Faculdade de Medicina de Bauru: a um passo de se tornar realidade

A boa notícia do domingo é de que USP se empenha para criar uma faculdade de medicina em seu câmpus de Bauru, servindo-se do prédio que está pronto e acabado, que a princípio seria destinado ao Centrinho (foto abaixo). Seria mais um hospital fechado, onde alunos praticam a medicina em complemento às aulas teóricas.

Foto de Wilson Alcaras para o https://www.panoramio.comComo é hábito na política, imagina-se que a notícia está sendo reservada para o final do ano, tendo em vista a próxima eleição a ocorrer em 2.018 e o partido do governador precisando “mostrar serviço” ao eleitorado local com a suposta conquista.

Essa definição vai de encontro a um sonho antigo dos bauruenses e, se vingar, irá solucionar o megaproblema em que se transformou o chamado prédio do Centrinho, pronto há anos, porém sem acabamento, sem equipamentos e, principalmente, sem finalidade.

Há tempos o governador Geraldo Alckmin e o deputado estadual Pedro Tobias vêm falando na realização e as conversações persistem, porém com gargalos a serem superados.

A discussão sobre um antigo sonho da cidade avança e envolve a Fundação USP e não a FAMESP, que tem elo ao Hospital Estadual, Hospital de Base e Maternidade Santa Isabel. A proposta é de termos um hospital “fechado”, isto é, voltado para a prática da medicina pelos alunos, que se somariam aos da FAMESP, no atendimento em nossos hospitais.

O Ministério da Educação havia confirmado, em setembro de 2.016, a Universidade Nove de Julho (Uninove) como mantenedora da faculdade privada de medicina que seria instalada em Bauru, mas o assunto ficou apenas no anúncio.

O assunto envolve o sério problema que persiste na área da saúde no município, resultado de anos com desmandos, conforme é do conhecimento de todos.

Chegou-se a cogitar, para ter equipe da área atuando em nossos hospitais, a possibilidade de Bauru acolher os alunos da faculdade de medicina da Universidade de Marília (Unimar), para cumprir o papel, o que suscitou receio entre a classe médica da cidade, com alegação de que a medida apenas poderia amenizar a crise da Saúde pública local.

A sugestão partiu tendo em vista Marília não ter volume de pacientes, porque a Faculdade de Medicina de Marília (Famema), que é pública, absorve grande parte do atendimento. No caso de Bauru é o inverso e nossos hospitais ainda deixam a desejar por falta de profissionais em atendimento, mesmo os que cursam a faculdade, dando atendimento em apoio aos médicos e enfermeiros com formação.

O prédio do Centrinho

Pelo menos assim é conhecido na cidade esta bela construção, concebida com princípios arquitetônicos elogiáveis e tido como uma das maravilhas da cidade. O prédio foi doado pela Universidade de São Paulo (USP) ao governo do Estado em 2.014.

O imóvel, de 11 pavimentos, também conhecido como ‘predião’, tem mais de 22 mil metros quadrados de área construída, situado ao lado do Parque Vitória Régia, podendo ser o sétimo hospital público de Bauru e base da nossa tão sonhada faculdade de medicina.

O deputado Pedro Tobias (PSDB) há tempos discute com a USP e o governo o uso daquele hospital. A destinação (tipo de uso) da unidade, contudo, ainda não foi definida pelo órgão.

Esperar pra ver!

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

Mais pelo Vivendo Bauru.