121 anos de história de Bauru

Fazemos uso de várias publicações relacionadas à história de Bauru e condensamos aqui para que, com recursos da internet, fique para a prosperidade, considerando as publicações de forma impressa e com poucos exemplares em nossos museus para acesso de todos.

Louvemos, a propósito, o incansável trabalho de nossos historiadores e memorialistas e, aqui na publicação, em especial a Luciano Dias Pires, que em 1.993 fez levar à população um material impresso encomendado pela administração municipal.

Comecemos nos idos do século XVIII.

Foto meramente ilustrativa1830mocidadefalcao (1)Foi por volta de 1856 que Felicíssimo Antônio de Souza Pereira e Antônio Teixeira do Espírito Santo, ao se estabelecerem nesta região, iniciaram um difícil trabalho, isto é, a derrubada das matas seculares, onde ergueram paliçadas rústicas e levantaram casebres para que pudessem alojar suas famílias. O duro aço das ferramentas feria, pela primeira vez, a terra recém-conquistada, com o início de diferentes plantações. Para garantir sua propriedade, Felicíssimo Antônio de Souza Pereira se deslocou até Botucatu, numa viagem demorada e lá registrou a posse, colocando no final do documento: Bauru, 15 de abril de 1856. Era, talvez, a primeira vez que o nome de Bauru, como povoado, aparecia em um documento oficial.

Começava, desta maneira, a surgir a Vila de Bauru, um lugarejo modesto, humilde, mas que tinha tudo para expandir e transformar-se na grande cidade que hoje é. Chegavam novos moradores, parentes e conhecidos daqueles dois desbravadores considerados os fundadores de nossa cidade.

Azarias Ferreira Leite, nascido na localidade de lavras, Minas Gerais, no dia 8 de dezembro de 1866, aqui chegou pela primeira vez em fins do século passado, tendo retornado em outras ocasiões para, em 1888 radicar-se definitivamente em Bauru com sua mulher Vicentina, filha de outro influente pioneiro – João Batista de Araújo Leite – que com ele para cá veio(era tio e sogro de Azarias).

Novos colonos surgiram atraídos pela fecundidade dos sertões de Bauru, para aventurar fortuna. A lavoura cresceu e, onde anteriormente eram matagais, aparecia, agora, o verdor das plantações enfileiradas. Foi o início da marcha para o Oeste, o desabrochar de uma esperança para aquela região do Estado de São Paulo. De diferentes pontos do território brasileiro chegavam homens destemidos, e até mesmo representantes de outro povos que para o Brasil imigravam, para Bauru vinham e, assim, naquela mescla de raças se alicerçava a pequenina localidade.

Nossa modesta vila era subordinada ao município de Fortaleza (próximo de Agudos) criado em 1887, cuja instalação, bastante solene, aconteceu no dia 7 de janeiro de 1889. No entanto, Bauru progredia e as quatro léguas que separavam o lugarejo nascente da sede do município eram um entrave ao seu progresso, principalmente quanto às dificuldades para a legalização de qualquer ato, por esse motivo um movimento emancipador começava a ganhar força.

Em 1888, a Câmara Municipal de Lençóis a cujo município Bauru pertencia, por proposta que partiu do vereador Faustino Ribeiro da Silva, então presidente da edilidade daquela cidade, foi nomeado arruador para o patrimônio de Bauru o cidadão Vicente Ferreira de Faria. A ele coube tomar as primeiras providências que diziam respeito à urbanização da vila, delineando ruas e determinando o alinhamento das casas.

O trecho da estrada onde já existiam construções passou a ser chamado de rua principal. As primeiras casas se localizavam na altura dos quarteirões 4, 5, 6, 7 e 8 da Araújo Leite. Ali foi o centro comercial dos primórdios de Bauru.

Quanto à vida religiosa da terra bauruense, salientamos que foi ainda em 1888 que Faustino Ribeiro da Silva solicitou, à Câmara Municipal de Lençóis, um auxílio financeiro para o começo da construção de uma igreja em Bauru, finalmente erguida sobre quatro vigas de aroeira. Desta maneira, nasceu o primeiro templo católico dedicado ao Espírito Santo, onde os bauruenses expressavam suas religiosidade. A igrejinha estava entre a atual porta principal da Catedral e o coreto, por onde posteriormente veio a passar a rua Batista de Carvalho, visto a demolição do lendário templo em 1913.

Lembramos que o primeiro sinal de religiosidade da então vila de Bauru surgiu com o erguimento de uma cruz, nos idos de 1886, bem defronte à atual catedral, no então Largo Municipal ou Jardim Público e que, a partir de 1923, recebeu a denominação mantida até hoje, isto é, praça Rui Barbosa. Foi assim que teve início a história da Paróquia do Divino Espírito Santo.

Sempre lutando por Bauru, Araújo Leite e Azarias Leite em 1893 viajaram para São Paulo e lá procuraram os seus amigos de maior prestígio quando demonstraram o desenvolvimento e as possibilidades da região de Bauru, pedindo que entrassem em contato com as autoridades, a fim de que fosse criado um Distrito de Paz na cidade. Apesar da séria oposição de Lençóis e Fortaleza, finalmente no dia 30 de agosto de 1893 o dr. Bernardino de Campos, presidente do Estado de São Paulo, promulgou a Lei nº 209 que criou um Distrito de Paz na povoação de Bauru, anexa ao município de vila de Fortaleza. Aconteceram então as eleições para a escolha do primeiro juiz de Paz bauruense e nada mais justa a preferência que recaiu na pessoa de João Baptista de Araújo Leite, nome este sufragado por unanimidade. A instalação do Distrito aconteceu festivamente no dia 6 de julho de 1894, numa das salas da residência de Manoel Jacynto Bastos,em frente ao cruzeiro que este ajudara a levantar na praça Rui Barbosa, do lado da rua Gustavo Maciel.

Outro fato importante para a vida bauruense estava para acontecer, visto que o modesto povoado iria realizar as suas primeiras eleições e, no auge das discussões entre os políticos de Bauru e os de Fortaleza, uma honrosa composição foi proposta, com os lideres de nossa cidade fingindo aceitar, possibilidades, que o sangue não viesse manchar aquele acontecimento.

No Cartório de João Pedro de Oliveira funcionou a seção eleitoral do Distrito e o juiz de Paz, Araújo Leite, foi quem a presidiu sob os olhares rigorosos de uma fiscalização atenta de ambos os lados. E assim chegou-se o final do pleito(30 de julho de 1895), felizmente com a ausência de um conflito que estava previsto, mas não consumado. Procedida a votação, seis bauruenses conseguem se eleger: Manoel Jacynto Bastos, Domiciano Silva, João Antônio Gonçalves, José Alves de Lima, Joaquim Pedro da Silva e Francisco Pereira da Costa Ribeiro. Ardentes protestos são formulados pelos moradores da decadente vila de Fortaleza e até mesmo recursos surgem. Mas, em vão! O Senado Estadual ordena que a 7 de novembro se fizesse legalmente a apuração e a 7 de janeiro do ano seguinte os eleitos fossem empossados. A justiça vencera a prepotência e Bauru passou a comandar o domínio e a liderança no município, com a conquista do legislativo.

Portanto, com a eleição da Câmara Municipal, bem como do intendente (prefeito) José Alves de Lima, ficaram definitivamente formados os dois poderes que iriam dirigir os destinos de Fortaleza e de Bauru. No dia da posse, porém, outro acontecimento veio provocar reclamações dos políticos de Fortaleza, quando o edil bauruense, João Antônio Gonçalves, tirou do bolso um papel amarrotado com uma indicação histórica, ou seja, propondo a mudança da sede do município, de Fortaleza para Bauru.

Finalmente, depois de vários considerandos e salientamos que aquela Vila estava em completa decadência e total abandono, ao passo que a futurosa povoação de Bauru prosperava, aumentando a sua população dia a dia, indicava que fosse elevada a povoação de Bauru, pedindo-se para este ato a aprovação do Estado e informava, ainda, que desde este dia, 7 de janeiro de 1896, se considere mudada para Bauru a sede da municipalidade, dando-se conhecimento ao Governo. Após a transferência da sede, em todos os atos praticados pela Câmara Municipal figurava a denominação Município de Bauru, embora a situação ainda não contasse com a provação do Senado Estadual. Esta só veio a 1º de agosto de 1896, depois de um trabalho constante da política e da campanha pela imprensa de São Paulo, principalmente dos jornais o Estado e, do Correio Paulistano. Trabalharam pela aprovação no Senado Estadual, o dr. Ezequiel Ramos, que apresentou o projeto, o dr. Cerqueira César, este então membro da Comissão Central do PRP, e o dr. Júlio de Mesquita, do jornal Estado.

