Explosão da Avenida Nações Unidas

Foi em 13 de agosto de 1.976 que ocorreu a explosão na Avenida Nações Unidas de Bauru. O presidente Ernesto Geisel visitava Bauru e na saída acabara de passar pelo cruzamento com a avenida Rodrigues Alves.

A visita de Geisel ficou marcada por aquela explosão na Avenida Nações Unidas que até hoje muitos atribuem a um atentado, quando então a perícia concluiu por um derramamento de gasolina em um duto que leva água pluvial até a avenida Nuno de Assis e passa pela famosa avenida.

Muitos acreditam na possibilidade de atentado, quando a verdadeira causa teria ocorrido por um caminhão-tanque que, acidentando-se na alameda Octávio Pinheiro Brisolla, derramou combustível que chegou até a Avenida Nações Unidas através das redes coletoras. Um cigarro aceso teria sido a causa em cadeia. O ex-presidente acabara de passar pela Avenida Rodrigues Alves, cruzando a avenida Nações Unidas, indo rumo à vizinha cidade de Jaú, para participar de uma homenagem a ele prestada pelo então prefeito Valdemar Bauab.

O general Geisel, era aí o terceiro mandatário máximo da Nação a visitar Bauru. Affonso Pena foi o primeiro, em 1908, quando veio inaugurar mais um trecho da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, e depois Getúlio Vargas, em 1938, quando ficou hospedado na fazenda de propriedade de Marinho Lutz.

A caminhada do então presidente se deu pela Rua Batista de Carvalho, tendo na companhia o então governador do Estado, Paulo Egydio Martins, o prefeito Luiz Edmundo Coube e os deputados Alcides Franciscato (federal), Abrahim Dabus (estadual) além de grande comitiva.
Pela foto a seguir temos as autoridades locais com o visitante, caminhando por uma rua comercial da cidade.

geiselfranciscatoeedmundoembauruO presidente Ernesto Geisel chegou a Bauru naquele dia e foi ao centro da cidade e do quarteirão quatro da Rua Batista de Carvalho seguiu a pé até a Praça Ruy Barbosa (foto acima).
Mais uma foto subtraída da internet, vendo-se o presidente, o governador, prefeito e deputados e demais autoridades. Aqui acenando para a grande multidão.

Na Praça Ruy Barbosa descerrou uma placa em sua homenagem e à importante visita (foto abaixo).
O ex-presidente Geisel quando descerrava uma placa em sua homenagem (foto abaixo).geiseldescerraplacaembauruA multidão acenava ao presidente a partir da calçada da Rua Batista de Carvalho (foto abaixo).
publicoaplaudegeiselO então prefeito Luiz Edmundo Coube falou em nome das autoridades e da população, em forma de saudação, tendo ao lado Céclio Gonçalves, Hely Felipe, o vice-prefeito Jurandyr Bueno Filho, Alcides Franciscato, o presidente Geisel, o governador Paulo Egydio Martins, um general da comitiva e o juiz de direito Bilton Silveira (foto abaixo).
O prefeito de Bauru, Luiz Edmundo Coube quando discursava saudando o visitante ilustre (abaixo).edmundosaudageiselA seguir o presidente Geisel foi até o Automóvel Clube, onde concedeu audiência a prefeitos da região. Depois reuniu-se com os membros do diretório local da Arena (havia dois partidos na época – Arena e MDB). Terminado o encontro com os prefeitos de cidades vizinhas, políticos bauruenses e sindicalistas de classe, iniciou viagem até Jaú, cuja partida, em automóveis, aconteceu exatamente às 11:49 horas.

A comitiva seguiu pela Avenida Rodrigues Alves, passando pelo cruzamento com a Avenida Nações Unidas onde, após um pequeno tempo houve a explosão. O detalhe de seguir pela Rodrigues Alves é determinante para descartar a possibilidade de atentado, pois se planejado, o aspecto teria sido levado em conta. Até aqui as informações davam conta de que Geisel teria passado pela nossa mais bela avenida, a Nações Unidas.

Veja vídeo da visita do então presidente Ernesto Geisel a Bauru, com momentos da recepção e passagem pela Avenida Rodrigues Alves, por cima da Avenida Nações Unidas.

