Irmãos Godoy: músicos orgulho dos bauruenses

Vamos dedicar nosso espaço aos irmãos Amilton, Adylson e Amilson Godoy; músicos de expressão internacional e orgulho dos bauruenses.

Eles nasceram em uma família de músicos. Seu avô tocava alaúde. A exemplo de Amilton, Adilson e Amilson tornaram-se profissionais. Seu pai tocou violino em orquestra e trabalhava, também, como trompetista numa boate de Bauru (SP). Um de seus tios por parte de pai tocava trompete, outro, por parte de mãe, era maestro e pianista.

“A música em casa era feita por prazer, por satisfação, e eu cresci participando desse ambiente, que me ajudou a desenvolver meu processo de musicalização. A gente tem uma escola e propõe esse processo, mas se você tem isso dentro de casa, não precisa nem procurar isso fora, vai ter ali mesmo essa possibilidade”, comenta Amilton Godoy.

A primeira professora de Amilton Godoy e de seus irmãos foi Nida Marchioni.”Comecei a aprender pelo caminho tradicional, com métodos correspondentes ao primeiro ano de piano, só que ao invés de ser no conservatório, era com uma professora particular. “Ao mesmo tempo, eu aprendia também algumas harmonias, que meu pai e meu tio Sérgio, irmão de minha mãe, mostravam, relativas à música popular. Meu pai gostava muito de tocar tango, então ouvíamos e tentávamos reproduzir isso. Tivemos um grupo, que fazia muito sucesso no interior, de quatro irmãos, com arranjos feitos pelo meu tio Sérgio, eu tinha 11, 12 anos”, completa Amilton

O tio-avô de Amilton Godoy, que era seu vizinho, tocava violão. Uma das lembranças musicais mais antigas do pianista é a música que fazia com seus primos, aos domingos, quando o visitavam em sua casa. “Outra boa lembrança que tenho é meu pai tocando com orquestra, eu devia ter oito ou nove anos.”

Dos métodos que utilizava, Amilton Godoy recorda-se de “Estudos para Piano” (Ed. Ricordi), de Carl Czerny, e “Exercícios Técnicos Diários” (Editora Irmãos Vitale), de Oscar Beringer, todos eles praticados coma professora Nida. “Paramos de fazer aula com ela por um motivo muito interessante: a gente saía tocando música popular em Bauru e ela implicava, chegou até a ameaçar não mais dar aula pra gente, até o dia em que ela concretizou a ameaça. Fui então estudar com outro professor em Bauru, Efísio Aneda, outra cabeça completamente diferente. Estudei dois anos de harmonia tradicional com ele, e parei porque ele veio a falecer. Aí a professora Nida resolveu me aceitar de volta. Por mais que gostasse de música a gente ia para a aula de piano na marra, porque uma criança não tem suporte para agüentar uma hora de aula.”

“Certa vez, ela chamou meu pai e disse: ‘Olha, esses meninos têm que ir embora daqui, eu não tenho muito o que dar em aula para eles, têm que estudar em São Paulo, têm que ir para a escola Magdalena Tagliaferro’. Mandou-me para ser ouvido por Nellie Braga. Meu pai nos levou para fazer um teste, ela nos ouviu e nos aceitou como alunos. Por três anos viajei toda semana para São Paulo, viajava seis horas e vinte minutos de trem, tinha aula e pegava o trem de volta. A determinação era muito grande.”

Aos dezenove anos, Amilton Godoy participou, em São Paulo, do primeiro concurso nacional de piano, o Prêmio Eldorado, em 1970. “Não venci o concurso mas ganhei uma bolsa de estudos como prêmio. Com ela, eu pagava o meu estudo e minha pensão, ainda gostando de jazz, gostando de música brasileira, mas estudando seriamente piano erudito. Como estudava 11 horas por dia, comecei a ficar bom. Já trabalhando com o Zimbo Trio, ganhei o concurso Eldorado de música erudita, mas optei pela música popular.”

De tudo o que aprendeu, o que ficou de mais agradável e de mais útil, foi compreender, com o jazz e a música popular, que “cada um tem o seu polegar, você chega lá e toca, improvisa do seu jeito, faz o arranjo do jeito que você quer, sem discriminação.”

As figuras decisivas na formação musical de Amilton Godoy foram seus três primeiros professores.

De forma autodidata, o músico precisou aprender a aplicar, nos trabalhos que começaram a aparecer quando mudou-se para São Paulo, todo o conhecimento adquirido nas aulas de piano clássico em Bauru. Com a ajuda de indicações dadas por alguns amigos, foi conhecendo de maneira mais ampla o repertório de jazz, em especial de Oscar Peterson e George Gershwin, e das orquestras.

“Ainda em Bauru, aos 13 anos, ouvi o primeiro disco de George Gershwin, encomendado por meu pai. Ouvi, ouvi, ouvi e não entendi nada, mas comecei a querer reproduzir aquilo. Essa escuta começou a desenvolver o meu ouvido: já que eu não tinha acesso a partituras, tentava tirar, tentava escrever, sei lá quanto tempo eu levei pra tirar a primeira música. Ia atrás dos solos, daquele fraseado, repetia tudo, escrevia, derretia o disco. Em outra situação, ouvi pela primeira vez Oscar Peterson, num programa de jazz da rádio A Voz da América. Também não entendi nada, como é que pode tocar piano desse jeito? Aí meu pai comprou o disco dele. Eu então tinha duas fontes diferentes, e o processo se repetiu.”