Assim, naquele 1º de Agosto de 1896, o então presidente (governador) do Estado de São Paulo, dr. Manoel Ferraz Campos Salles, sancionava a lei nº 428, do Congresso do Estado e constituída do único e seguinte artigo: “O município de Espírito Santo de Fortaleza passa a denominar-se Bauru, mudando-se a sua sede para esta última povoação.

A notícia do reconhecimento, pelo Senado, da situação criada pelos vereadores de Bauru, foi recebida na localidade de Bom Jardim(perto de Agudos) por telegrama de José da Costa Ribeiro. O despacho foi trazido a Bauru pelo estafeta Domiciano, antigo escravo, e tinha os dizeres: “Senado aprovou a mudança da sede do município, decretando a lei de hoje, transferindo a sede”.

Transcorridos alguns anos, com Bauru sendo comandada pelo prefeito Francisco Gomes dos Santos, uma notícia iria revolucionar e transformar totalmente o destino da cidade ou seja, a construção de uma ferrovia que demandasse a Mato Grosso, ligando aquele imenso território à vida econômica da Nação.

fc84 (3)Uma sugestão aconteceu primeiramente em 1852 e o estudo foi desenvolvido por meio de inúmeros projetos. Aceitando, naquela oportunidade, ponderações de Paulo de Frontin, em nome do Clube de Engenharia, o Governo baixou o Decreto nº 5349, de 18 de outubro de 1904, estabelecendo que a Companhia de Estradas de Ferro Noroeste do Brasil, em seu traçado definitivamente aprovado, seria a partir da vila de Bauru, que era localizada na chamada Boca do Sertão, ou onde fosse mais conveniente no prolongamento da Estrada de Ferro Sorocabana. Depois de vários estudos, novos planos, etc., a alta direção da Companhia enviou para Bauru o engenheiro Machado de Mello, formado na Bélgica, a fim de ser iniciada, imediatamente, a localização da nova estrada de ferro. Daí para frente uma incomum movimentação tomou conta do modesto lugarejo, visto as obras da ferrovia que tinham certa prioridade quanto ao seu término.

fc70-1 (1)Enquanto era construída a lendária NOB, os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana chegavam a Bauru em julho de 1905, num acontecimento marcante, pois a nossa cidade finalmente estava ligada a São Paulo por uma ferrovia. A pequena vila recebia com muitas festas o importante melhoramento. Enquanto isso, no ano seguinte, mais precisamente no dia 27 de setembro de 1906, a Noroeste inaugurava o seu primeiro trecho entre Bauru e Jacutinga(hoje Avaí). E a sua construção jamais sofreu solução de continuidade, apesar dos problemas com os índios que quase chegaram a paralisar as obras da influente ferrovia.

fc79 (2)Outro fato, ligado ao sistema ferroviário, veio transformar Bauru em um dos mais importantes entroncamentos ferroviários da América do Sul, ou seja, a chegada, em 1910, da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Estava, assim, formado aquele trinômio, alicerçado nas paralelas de aço, que foi responsável pelo impressionante progresso da Sem Limites.

Em outros setores Bauru ganhava influentes benefícios. Foi fundada a Sociedade Dante Alighieri, isto em 1906 e nesse mesmo ano surgiu o jornal O Bauru, de propriedade de Domiciano Silva, homem público que foi o segundo prefeito bauruense. Aconteceu, em 1908, a inauguração do serviço telefônico. Também em 1908 o presidente da República, dr. Afonso Pena, visitou Bauru para inaugurar mais um trecho da E.F.Noroeste do Brasil. Ainda em 1908, além de a Câmara Municipal inaugurar o seu prédio próprio frente a área que viria ser a praça Rui Barbosa, a cidade ganhou o Cemitério da Saudade.

Em 1910 um grupo de ferroviários fundou o E.C.Noroeste e naquele ano nasceu o nosso primeiro estabelecimento bancário e quando o mesmo seria inaugurado – Banco de Custeio Rural – aconteceu o assassinato de Azarias Leite, homem que simboliza, para todo o sempre o pioneiro da terra bauruense. Ele batalhou com todas suas forças para conseguir incontáveis benefícios para a cidade, inclusive a criação da Comarca, que foi uma de suas principais metas, porém quis o destino que ele, em vida, não pudesse comemorar a conquista.

Precisou ser ele assassinado para que a Comarca fosse um fato concreto. Ela foi criada logo depois da morte de Azarias, ou seja, no dia 17 de dezembro de 1910 e a instalação aconteceu no dia 09 de março de 1911 com a posse de nosso primeiro juiz de Direito, Rodrigo Romeiro e do primeiro promotor público, Benjamin Pinheiro. Ainda em 1911, outro melhoramento que deu um maior impulso a cidade foi a inauguração da iluminação pública.

Assim, com a conclusão dos prédios para a usina e a chegada do maquinário, no dia 16 de março de 1911 Bauru festejou ruidosamente o advento da iluminação. Salva de tiros, queima de fogos, execução de músicas por toda a cidade e bailes, marcaram o influente acontecimento.

Santa Casa e a paz no sertão da Noroeste entre índios e brancos (1912), cadeia em prédio próprio e a criação do nosso primeiro grupo escolar(1913), que recebeu a denominação de Rodrigues de Abreu em 1939; a inauguração da praça Rui Barbosa e a fundação da Beneficência Portuguesa em 1914; a instalação do Banco do Brasil em 1918, e do Banco Comércio e Indústria em 1922; o início de funcionamento do tradicional estabelecimento de ensino dos irmãos Guedes de Azevedo e a chegada das religiosas do Sagrado Coração de Jesus que vieram, em 1926, dar um impulso ao então Externato São José , fundado em 1922 pelo padre Francisco Wan der Mass, são outros benefícios que Bauru ganhou até meados dos anos 20, que serviram de substentáculo para o seu desenvolvimento.

A história da terra bauruense é repleta de lances emocionantes e, se hoje vivemos numa cidade tranqüila e hospitaleira, devemos isso aos pioneiros, homens que se sacrificaram para que pudéssemos desfrutar desta maravilhosa Bauru.

Primeiros Tempos da Nossa Bauru – II

Em fins de 1993, tivemos a oportunidade de editar, pela Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio de várias empresas do nosso comércio e da nossa indústria, o folheto intitulado “Os Primeiros Tempos da Nossa Bauru”, por intermédio do qual narramos parte da história da cidade, iniciando pelos acontecimentos surgidos a partir de meados do século passado e chegando aos anos 20.

Nesta publicação – a segunda – damos prosseguimento a este trabalho de preservação e divulgação dos fatos do passado, abordando os principais lances históricos, desde a década dos 20 até fins dos anos 30, fases essas das mais importantes para nossa Bauru, com a implantação de incontáveis benefícios que serviram para alicerçar o progresso sempre contagiante da “Sem Limites”.

Em 1912, na gestão do prefeito José Carlos de Freire Figueiredo, foi implantado o primeiro serviço de abastecimento de água, cujo reservatório estava localizado em terreno hoje de propriedade do BTC, do lado da rua Antônio Alves com a Cussy Júnior. Todas as obras foram planejadas pelo engenheiro Saint Martin e a empresa tinha a denominação de Cia. de Água e Esgotos de Bauru.

No que tange à pavimentação da cidade, em 1923 as nossas autoridades começaram a pensar seriamente no início do serviço, cujo benefício aconteceu a partir de 1924, face à aprovação, no Legislativo, no dia 29 de outubro de 1923, da autorização do prefeito José(Juquinha) Gomes Duarte, para publicar o edital de concorrência do sarjeteamento e calçamento das principais artérias bauruenses.

Gérson França, um dos vultos da política de Bauru, foi vereador, e prefeito de 7 de janeiro de 1905 a 15 de janeiro de 1909, depois de deixar a vida pública e aqui encerrar as suas atividades profissionais (era farmacêutico), mudou-se para São Paulo, onde veio a falecer em 14 de abril daquele ano. Foi no dia primeiro de agosto de 1926 que a comissão organizadora do Bauru Tênis Clube realizou uma Assembléia Geral para eleger a primeira diretoria, que teve como o seu presidente inicial o médico Gerônimo de Cunto Júnior.
Um dos mais importantes fatores para o progresso da terra bauruense foi a chegada, no dia 6 de setembro de 1927, do então 4º Batalhão de Caçadores(hoje 4º BPMI), que passou a colaborar com os poderes constituídos da cidade em prol da ordem e da disciplina. Foi ainda em 1927 que Bauru prestou as derradeiras homenagens ao poeta Rodrigues de Abreu, que aqui faleceu no dia 24 de novembro daquele ano. Nascido na cidade de Capivari, em 27 de setembro de 1897, na Capital da Terra Branca ele escreveu os seus mais belos poemas. Em primeiro de janeiro de 1928, graças à chamada Lei Eloy Chaves, foi instalada a Caixa dos Ferroviários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, entidade que prestou relevantes serviços aos funcionários daquela via férrea(hoje integrante da RFFSA), inclusive financiando residências, pela Tabela Price, para pagamentos até 20 anos.

