localizada no extremo sul do Japão.

Um levantamento feito em 1930 constatou que das cerca de 23 famílias japonesas que viviam em Bauru, dez haviam partido dessa ilha.

Foto da internet. Busca-se saber a autoria para citação.19Depois vieram mais imigrantes do Japão, mas só depois de terem cumprido o contrato com as fazendas de café espalhadas pelo Interior do Estado. O período de permanência nessas fazendas era de três anos, aproximadamente, segundo Ogino.
“Sem nunca terem visto um pé de café, os imigrantes vieram para trabalhar nas fazendas, principalmente da região de Ribeirão Preto”, relata Ogino, que completa: “Na época, muitos fugiram na calada da noite por causa das condições subumanas em que eram obrigados a viver e trabalhar”.

Os imigrantes, com vocação para a lavoura, procuravam se instalar em locais onde havia água em abundância, já pensando na irrigação das suas plantações, como é o caso de Teisho Tokuhara, um dos pioneiros da imigração, que quando chegou à cidade, por volta de 1926, escolheu para morar a então Vila Caraguá, hoje Parque Vitória Régia. Trata-se do local onde nasce o ribeirão das Flores, que hoje segue canalizado até a Avenida Nuno de Assis, por toda extensão da Avenida Nações Unidas.

De lá, mudou-se para a região da Vila Falcão, onde também havia água em abundância e onde Tokuhara fundou o bairro Água do Sobrado, hoje Vila Independência. Foi naquela região da cidade que nasceram também as igrejas Tenrikyo e Budista.

A maior dificuldade, no início, encontrada pelos imigrantes, foi a língua. “Não porque a língua seja difícil, mas porque os imigrantes não tinham nenhum interesse em aprender o português. Eles pensavam em voltar para o Japão num prazo de quatro a cinco anos. No entanto, ninguém conseguiu juntar fortuna em cinco anos nem mesmo em dez. Por isso, permaneceram,” diz Ogino.

O povo japonês sempre se identificou muito bem com a agricultura, mas a topografia do país de origem nunca permitiu que essa atividade fosse plenamente explorada. “O Japão é um arquipélago formado por 3.400 ilhas. A maioria tem terrenos íngremes e formações rochosas. Cerca de 70% das terras não são agricultáveis. Então eles chegavam ao Brasil e viam esse montão de terra boa para o plantio e ficavam loucos”, relata o nissei Massaru Ogino

Em 1914, seis anos após o Kasato Maru ter ancorado em Santos, os primeiros japoneses chegaram a Bauru. A princípio se instalando em fazendas da região, mas voltando a morar na cidade algum tempo depois, ao perceberam que não estavam ganhando o suficiente no trabalho, na condição de funcionários das lavouras.

A Vila Independência, escolhida para abrigar a colônia, é margeada pelo córrego Água do Sobrado e visando água em abundância, muito útil aos imigrantes, que, para sobreviver, aplicaram seus conhecimentos no ramo de agricultura para cultivar as próprias plantações. Por conta disso, os japoneses compraram muitos lotes naquelas redondezas e, com o passar dos anos, foram dividindo o espaço entre seus descendentes e conterrâneos.

Os japoneses deixam suas marcas por toda a cidade, quer na diversidade religiosa, composta pelo budismo, xintoísmo e até mesmo por algumas segmentações da igreja evangélica; como em obras arquitetônicas, a exemplo do encantador templo da Igreja Tenrikyo, belamente retratado por Celso Melani, abaixo:

tenrikyomelani (1)Também marcam sua presença pela música, representada pelo taikô e pelo divertido karaokê; além das técnicas milenares, como a acupuntura, as artes marciais e a yoga.

Por esses e outros presentes que Bauru recebeu da colônia japonesa nesses mais de cem anos, nosso eterno “arigatô!”

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(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

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