Que tal Amilton Godoy Palestra Heitor Villa Lobos – Trenzinho do Caipira?

Adylson Godoy

Maestro, pianista, compositor e cantor, nasceu em Bauru, São Paulo . Cursou Direito pela Faculdade de Direito de Bauru. Iniciou seus estudos musicais aos dez anos, com a professora Nida Machioni e Efisio Anneda. Transferiu-se para São Paulo onde estudou com a professora Nellie Braga, assistente chefe do curso de alta interpretação pianística “Magdalena Tagliaferro”, diplomando-se pelo curso superior de piano.

Foi Diretor Musical dos programas “Fino da Bossa”, “Corte Royal Show” e “Programa Hebe Camargo”. Comandou o programa “Boa Tarde Cartaz”, na TV Excelcior. Fez os arranjos do disco, “Dois na Bossa Volume Dois”, de Elis Regina e Jair Rodrigues. Com duas composições suas “Tristeza Que Se Foi” gravada por Elis e “Santuário do Morro” gravada por Jair. Obteve dezessete prêmios em Festivais (FIC Maracanãzinho, TV Excelsior, TV Record).

Encerraram suas participações em Festivais após obter primeiro lugar no Festival Mundial da Venezuela, “Onda Nueva”, em 1972 com a música “Heróica” tocada por Zimbo Trio, interpretada por Sílvia Maria com arranjo do maestro Ciro Pereira. Vinte e seis países concorreram, bem como músicos de alta importância como Astor Piazzola e Dave Grusin. O júri era composto por nomes internacionais como Franc Purcel, Elmer Bernestain e Charlie Bird. De 1998 a 2003 apresentou e dirigiu o “Programa Adylson Godoy – Vida e Arte” na Redevida de Televisão apresentando compositores, intérpretes e instrumentistas da música brasileira, levando mais de 200 artistas em rede nacional. Possui mais de 150 músicas gravadas por nomes como Elizete Cardoso, Taiguara, Rosa Maria, Alaíde Costa, Silvia Maria, Maria Odete, Claudya, Walter Wanderley, Zimbo Trio, Elis Regina, Jair Rodrigues, Agnaldo Raiol, Márcia, Ronie Von, Leni Groves, Joe Pass, Nicolletta e Clara Nunes que se lançou em São Paulo no festival de TV Excelcior em 1966 com a música “Perdão”.

No direito autoral, em seu segundo mandato, é presidente da ASSIM, Associação de Intérpretes e Músicos, fundada por Elis Regina, Théo Barros e Amilson Godoy; uma associação que tem a finalidade e preocupação de lutar pelo aperfeiçoamento do processo de arrecadação e distribuição do direito de autor.

Com sua filha, a cantora Adriana Godoy, apresentou-se na conceituada casa de música brasileira “Bar Confraria MPB”, em São Paulo. Completaram em abril de 2006, mil apresentações do show “Canto, Piano e Canções” . Em maio de 2005, apresentou-se no Theatro Memorial da América Latina em São Paulo, a convite da Orquestra Jovem Tom Jobim, sob direção e regência do Maestro Roberto Sion, sua peça: “Rapsódia Nº 1 Para Piano e Orquestra” e algumas de suas composições populares, com arranjos de Roberto Sion, Débora Gurgel, João Linhares e Amilson Godoy, interpretadas por Adriana Godoy e Rozana Martinazzi. Participação especial da baterista Lílian Carmona e do guitarrista Rogério de Oliveira.

Amilson Godoy

Amilson Godoy, pianista, maestro, arranjador, compositor e professor, ainda jovem, dedicou-se ao estudo de música erudita. Como pianista, foi vencedor de vários concursos e atuou como solista frente às diversas Orquestras Sinfônicas do Brasil.

Como pianista de música popular, integrou os Grupos Bossa Jazz Trio e Grupo Medusa. Se apresentou e gravou com os mais expressivos artistas entre os quais Elis Regina, Ray Conniff, Dizzy Gillespie, Shirley Bassey e Sadao Watanabe.

Coordenador da Escola de Música da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, introduziu a música popular no ensino acadêmico, onde criou um modelo de aprendizado que é seguido pela maioria das escolas de música atualmente. Ainda na área acadêmica trabalhou na implantação da Universidade Livre de Música.

Foi maestro da Orquestra Jazz Sinfônica e atualmente é maestro do Grupo Sinfônico Arte Viva.

Como arranjador conquistou, entre outros, o prêmio de melhor arranjador do 26º. Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, no Chile.

Em 2.008, Amilson retoma intensamente suas atividades como pianista e promove o reencontro do Bossa Jazz Trio, com sua formação original. Apresenta-se em duo com o baixista Arismar do Espírito Santo no Festival de Jazz de Lapataia, Punta del Este, ao mesmo tempo que mantém suas atividades como Maestro, frente ao seu Grupo Sinfônico Arte Viva. Ao lado do baixista Arismar o Espírito Santo apresenta-se na Semana Cultural Brasileira, em Buenos Aires.

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