O ano de 1928 continuou a ser dos mais influentes para os bauruenses, face à inauguração, naquele ano, do hospital da Sociedade Beneficência Portuguesa, acontecimentos esse que trouxe incontáveis benefícios ao setor da saúde de nossa cidade e região. A vida política bauruense foi sacudida no dia 5 de abril de 1929, quando da visita do então presidente do Estado de São Paulo, Júlio Prestes de Albuquerque, o qual em 1930, venceu as eleições para presidente do Brasil, mas foi impedido de tomar posse por Getúlio Vargas que, naquele ano, assumiu o poder, através de uma vitoriosa revolução, como ditador(ele ficou frente aos destinos do Brasil, de 1930 a 1945, quando então foi deposto).

Ainda em 1929, mais precisamente no dia 11 de julho, a nossa gente sofreu um rude golpe, ou seja, o assassinato do prefeito José(Junquinha) Gomes Duarte, em plena rua Batista de Carvalho(frente onde hoje está a Modelar). Por duas vezes ele dirigiu os destinos de Bauru e em sua homenagem uma das vias públicas da “Sem Limites” tem o seu nome(rua Capitão Gomes Duarte).Quanto ao lazer, em 2 de outubro de 1929 Bauru ganhava mais um cinema, ou seja, o Cine Brasil, que funcionou durante algum tempo na quadra sete da Primeiro de Agosto, quase defronte ao atual Banco do Brasil. Em meados dos anos 30, após ficar fechado para reforma, quando se preparava para ser reinaugurado, um incêndio destruiu parte de suas instalações e aquela casa de espetáculos acabou sendo desativada.

Corriam tranquilos os primeiros meses de 1930, quando os bauruenses receberam importante notícia, ou seja, a inauguração oficial da primeira ligação interurbana de Bauru para São Paulo, que foi feita no dia 2 de abril de 1930. Era prefeito o dr. Eduardo Vergueiro de Lorena e, vice, o sr. Ernesto Monte. Em 24 de outubro de 1930 a nossa população assistiu a dois trágicos acontecimentos, ou seja, o empastelamento de dois jornais: “Correio de Bauru”, que funcionava na esquina da 1º de Agosto com a Virgílio Malta, e o “Diário da Noroeste” que se localizava na Rodrigues Alves, confluência com a Rio Branco. Esses dois jornais, durante a Revolução de 30, foram contrários a Getúlio Vargas, razão porque os seus adeptos, quando do fim daquele movimento revolucionário, tomaram aquela atitude.

Na vida esportiva, a cidade ganhava, em 21 de julho de 1931, um importante benefício, isto é, o nascimento da Federação Bauruense de Futebol. Posteriormente recebeu a denominação de Liga Bauruense de Esportes e, hoje, é a LBFA. Quanto às atividades comerciais, salientamos que no dia 2 de abril de 1931 foi fundada a então Associação Comercial, hoje também Industrial.

Exatamente em 17 de outubro de 1931, dia dos mais importantes para o mundo católico bauruense, teve início a construção da igreja de Santa Teresinha, corajosa iniciativa para a época, do padre João Van der Hulst, vigário da cidade. Face a falta de apoio das autoridades ligadas ao esporte, vários jovens tomaram a iniciativa de fundar o Clube Atlético Bauruense, entidade voltada unicamente ao atletismo, cuja primeira apresentação aconteceu no dia 24 de outubro de 1931. No setor musical, pasmem os bauruenses, já tivemos uma Orquestra Sinfônica, que fez a sua estréia em 3 de novembro de 1931 quando, sob a direção do maestro Guilherme Barberi, 33 músicos ganharam muitos aplausos do grande público que prestigiou aquela noitada festiva.

Em 1931 o jornalista-historiador José Fernandes fundou o “Correio da Noroeste”, jornal que teve presença marcante para o desenvolvimento de nossa cidade. Foi, sem dúvida nenhuma, um dos baluartes da imprensa da antiga Capital da Terra Branca, com inúmeras iniciativa e campanhas que trouxeram muitos benefícios ao nosso povo.

No campo hospitalar, Bauru ganhava, no dia 21 de fevereiro de 1932, mais um benefício, ou seja, a inauguração da Casa de Saúde São Lucas, que se localizava na avenida Rodrigues Alves confluência com a rua Gérson França, cujos responsáveis eram os médicos Alípio dos Santos, Rodrigues Costa e Sylvio Miraglia. Em 20 de setembro de 1932, novamente o setor político foi abalado com o empastelamento do jornal “A Tribuna Operária” que, durante a Revolução que aconteceu naquele ano, teria se voltado contra o clero e os sentimentos religiosos e patrióticos do povo paulista. Quanto à Igreja Presbiteriana de Bauru, foi exatamente no dia 15 de outubro de 1933 que aconteceu a assembléia para a organização da sua primeira mesa administrativa.

Com a movimentação dos comerciários, no dia 1º de janeiro de 1934 foi fundado o Sindicato dos Empregados no Comércio, cuja presidência, em fins daquele ano, era ocupada pelo empresário Mário Ramos Monteiro.
Graças ao pioneirismo de João Simonetti, parte da população que possuía rádios receptores, a partir do dia 8 de março de 1934, passou a ouvir músicas e algumas mensagens transmitidas pela emissora bauruense PRC-8(depois PRG-8) Bauru Rádio Clube, em caráter experimental, acontecimento de grande importância inclusive para a região. Na qualidade de empresário que abriu caminhos na área de comunicação em nossa cidade, nos anos 50 Simonetti trouxe para Bauru a primeira emissora de televisão a funcionar em cidades do interior de toda a América do Sul.

No dia 21 de abril de 1934 circulava o primeiro número do antigo jornal “Folha do Povo”, que tinha como proprietário o jornalista José Lúcio da Silva. Posteriormente, mais precisamente a partir de abril do ano seguinte, Paulino Raphael passou a participar da direção daquele veículo de informações.
A vida educacional bauruense, quando era prefeito de Bauru o major Antônio G. Fraga ganhou, no dia 11 de agosto de 1934, um dos seus maiores benefícios com a criação do Ginásio do Estado pela lei nº 6601. Na parte esportiva, o lusitana F.C.(hoje Bauru A.C.) inaugurava o seu estádio onde atualmente funcionam as instalações do tradicional grêmio alviceleste. Para comemorar, em 19 de agosto de 1934, trouxe o Lusitana a Bauru o São Paulo F.C., da Capital, para um jogo, perdendo o onze de Vila América por 8 a 1.
Outra vez a vida política bauruense foi palco de uma tragédia que teve repercussão nacional. Plínio Salgado, o comentado líder integralista visitava Bauru no dia 3 de outubro de 1934 quando, em uma passeata pela rua Batista de Carvalho, a comitiva foi atacada pelos comunistas, fato esse que resultou no assassinato de um correlegionário do Partido Integralista, o bauruense Roque Rosica.

Durante grande comemoração Mariana de todo o Estado de São Paulo, realizada em Bauru no dia 18 de novembro de 1934, aconteceu a inauguração da igreja de Santa Teresinha. Na oportunidade, um avião, sobrevoando o local, derramou pétalas de rosa, símbolo da vida e de ação da Santa Padroeira do tradicional templo religioso.

No futebol, em 1934, após realizar bela campanha, a equipe do Smart sagrou-se campeã bauruense. Esse clube, fundado em meados dos anos 20, foi campeão apenas uma vez pelo certame patrocinado pela então Federação Bauruense de Futebol e, por algum tempo, teve o seu campo na rua Manoel Bento Cruz, confluência com a 13 de Maio.

Em 18 de março de 1935 graças ao empenho do governo municipal – prof. José Guedes de Azevedo – e do diretor da E.F.Noroeste do Brasil – cel. Marinho Lutz – foi instalado em Bauru o Núcleo de Ensino Profissional, que teve como primeiro diretor o professor Fortunato Lombardi, passando a funcionar inicialmente em salas dos 1º e 3º Grupos Escolares.