A passagem por sobre a Avenida Nações Unidas e a explosão

Após o encontro no Automóvel Clube, o presidente Ernesto Geisel seguiu rumo a Jaú, passando então pela importante avenida, quando, após sua passagem, um caminhão tanque, carregado de gasolina azul, perdeu os freios e desceu pela Alameda Pinheiro Brisolla. Tal veículo em alta velocidade, entrou na quadra 2 e desgovernado acabou tombando.

Poderia ser considerado apenas como um acidente comum, não fosse o vazamento da carga (gasolina), num total de 20 mil litros, que começaram a cair na boca-de-lobo ali existente, acabando por alcançar a tubulação da Avenida Nações Unidas e escorrer por toda a extensão da mesma. Foto abaixo do caminhão que transportava o combustível.

explosaonacoes2Gases foram formados e daí provocando uma série de explosões, isso às 12:50 horas. Os violentos estouros puderam ser ouvidos em pontos dos mais distantes, e à medida em que os mesmos iam acontecendo, os canteiros centrais, sob os quais corre o Ribeirão das Flores, ficaram destruídos em razão da explosão.

explosaonacoes-1 (1) O então prefeito Luiz Edmundo Coube, ao ser informado, foi até o local conferir todo estrago e mandou uma comitiva até Jaú para levar ao conhecimento do general presidente Ernesto Geisel e do governador Paulo Egydio Martins as informações sobre as proporções da tragédia. Recebeu dos mesmos promessas de um substancial auxílio para a recuperação total da Nações Unidas, o que efetivamente ocorreu.

Não houve vítimas fatais apesar de no momento das explosões muitas pessoas estarem circulando por toda a extensão da influente artéria, principalmente crianças.
Durante alguns dias as ligações de água e de esgoto apresentaram avarias; linhas elétricas e telefônicas em vários pontos ao longo da avenida também mostraram defeito e o trânsito chegou a sofrer interrupções em diferentes trechos. As explosões destruíram parcialmente a Avenida Nações Unidas até a altura da antiga Antártica.

O acidente ocorreu numa sexta-feira 13, provocando comentários negativos por parte de supersticiosos.
A explosão causou pânico nos moradores das imediações, com vidraças de janelas trincadas e ou quebradas; veículos estacionados parcialmente destruídos, com peças dos mesmos sendo atiradas sobre os telhados de algumas residências.

A visita presidencial a Bauru acabou ficando em segundo plano, tendo a destruição parcial da avenida Nações Unidas ganho mais notoriedade, principalmente pelo fato da comitiva ter passado pelo cruzamento com a Rodrigues Alves pouco tempo antes.

Os bauruenses chegaram a acreditar que seria um tremor de terra, terremoto, enquanto alguns chegaram a pensar em atentado contra a vida do presidente da República.

O acidente com o caminhão

Em pouco tempo a perícia concluiu que um acidente ocorrido na quadra 2 da alameda Octávio Pinheiro Brisolla, por volta das 11 horas, por um veículo dirigido por Aidanor Turini, residente na Rua Saint Martin, 34-39, pertencente à frota transportadora de combustível da empresa de Abílio Kawaguti (chapa nº 05-0166), descia, quando perdeu os freios.

Consta que o veículo, ao entrar na quadra 2 da alameda, de forma desgovernada, derrubou um poste de iluminação, levando de roldão o carro Maverick de placa DB 9657, de propriedade do bacharel Manoel da Silva, que se encontrava estacionado defronte à sua residência.

Decorrentemente do acidente, a gasolina escorreu pelos canos subterrâneos e passou pela Avenida Nações Unidas, onde, em razão da emanação de gases, provocou, por volta das 12h50, violentíssimas explosões que terminaram por destruir e afundar completamente todo o canteiro central da avenida, sob o qual corre o Ribeirão das Flores.

A ajuda financeira

O então prefeito Edmundo Coube pleiteou recursos financeiros junto ao presidente Geisel e ao governador Paulo Egydio Martins e a eles foram entregues fotos e plantas dos locais afetados, com a informação de que a Prefeitura não dispunha de meios para reparar o sinistro e o tempo calculado para a recuperação do trecho afetado seria de quatro meses O montante de recursos para a recuperação chegou a 16 milhões de cruzeiros – conforme informou o arquiteto Jurandyr Bueno Filho – autor do projeto e então vice-prefeito.

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