No calendário histórico de Bauru, a data de 28 de maio de 1935 tem um significado todo especial, pois naquele dia aconteceu a aula inaugural do antigo Ginásio do Estado, a cargo do saudoso professor Antônio Xavier de Mendonça, cujas solenidades foram realizadas na antiga Sociedade Espanhola, que funcionava na quadra seis da rua Agenor Meira. Nesse mesmo ano e mês, dia 29, outro importante benefício Bauru alcançava no setor educacional com o registro, na diretoria geral de Ensino de São Paulo, do Liceu Noroeste, que tinha em sua direção o professor José Ranieri. Em 30 de Julho de 1935 a avenida Pedro de Toledo recebeu essa denominação em uma homenagem póstuma ao governador de São Paulo, quando da Revolução de 1932. Antes, era chamada de rua Sorocabana, nome este que foi dados a outra artéria.

O E.C.Noroeste, o remanescente do velho futebol bauruense, inaugurou o seu segundo campo de futebol (o primeiro estava localizado na rua Azarias Leite, esquina com a 1º de Agosto), no dia 1º de setembro de 1935, justamente na data do seu aniversário, onde hoje se localiza o Centro de Saúde. Para comemorar o evento, o alvirrubro convidou o Campinas F.C. e perdeu por 1 a zero. Por decreto do então Interventor(hoje governador) do Estado de São Paulo, em 14 de janeiro de 1936 foi criado o Distrito de Paz de Vila Falção, cujo cargo de escrivão passou a ser ocupado por Nélson de Barros Sampaio.

Outro acontecimento de relevo para Bauru foi a fundação, no dia 28 de janeiro de 1936, do Rotary Clube, conforme reunião que aconteceu no restaurante do Hotel Central, cujo primeiro presidente eleito foi o engenheiro Alfredo de Castilho, então diretor da E.F.Noroeste do Brasil. Terminada a Revolução uma campanha por parte dos estudantes da época, a fim de se construir um monumento ao Soldado Paulista, cuja inauguração, com muitas festas, aconteceu quando era prefeito o médico João Bráulio Ferraz(que também participou do movimento revolucionário), no dia 9 de julho de 1936.

A vida católica bauruense se movimentou no dia 24 de dezembro de 1936, com a inauguração da Capela da Santa Casa, com as cerimônias sendo oficiadas pelo vigário de Bauru da época, padre João Van der Hulst. Uma singular notícia publicada no jornal “Correio da Noroeste”, de José Fernandes, no dia 22 de abril de 1937, colocou o nome de Bauru no noticiário da imprensa nacional, quando um ferroviário levou à redação do jornal um ovo de galinha com uma inscrição alusiva a Getúlio Vargas. O fato repercutiu até mesmo no Congresso Nacional.
Antigamente, como era difícil de se conseguir maiores benefícios para a cidade, visto os problemas quanto à comunicação, no dia 29 de abril de 1937 uma comissão de bauruenses e pessoas da região, lideradas por José da Silva Martha, viajou para São Paulo, a fim de pedir ao então governador do Estado, Cardoso de Melo Neto, que a bitola larga da Cia Paulista de estradas de Ferro Chegasse a Bauru o mais rápido possível. Dez anos depois o benefício aconteceu…

Vila Falcão, um dos mais populosos bairros bauruenses, no passado muito batalhou para que ali fosse instalada uma agência dos Correios e, graças ao antigo morador Duarte da Silva, que cedeu gratuitamente, por alguns anos, um prédio de sua propriedade, na av. Alfredo Maia, a fim de que ali funcionasse a agência; no dia 18 de maio de 1937 o desejado melhoramento foi inaugurado com festas.
A ligação por ferrovia – Bauru – Piratininga – chegou a ser um sonho dos bauruenses e esse melhoramento, finalmente, veio a acontecer no dia 23 de junho de 1937, após muita luta e vários pedidos feitos às autoridades estaduais. Quanto ao lazer, no dia 26 de março de 1938 Bauru ganhou uma importante casa de espetáculos cinematográficos, ou seja, o Cine Bauru, na época um dos maiores e mais modernos do Interior, que funcionava na quadra 7 da rua 1º de Agosto, ao lado do local onde hoje se localiza o Banco do Brasil. Na inauguração foi apresentado o filme “As Três Pequenas do Barulho”, com Deanna Durbin. Em 1939, o time de futebol do Ginásio Guedes de Azevedo, formado unicamente por alunos e professores, foi campeão invicto da cidade, no certame promovido pela Federação Bauruense de Futebol, quebrando, assim, a série de vitórias do Lusitana F.C. e do E.C.Noroeste, equipes que por muito tempo mantiveram a hegemonia desse esporte da cidade.

Dos mais festivos para Bauru foi o dia 20 de julho de 1938, quando a população recebia a histórica visita de Getúlio Vargas, bem como do interventor Adhemar de Barros. Getúlio e comitiva pernoitaram na Fazenda Val de Palmas e Bauru se engalanou toda para recepcionar os ilustres visitantes.
A vida social bauruense, no dia 8 de abril de 1939, viveu uma noite de gala face a inauguração do Automóvel Clube, em um acontecimento marcante para a então Capital da Terra Branca. Iniciado em 1937, dois anos depois, sob a presidência do médico Sylvio Miraglia, a cidade ganhava um majestoso Clube. Também naquele dia, precisamente às 14 h, importante reunião aconteceu nas instalações da Sudan, quando foi definida a fundação do Aero Clube, que teve como primeiro presidente o cel. Marinho Lutz, na época diretor da E.F.Noroeste do Brasil.

O mundo educacional bauruense, no dia 22 de julho de 1939, viveu momentos de intensa vibração, face a inauguração do edifício próprio do Ginásio do Estado(atualmente EEPSG Ernesto Monte), onde funciona até hoje e que na época tinha como diretor o professor Antônio Cristino Cabral. O acontecimento foi tão importante que contou com a presença do então interventor do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros.
Na agenda histórica da terra bauruense, a data de 1º de setembro de 1939 é das mais significativas, pois naquele dia aconteceu a inauguração da Estação da E.F.Noroeste do Brasil(Hoje RFFSA), que passou a servir também às ferrovias Sorocabana e Paulista(atualmente elas integram a FEPASA). As obras foram iniciadas em 1935, na gestão do engenheiro Alfredo de Castilho e concluídas na administração Marinho Lutz.

Primeiros Tempos da Nossa Bauru – III

Dando continuidade ao trabalho que vimos executando, no que tange à divulgação dos lances históricos da nossa Bauru, focalizamos neste terceiro folheto alguns fatos do passado da terra bauruense acontecidos durante a década dos quarenta. Nas duas primeiras edições, que circularam em outubro de 1993 e agosto de 1994, informamos sobre os velhos tempos, desde meados do século XIX até fins dos anos trinta. Agora, nesta terceira publicação, os nossos leitores irão conhecer mais uma importante fase vivida pela nossa cidade.
Em 16 de julho de 1940, a pacata Bauru foi sacudida com a inauguração de um empreendimento que até nos dias de hoje seria dos mais sofisticados , ou seja, a Exposição-Feira(foto) que instalou-se nos Altos da Cidade, na área hoje ocupada pela Prefeitura Municipal, indo até à frente do estádio do Bauru A.C., na qual dói erguida uma verdadeira cidade de madeira. Além dos estandes montados por empresas bauruenses e de outras localidades, o povo tinha à sua disposição um cassino onde se jogava à vontade(roleta,baracat etc). shows artísticos a cargo dos maiores nomes do rádio brasileiro da época e ainda um restaurante de categoria internacional ,que atendia a todos. Não podemos nos esquecer também do parque de diversões, um dos mais modernos para aqueles tempos. Assim, durante noventa dias, essa atração movimentou a gente bauruense.

Paralelamente aos diversos eventos esportivos que aconteciam entre os clubes e as disputas contra outras localidades, lembramos de uma promoção que por vários anos foi bastante prestigiada pelos bauruenses. Trata-se da Corrida da fogueira, organizada pelo Correio da Noroeste, do jornalista José Fernandes e o esportista Nelson Miranda. No dia 11 de julho de 1941, aconteceu essa competição, pela primeira vez, a qual foi vencida pelo atleta Jefferson Teles Alves.

Foi no dia 13 de janeiro de 1942 que faleceu Domiciano Silva, uma das mais expressivas figuras do passado bauruense, o qual exerceu, nos primórdios da vida municipal, intensa atividade pois, além de prefeito, foi fundador de um dos primeiros jornais bauruenses: O Bauru. Antes de chegar a Bauru, em 1896, igualmente desenvolveu as suas atividades profissionais no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Minas Gerais e Espírito Santo de Fortaleza.

No dia 9 de março de 1942, todos os bauruenses brevetados em nosso Aero Clube Foram a São Paulo e lá, no Campo de Marte, receberam o certificado de reserva aérea. Entre eles um destaque para: Mário Trabalhi, Silvio Franciscato, Nacib Salmen, Gilberto Leite Ribeiro, Luiz Gonzaga Bevilacqua, Luiz Ramos Castro, Jorge Pieroni, José Gonçalves de Oliveira, Luiz Zuiani, Geraldo Bacelar, Antônio Simonetti, Siqueirinha, Paulo Gama, Wolney Carranca, Paulo Cruz Romão, Arnaldo(Dongue) Vissoto, Jaime Ramaciotti e Hilário Pereira Guedes.

Em 15 de abril de 1942, foi registrado, pela imprensa nacional, um feito realmente extraordinário na época, com a chegada do primeiro avião de pequeno porte à cidade de Corumbá-MS, pilotado pelo bauruense Nacib Salmen, em uma autêntica façanha aérea para aquele tempo. A viagem, do Rio de Janeiro a Corumbá, uma verdadeira aventura, percorreu 1.600 quilômetros. Na lendária cidade corumbaense, muitas festas registraram o importante acontecimento.

Grandes festas marcaram a inauguração do novo serviço de água de Bauru, no dia 19 de abril de 1942, em cujo local, posteriormente, por algum tempo funcionou o Museu Morgado de Matheus, na avenida comendador José da Silva Martha. Naquela data, dentro das comemorações do aniversário de Getúlio Vargas, Bauru recebeu a visita do então interventor do Estado de São Paulo, dr. Fernando Costa, que veio prestigiar a influente solenidade. Na época, Ernesto Monte era prefeito de Bauru.

Dentro aninda das comemorações em torno da data natalícia de Getúlio Vargas, outro acontecimento foi festejado, no dia 19 de abril de 1942, pelo nosso povo, ou seja, a inauguração da primeira sede da 6ª Circunscrição do Serviço Militar, na avenida Rodrigues Alves, esquina com a rua Antônio Alves. Para comandar a importante unidade militar, foi designado o coronel Cyro Vidal, o qual assumiu o cargo no dia 10 de abril de 1942.

Nomeado para dirigir os destinos da comarca de Bauru, em 1942 aqui chegou o dr. Ulysses Dória, íntegro juiz ainda jovem, com excelente bagagem jurídica e que tina muito apreço à literatura. Assim, com o apoio de elementos da nossa sociedade fundou, em 15 de maio de 1942, o Centro Cultural de Bauru, ao lado de Ernesto Monte, João Maringonio, João Batista Ramos, Antônio Cristino Cabral, João Silveira e Mário Cintra.

Nos apontamentos históricos sobre a vida religiosa de Bauru, vamos encontrar muitas informações a respeito da antiga capela de Nossa Senhora Aparecida, inaugurada em 1898 e edificada, naquela oportunidade, em terreno de propriedade de José Lopes de Souza, paroquiano da frequesia de Bauru, o qual fez a doação de uma área de terra para a construção do templo, no início da rua Araújo Leite. A capela permaneceu naquele local durante quarenta e quatro anos, até a sua demolição, que aconteceu em 18 de maio de 1942.

Ainda traumatizado com a acachapante derrota sofrida em Taubaté, por sete gols a zero, quando deixou de ser campeão do Interior, título esse depois alcançado em 1946, no dia 22 de novembro de 1942 convidou o então Lusitana F.C. (hoje BAC) a seleção de Mato Grosso para um jogo em Bauru. Foi uma goleada histórica para o onze bauruense – 10 a 1 – que esteve assim formado: Zinho, Oswaldinho e Gino Bacci. Telemaco, Pedrinho e Batata. Luizinho (Toledo), Ditinho, Alceste, Albérico e Nico. O árbitro foi José Custódio Corrêa.
Representantes dos mais diversos setores de Bauru compareceram ao aeroporto, em 11 de dezembro de 1942, para uma recepção ao professor Mello de Moraes, na época secretário da Agricultura, que veio presidir a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da I Exposição Pecuária e da Estação Zootécnica de Bauru. O ilustre visitante e comitiva foram hóspedes do saudoso pecuarista Plínio Ferraz.

Uma das maiores conquistas do E.C.Noroeste, no futebol, aconteceu em 1943, mais precisamente no dia 10 de novembro daquele ano, quando foi o grande campeão do Interior. Por duas vezes enfrentou o Guarani de Campinas, no Pacaembu, vencendo o primeiro jogo por 1 a zero(gol de Fontes) e empatando o segundo, sem abertura de contagem. Os heróis noroestinos, naquela jornada, foram os seguintes: Amélio, Xandu e Irineu. Chocolate, Sérgio e Balbino. Lamônica, Crisanto, Adolfrises, Cirilo e Fontes.

O serviço Centralizado de Interior, da Secretaria da Fazenda, depois Delegacia Regional Tributária, que hoje funciona em prédio próprio, na Vila Quaggio, ao lado do forum, foi instalado em Bauru no dia 18 de janeiro de 1945, funcionando primeiramente na confluência da lº de Agosto com Antônio Alves. Posteriormente, transferiu-se para o Edifício Sampieri, depois na Fundação Educacional, e , antes da sede atual, desenvolveu suas atividades no Edifício Paulistana(rua Batista de Carvalho).

Em 9 de junho de 1945, Bauru viveu momentos de intensa vibração com a visita do então ministro da Aeronáutica – Salgado Filho – visto a inauguração da nova sede do Aero Clube, suas oficinas mecânicas, prolongamento da pista e demais instalações, colocando-o, naquela oportunidade, como um dos mais modernos do Interior. Assim, a cidade, desde as primeiras horas da manhã, apresentava-se com um aspecto festivo, pois, além das solenidades que iriam acontecer, imponente recepção foi preparada para o titular do Ministério da Aeronáutica.

Primeiramente sob a denominação de 7º Grupo Escolar, foi criada por decreto assinado em 10 de julho de 1945 e instalada no dia 17 do mesmo mês, a atual EEPG Mercedes Paz Bueno, que começou a funcionar com quatro classes em prédio cedido, em Vila Cardia. Posteriormente, passou a atuar na Escola Paroquial Santa Maria, anexa à Igreja de São Sebastião, também em Vila Cardia. Finalmente, transferiu-se para as atuais instalações. Seu primeiro corpo docente foi o seguinte: Aracy Santinho Barbieri, Dalila Baptistela Rocha, Deborah de Pádua Melo Neves, Haidée de Souza Oriene Graziani, Sebastiana Rodrigues e a servente Genebra Paschoal.

Dentro das comemorações de mais um aniversário de Bauru, aconteceu em evento esportivo de larga repercussão, pois no dia 5 de agosto de 1945 foi formada uma seleção entre os jogadores do Noroeste e do então Lusitana F.C.(hoje BAC) para enfrentar o poderoso São Paulo F.C. O escrete bauruense jogou assim: Amélio, Borracha, e Irineu. Chocolate, Pedrinho e Godê. Ferreirinha, Crisanto(Clóvis), Adolfrises, Vicente e Nico. O São Paulo com King, Renga e Castanheira. Armando, Zarzur e Jacob. Ministro, Luizinho, André, Américo e Pardal. A vitória foi do time paulistano por 2 a 1.

Na década de quarenta, Bauru também vivia em função das iniciativas particulares quanto a um maior incentivo ao esporte amador nas diferentes modalidades. Em 12 de agosto de 1945, por exemplo, a cidade passou por momentos festivos, visto a inauguração, nas instalações da Piscina Recreio, da família Arenas, de uma moderna quadra para a prática do basquete, iniciativa essa que veio dar um maior impulso a esse esporte em nossa cidade.

No dia 7 de setembro de 1945, as comemorações que aconteceram em Bauru foram bem diferentes das anteriores, pois parte delas foi totalmente dedicada aos pracinhas bauruenses que lutaram nos campos de batalha da Itália, por ocasião da II Grande Guerra (39/45). Às 17 horas, teve início o gigantesco desfile, quando os sinos de todas as Igrejas foram acionados, inclusive as sirenes e apitos das nossas indústrias. No período noturno, houve uma marcha luminosa na Rodrigues Alves, culminando com um belíssimo espetáculo pirotécnico. Foi a homenagem de toda Bauru aos jovens que participaram da guerra.
Se hoje temos o Centro do Professorado Paulista, com uma regional em Bauru, e tantas outras associações que reúnem os professores das mais diferentes categorias, lembramos que na década de quarenta, mais precisamente no dia 26 de maio de 1946, houve importante reunião no então Grupo Escolar Rodrigues de Abreu, quando foi fundada a Associação Bauruense dos Professores, entidade que congregava os metres dos diversos setores de ensino. A comissão que estudou a constituição do então nóvel órgão estava assim formada: Elias D’Anunzziatta, Clemente II Pinho, Carlos Correia Vianna, José Ranieri e Germano Barreto Melchert.

Em 1946, por ocasião do cinquentenário de Bauru, nasce a idéia, no campo artístico, para a formação de orfeão que iria se apresentar na semana da cidade. De imediato surgiu a indicação da professora Terezinha Bortone Correia e foi então iniciado um difícil trabalho, pois o espaço de tempo era curto. Assim despontou o Orfeão Guedes de Azevedo, cuja primeira apresentação aconteceu no dia 1º de agosto de 1946 e, a partir daquela data, sempre no dia 22 de novembro (dia de Santa Cecília, a padroeira da música), passou a se apresentar para o público inesquecíveis audições.

Correspondente ao campeonato interiorano de futebol de 1946, no dia 9 de fevereiro de 1947, jogando em Bauru, contra o Cruzeiro da cidade do mesmo nome(Vale do Paraíba), o ex-Lusitana conquistou o tão almejado título de campeão do Interior, derrotando o seu adversário por 4 a 1. O onze baqueano, naquela memorável partida, foi o seguinte: Zinho, Borracha e Gino Bacci.Biguá, Pedrinho e Dinho. Ditinho, Serrano, Dondinho, Vicente e Demais. Posteriormente, o BAC derrotou e empatou com o SAMS(2 a zero e 2 a 2), alcançando o título de campeão amador (semi-profissionalismo) do Estado.

Quando, em 1947, a diretoria do Automóvel Clube preparava uma série de solenidades para inaugurar festivamente as várias reformas que haviam sido introduzidas no Palácio Encantado, o artista Antônio Ponce Paz teve a idéia de criar uma entidade que congregasse todos os artistas plásticos da cidade. Levando avante a iniciativa, já no dia seguinte, 13 de maio de 1947, era fundada a União Bauruense de Artes Plásticas. Face a atuação da entidade, em 24 de agosto de 1948, o prefeito Octávio Pinheiro Brisolla, instituiu o Salão Oficial de Belas Artes que, anualmente, deveria acontecer a partir de 1º de agosto de cada ano.

Foi exatamente no dia 15 de junho de 1947 que a nossa cidade recebeu, com alegria e destas, a primeira composição da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, já trafegando pela bitola larga. Muitas comemorações aconteceram, inclusive banquetes e outras solenidades registraram o evento, dez anos depois de uma viagem histórica(1937), quando uma comitiva de bauruenses e pessoas da região foram a São Paulo solicitar para que o importante melhoramento chegasse a Bauru o mais rápido possível, na ligação entre Bauru São Paulo por ferrovia.

Uma data histórica para Bauru é aquela referente ao dia 9 de novembro de 1947, quando foram realizadas as primeiras eleições municipais após a queda de Getúlio Vargas e do seu Estado Novo implantado em 1937. Bauru, naquela época, chegou a ser notícia nacional, isto porque sete candidatos pleiteavam o cargo de Prefeito. Exatamente 10.643 eleitores compareceram às urnas, com uma abstenção de 25%. Terminada a apuração, pela vontade do povo, o saudoso advogado Octávio Pinheiro Brisolla, que já havia sido o prefeito, de 1918 a 1921, venceu as eleições com um total de 2.261 votos. Pela ordem vieram a seguir: João Simonetti(2.068 votos), José Rodrigues Gonçalves(1.750 votos), Breno Ribas(1.718), Darcy César Improta(1.403), José Lemos de Almeida(677) e Jurandir Bueno(321 votos).

Dia 21 de Abril de 1949 foi dos mais festivos para a cidade esportiva, isto porque o E.C.Noroeste, com muito sacrifício, inaugurava a iluminação do seu estádio. Para comemorar, o alvirrubro enfrentou o Sport Club Corinthians Paulista que venceu o time bauruense por 4 a 2. Esse importante melhoramento, na época, demonstrou a força de Bauru, pois poucas eram as agremiações no Interior que possuiam os seus campos de futebol iluminados.

Primeiros Tempos da Nossa Bauru – IV

Prosseguindo na divulgação dos acontecimentos do passado que serviram para transformar Bauru na vibrante cidade que hoje é, estamos divulgando o quarto folheto(década dos 50) da série os Primeiros Tempos da Nossa Bauru, no qual destacamos fatos que em épocas mais antigas foram notícias e que nos dias de hoje surgem como sendo verdadeiros capítulos da história bauruense.

O setor industrial bauruense viveu momentos de grandes emoções no dia 26 de janeiro de 1950, quando da inauguração das instalações, em Bauru, da Cia. Antár-ctica Paulista. Inesquecíveis eventos artísticos e culturais foram apresentados naquela oportunidade, a exemplo das orquestras de Sylvio Mazzucca, George Henri, bem como o baile no Automóvel Clube animado por Walter Guilherme e seus músicos.
No setor da comunicação o governo autoriza, no dia 27 de maio de 1950, o funcionamento, junto à Bauru Rádio Clube, de uma estação de radiofusão em onda tropical. Assim, a nossa cidade passaria a ser ouvida em várias partes do mundo.

No panorama artístico local, Miguel Ruiz e sua orquestra faziam a sua primeira apresentação ao público bauruense no dia 22 de junho de 1950, isto no auditório da Bauru Rádio Clube. O novel conjunto musical, dirigido pelo consagrado maestro, por meio de um concurso ganhou a denominação de Marajoara.
Face à atuação marcante da União Bauruense de Belas Artes, que nasceu em 1947, a Câmara Municipal, considerando o desenvolvimento em torno da arte plástica na cidade, pela Lei nº 162 criou o Salão Oficial de Belas Artes como parte integrante dos festejos do dia da cidade, Lei essa assinada pelo então presidente do Legislativo, dr. Victor Curvello Jr., no dia 16 de julho de 1950.

Em junho de 1950, no Restaurante Esso, que era de propriedade do saudoso empresário Fioravante Tadesco, nasceu a ideia da formação de uma clube com um número fixo de associados, o qual teria várias finalidades. Coincidindo que eram 29 os presentes( a reunião era em homenagem a Paulo Morato de Carvalho) a nova entidade recebeu o nome de clube dos 29. Assim, no dia 29 de julho de 1950, a idéia ganhou corpo com a fundação do clube, cujo primeiro presidente foi Paulo Morato de Carvalho e, vice, Luiz Mortari.
Ernesto Monte é um ligado à história de Bauru, pois, além de ativa participação na vida empresarial da Sem Limites, foi também prefeito da terra bauruense e deputado estadual, com larga e excelente folha de serviços prestados à comunidade. Infelizmente, quando tinha muito a oferecer à cidade e ao nosso povo, veio a falecer no dia 4 de novembro de 1950.

Existiu em Bauru uma orquestra sinfônica fundada em 1931 pelo maestro Guilherme Barberi, conjunto musical esse que recebeu a denominação de Sociedade de Concertos Sinfônicos de Bauru. Em 1943, face à mudança de Barberi para São Paulo, a orquestra foi extinta. Em 1950, a convite do gen. Lima Figueiredo o conceituado maestro esteve em Bauru para tratar da formação da banda dos ferroviários da E.F. Noroeste do Brasil, porém veio a falecer no dia 19 de dezembro de 1950.

Em 2 de janeiro de 1951, o campo da saúde da nossa Bauru viveu momentos de ampla repercussão, visto a inauguração do Hospital Regional (hoje Hospital de Base), que também teve a denominação de Hospital Fernando Costa, em uma homenagem ao ex-interventor do Estado de São Paulo, o qual sucedeu a Adhemar de Barros.

Em 23 de janeiro de 1951, foi fundada em nossa cidade a Federação das Ligas Católicas, que teve a participação do padre Pedro Dingenouts como diretor e, na presidência, figurava o bauruense Clemente Moreira Calazans.

A vida artística bauruense, no dia 14 de abril de 1951, ganhava um grande impulso com a entrega à cidade do majestoso auditório da Bauru Rádio Clube, mais uma realização pioneira de João Simonetti, o qual havia adquirido o prédio do Teatro São Paulo. A partir dessa iniciativa, grandes nomes do rádio brasileiro aqui se apresentaram, a exemplo de Emilinha Borba, Doris Monteiro, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Marlene e outros.

Nosso Tiro de Guerra – nº 221 – que esteve ameaçado de ser fechado nos anos 50, no dia 20 de abril de 1951 abria inscrições aos jovens bauruenses em idade para prestar o serviço militar. Essa cor-poração anteriormente funcionou sob o número 82.

Na Câmara Municipal de Bauru, no dia 30 de abril de 1951, na época funcionando sob a presidência de Victor Curvello Júnior, aconteceu uma sessão solene para a entronização da imagem de Cristo em suas dependências, realização essa de ampla repercussão no campo religioso da então Capital da Terra Branca.
Em 29 de janeiro de 1951, era inaugurado em nossa cidade, o Sanatório Noroeste, com 300 leitos, casa hospitalar essa construída pela Cia . Nacional de Combate à Tuberculose. Esse estabelecimento de saúde hoje é o Hospital Manoel de Abreu.

Em 11 de junho de 1951, no setor esportivo, a nossa cidade voltou a ser notícia nacional, visto a iniciativa considerada na época muito arriscada quanto ao reflexo em termos de retorno financeiro, com a contratação do consagrado Domingos da Guia como técnico do time do Bauru A.C. Foi ele, quando esteve na ativa, o maior zagueiro central de todos os tempos do futebol brasileiro.

Bauru, conforme publicação no Diário Oficial de 15 de junho de 1951, dava mais um passo para ter a sua Faculdade de Odontologia (criada que foi pela Lei nº 161/48) ao doar para o Governo do Estado o terreno onde seria construída a importante escola de ensino superior.

Tendo em vista o mau tempo, um avião de grande porte saiu da rota aterrissou em nosso aeroporto no dia 5 de julho de 1951. A Imprensa bauruense compareceu em peso para entrevistar o famoso pianista Arthur Rubistein , um dos passageiros, o qual permaneceu em Bauru algumas horas.

No dia 25 de agosto de 1951, grandes festas registraram a coroação de Celeste Spindola como a Miss Bauru daquele ano. Em 15 de agosto do mesmo ano, a nossa cidade passava novamente a sediar o vice consulado da Itália, cujo cargo era ocupado pelo dr. Tolentino Miraglia. No dia 24 de setembro de 1951, a cidade se movimentava, no campo educacional, com a visita dos universitários de Coimbra, – (Portugal) os quais foram condignamente recepciona-dos pela população e autoridades.

Na história da vida esportiva bauruense, existe um acontecimento que emocionou todo o público da cidade e fez com que o nome de Bauru fosse citado com destaque no noticiário do futebol internacional, visto à esmagadora vitória que o Bauru A.C. (ex-Lusitana F.C.) alcançou contra o Atlanta de Buenos Aires(esse time argentino durante a semana havia vencido o S. Paulo F.C., no Pacaembu, por 1 a zero) por 8 gols a 2. Esse extraordinário triunfo do BAC, em 23 de dezembro de 1951, alcançou repercussão em todo o mundo.

A vida artística bauruense, no dia 29 de junho de 1952, viveu momentos de intensa vibração com a primeira apresentação do Clube Juvenil, uma iniciativa de Horácio Cunha pela Bauru Rádio Clube. Em 12 de julho de 1952, era autorizado o funcionamento da Faculdade de Direito, frente a qual se destacou o educador Antônio Eufrásio de Toledo, que iniciou o seu trabalho em Bauru por meio da Escola Técnica com os cursos de pontes, Estradas e Química Industrial(em 1951).
Em 11 de maio de 1953, dirigentes do Automóvel Clube se reuniram para a criação do Departamento de Hipismo, iniciativa das mais vitoriosas e que contou com a participação de grande número de jovens da época. Face o êxito dessa realização, nascia no dia 30 de novembro de 1953 a Sociedade Hípica de Bauru (seis meses depois da criação do departamento de hipismo do AC), cujo primeiro presidente foi o pecuarista Plínio Ferraz que fez a doação inicial de uma área de terra de 205×205 m ´´ para que a novel entidade social-esportiva e recreativa construísse a sua sede.

Em 1953, pelo decreto 34-291, o então Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus recebeu autorização para o funcionamento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus, cujos cursos iniciais foram os seguintes: Geografia, História, Letras e Pedagogia.

A primeira apresentação de Pelé, ao público paulistano, aconteceu no dia 21 de março de 1954, quando, jogando pelo juvenil do BAC, na rua Javari, na preliminar da partida entre o América de Rio Preto e Associação Desportiva de Araraquara, contribuiu e muito em prol da vitória baqueana contra o juvenil Flamengo, por 10 a 1. Nesse triunfo, Edson Arantes do Nascimento marcou quatro gols e fez com que o público presente vibrasse em torno da sua atuação.

Uma das maiores emoções vividas pela torcida bauruense, mais precisamente pelo E.C. Noroeste, aconteceu no dia 23 de maio de 1954, quando o Noroeste chegou ao título máximo e pela primeira vez ingressou no futebol maior de São Paulo.

Nesse dia, derrotou em Bauru o time de Marília A.C. por dois a zero, gols de Zeola e por antecipação chegou ao título de campeão.

O professor José Ranieri, quando substituiu o prefeito Nuno de Assis na chefia do Executivo bauruense, face a uma viagem do titular aos Estados Unidos, em apenas cinco dias construiu e inaugurou a rodovia ligando Bauru a Piratininga. Assim, com a colaboração também do prefeito da vizinha cidade – Antônio Ferreira do Espírito Santo – no dia 2 de junho de 1954 ambas cidades ganhavam o influente benefício.

Depois que ingressou no futebol maior de São Paulo, outra difícil tarefa coube ao E.C.Noroeste, mais precisamente à sua diretoria, ou seja, construir um estádio para 20.000 pessoas em apenas quinze dias. A luta foi iniciada e, graças a colaboração do Gen. Marinho Lutz, então diretor da NOB, as exigências da FPF não foram atendidas somente quanto aos 20.000 lugares, mas para 20.405. Era a vistoria da FPF aconteceu no dia 8 de junho de 1954.

O mundo católico bauruense, que viveu momentos de muita emoção quando da demolição da Capela do Espírito Santo, em 1913, para a edificação de outro templo religioso, no dia 2 de maio de 1955 iniciou a derrubada deste, a fim de que num novo fosse construído. Aos poucos, no mesmo local foi surgindo a atual igreja que passou a ser a Catedral, visto a criação do bispado de Bauru.

Com o transcorrer dos anos, bauruenses considerados pioneiros nos mais diversos setores de atividade humana faleceram, para tristeza não apenas de seus familiares como dos amigos que com eles tiveram a oportunidade conviver. Foi no dia 8 de agosto de 1955 que morreu em Bauru o sr. Armando Azevedo, durante muitos anos o titular do 2º Cartório de Notas e Registros. Em suas atividades fora do cartório, foi presidente do Rotary Clube e do Bauru Tênis Clube. No campo da saúde, destacamos a figura do médico Odilon Pinto do Amaral que faleceu no dia 4 de dezembro de 1955. Foi diretor clínico da Santa Casa e depois médico da Beneficência Portuguesa.

No dia 1º de janeiro de 1956, após uma difícil batalha eleitoral, Nicola Avallone Júnior, que venceu a Octávio Pinheiro Brisolla na luta pela chefia do Executivo Bauruense (a diferença foi apenas 67 votos), tomou posse do importante cargo, cuja transmissão foi feita pelo vice prefeito José Ranieri, nas dependências da Prefeitura que na época funcionava na rua 1º de Agosto, edifício Concórdia.

A partir de 1956, Bauru passou a contar com mais um clube de Serviço – o Lions Clube Centro – Bauru – fundado no dia 29 de abril daquele ano, depois de uma histórica reunião que aconteceu no Automóvel Clube, cujo padrinho foi o sr. Elias Salim Haddad (primeiro presidente). Recentemente, em bonita festa realizada no Bauru Tênis Clube, sob a presidência do médico Edmundo Oberg, o tradicional clube festejou os seus quarenta anos de existência.

Muitos bauruenses não sabem, mas a nossa cidade já teve o seu Jóquei Clube, o qual funcionou com muita animação e vultosas apostas no tempo em que esteve em ação. Foi inaugurado no dia 24 de junho de 1954, próximo ao Country Clube, mas infelizmente teve pouco tempo de vida. A construção esteve sob a responsabilidade de Antônio Bortone, na gestão de Nuno de Assis como prefeito.

Nos anos cinquenta, grande trabalho foi desenvolvido pela prefeitura, em torno da construção de parques infantis e um deles mereceu a aprovação dos bauruenses, ou seja, o Recanto Infantil Joaquim Madureira inaugurado no Parque Vista Alegre, no dia 1º de agosto de 1956, em uma tocante homenagem ao pioneiro que teve o seu nome perpetuado nessa realização edu-cacional.

Em uma de suas edições de 1957, o tradicional semanário católico de Bauru, A Fé, que tinha como diretor Gilberto Borro, trazia em sua primeira e última páginas uma triste notícia, ou seja, o falecimento prematuro do padre Plínio Pereira Negrão, aos 37 anos de idade. O desenlace aconteceu no dia 14 de fevereiro de 1957 e foi ele o primeiro padre bauruense.
O E.C.Noroeste, que tanto luta pela sua sobrevivência, entre as autênticas tragédias que sofreu ao longo de sua história, em 23 de novembro de 1958 viveu um drama doloroso, ou seja, o incêndio que destruiu parcialmente as instalações do seu antigo estádio nos Altos da Cidade. Foi em um jogo contra o S. Paulo F.C., pelo campeonato, que as labaredas destruíram parte das gerais do campo de madeira, para tristeza de todo o público esportivo bauruense, principalmente da torcida noroestina.

Em 1959, de 11 a 12 de julho, aconteceu em Bauru um inesquecível encontro religioso, quando da III Concentração Católica Círculo Estrela da Manhã, com a participação dos descendentes nipônicos. Esse movimento foi organizado pelo padre Pedro Paulo Koop e contou com o prestígio de D. Henrique Golland Trindade, na época arcebispo Metropolitano de Botucatu, e teve a participação de 1.800 nisseis.

O Sindicato dos Motoristas de Bauru inaugurou, no dia 25 de julho de 1959, a sua sede própria à rua Saint Martin, defronte às instalações do SENAI. Na época, era presidente da entidade o sr. Eugênio Borro, lendária figura da classe dos motoristas. Em 7 de agosto de 1959, foi realizado em Bauru um concurso de vitrinas que contou com a participação das mais importantes empresas que tinham as suas representações na Batista de Carvalho e outras ruas. Após o julgamento, a firma vencedora foi a Capristor, seguida da Regional Clipper e, em terceiro lugar, a Casa Lusitana. A vencedora ganhou CR$ 3.000,00.

A Associação Comercial de Bauru, marcou para o dia 13 de agosto de 1959 uma importante reunião quando os dirigentes e sócios da entidade iriam discutir a respeito da criação, em Bauru, do Serviço de Proteção ao Crédito. No dia 8 do mesmo mês e ano, Walter Mortari alcançava o primeiro lugar no 4º Salão de Belas Artes, entre os 10 melhores trabalhos selecionados, exposição essa realizada no edifício Telli, à praça Ruy Barbosa.
No dia 18 de agosto de 1959, a firma José Salmen & Filhos, uma das mais tradicionais em nossa cidade até quando esteve em atividades, ao comemorar os seus 40 anos, promoveu um jantar festivo no BTC, quando reuniu o corpo de funcionários e autoridades para lembrar o evento. Foi, realmente, uma das festas mais emocionantes que já aconteceram em Bauru.

I Jogos Universitários Bauruenses, promovidos pela A.A.Acadêmia 9 de Julho, C.A. Véritas e o C.A. Eufrásio de Toledo, tiveram a sua abertura no dia 29 de agosto de 1959, com o desfile que aconteceu no Ginásio de Esportes da Noroeste e a coroação da rainha dos Jogos foi no Automóvel Clube.
No dia 6 de outubro de 1959, a imprensa publicava o resultado de uma das eleições mais disputadas em toda a história de Bauru, cujo resultado final foi o seguinte: Ireneu Bastos, 8.744 votos; Octávio Pinheiro Brisolla, 7.269, Antônio Bortone, 6.959, e Benedito Moreira Pinto, 3.870. Para vice prefeito: Alpheu Sampaio, 14.695; José Ranieri, 5.394 e Maurício Leite de Toledo, 3.806.

Um coquetel oferecido pela TV Bauru e a Rebratel comemorou no dia 20 de outubro de 1959 a chegada de moderníssimos aparelhos que vieram oferecer à televisão de Bauru(a primeira do interior da América do Sul) maiores recursos para satisfação do povo da cidade e da região.

A vida artística local comemorou ruidosamente, no dia 5 de novembro de 1959, a chegada a Bauru de Elvio Gobbi que venceu o concurso A Voz de Ouro do Brasil, que teve a participação de representantes de 19 Estados, Elvio ganhou uma viagem aos Estados Unidos e contratos no rádio e televisão de São Paulo.
No dia 15 de novembro de 1959, foi iniciada em nossa cidade a I Feira do Livro do Interior, que teve como local a firma José Salmen & Filhos. Vieram a Bauru, na ocasião, os renomados escritores Tito Batini, Hernani Donato, Antônio D´Elia e Silva Ramos. Foi uma promoção da Câmara Brasileira do Livro e da União Brasileira dos Escritores.
O Jardim Estoril, bairro dos mais sofisticados de Bauru, começou a nascer no dia 25 de novembro de 1959, quando o Banco Hopotecário Lar Brasileiro lançou à venda as casas residenciais construídas pela firma Martha & Pinho, lideradas por José da Silva Martha Filho e Fernando Pinho.

Em 6 de dezembro de 1959, o governador Carvalho Pinto assegurava para Bauru o empréstimo de 38 milhões de cruzeiros para a continuação da avenida Marginal (hoje Nações Unidas) e mais 18 milhões para o prosseguimento das obras do Paço Municipal(praça das Cerejeiras).

Ainda na vida artística de Bauru, no dia 9 de dezembro de 1959, a jovem, Ilza Araújo Antunes conquistava outra vitória para cidades, ao alcançar o primeiro prêmio no concurso de piano instituído pela Rádio Gazeta, em São Paulo. Executou ela o concerto de Liszt. O prêmio foi de 30 mil cruzeiros e mais um contrato de seis meses para se apresentar nas audições de gala daquela emissora.

No setor literário da então Capital da Terra Branca, através de um concurso nacional, promovido pela revista O Cruzeiro, os universitários bauruenses Irahi Batista Abreu e Francisco A. Penhabel forma os vencedores daquela competição cultural, cujo juri esteve assim formado: Paschoal Carlos Magno, Dinah Silveira de Queiroz e Rachel de Queiroz. O resultado final foi divulgado no dia 24 de dezembro de 1950.

A influência das ferrovias no início de Bauru

A história recente da cidade não pode deixar de ser vinculada à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Mas Bauru já existia antes da passagem dos trilhos por aqui.

Origens

No século XIX, a expressão “sertão bruto” era usada com referência à região que a cidade ocupa hoje. A conquista do Oeste do país tem histórias parecidas. Bauru foi mais um lugar onde desbravadores brancos “os bandeirantes” lutavam com índios pela posse do território. A terra era ocupada pelos indígenas Kaiagang, que emprestaram um vocábulo de sua língua para dar nome à cidade. Na língua deles, Bauru quer dizer “cesto de frutas”.

Os primeiros desbravadores que vieram para a região foram Felicíssimo Antonio Pereira e Antonio Teixeira do Espírito Santo. No documento de legalização das terras de Felicíssimo, o nome de Bauru apareceu, oficialmente, pela primeira vez. Em 1884, quase trinta anos após sua chegada, Antonio Teixeira do Espírito Santo decidiu doar uma parte das terras de sua Fazenda das Flores para a formação do patrimônio de Sâo Sebastião do Bauru. No dia 1º de agosto de 1896, Bauru foi elevada à condição de vila.

A chegada da Ferrovia

Quase dez anos depois, em 1905, a cidade recebeu sua primeira ferrovia: a Estrada de Ferro Sorocabana, que ligava Bauru a São Paulo. Foi o início do crescimento populacional na região. Além da chegada dos operários, que trabalharam na construção das linhas, o comércio local teve ganhos e houve incentivo à migração.

Em 1906, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) inaugurou o seu primeiro trecho em Bauru (Bauru/ Avaí), no prolongamento da Sorocabana.

O traçado inicial da NOB ia até Cuiabá, no Mato Grosso. Em 1908, o destino da linha foi alterado para Corumbá, no Mato Grosso do Sul, rumo às fronteiras boliviana e paraguaia. O novo caminho é herança das bandeiras que rumavam para o Oeste, com a intenção de conquistar territórios desconhecidos.

A inauguração da estação final em Corumbá aconteceu 15 de dezembro de 1952. Sua extensão é de 1600Km e interliga-se com todos os sistemas ferroviários de norte a sul do país.

Em 1910, com a chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Bauru passou a abrigar um dos maiores entroncamentos ferroviários do interior do continente. Já em 1939, com a conclusão da nova e enorme estação da Noroeste, que englobava também os escritórios da empresa, todos os embarques e desembarques das três ferrovias foram centralizados nessa estação.

Em 1957, a NOB foi incorporada à Rede Ferroviária S.A. Em 1961, todas as ferrovias paulistas, caso da Companhia Paulista e Sorocabana, foram encampadas pelo governo paulista, dando origem às Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa).

Os trens de passageiros da Noroeste foram extintos em 1995. Em 1998, toda a malha da Fepasa foi concedida à iniciativa privada. Os trens de passageiros para Bauru, na antiga linha da Companhia Paulista, chegaram à estação pela última vez em 15 de março de 2001.

Os fatos provocaram o redimensionamento da malha ferroviária, que foi reduzida de 23 mil quilômetros em 1996 para 19 mil em 2002, de acordo com dados do Sindicato dos Ferroviários.

Fonte: Os Frutos da Terra Bauru 1896-1988


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