Educação

Bauru é referência em educação

O número de estudantes universitários em Bauru aumentou 19% nos últimos anos. Os dados estão em levantamento pois a comunidade local questiona os números do último Censo, que não contemplou os aproximadamente 30 mil universitários que residem em “repúblicas” ou apartamentos alugados.

Os últimos dados são de  2004, quando a quantidade de universitários matriculados saltou de 15.471 para 18.958. A ampliação do número de instituições de ensino e, conseqüentemente, de vagas oferecidas contribuiu diretamente para esse aumento. De lá para cá esse número vem crescendo na razão direta de novos cursos abertos pelas instituições locais.

Atualmente Bauru conta com oito centros universitários instalados: Universidade do Sagrado Coração (USC),  Instituto de Ensino Superior de Bauru (IESB), ITE, Universidade Paulista (Unip), Faculdades Fênix, Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o levantamento do Data-ITE, a maior parte dos universitários matriculados nas instituições bauruenses encontra-se nos cursos de humanas.

A participação aparentemente tímida de exatas no universo total de cursos oferecidos na cidade não se reflete na prática. Isso porque foi a que apresentou o maior crescimento entre as três áreas de conhecimento entre 1998 e 2004: 55,9%, seguido de 22,5% registrado em biomédicas e 11,1% em humanas.

Como pólo educacional universitário, Bauru não atende somente aos estudantes egressos das redes pública e particular de ensino médio locais, mas também alunos vindos de outras cidades da região e do Estado.

Com baixo custo de vida, ampla infra-estrutura e baixos índices de violência se comparado a outras cidades paulistas de igual porte, Bauru se mostra atrativa a quem deseja ensino superior de qualidade. Pesa também o fato do município abrigar seis cursos com nota A no último Provão realizado pelo Ministério da Educação.

Outros fatores preponderantes incluem os projetos de extensão à comunidade: as pesquisas desenvolvidas nas universidades locais e a possibilidade de dar continuidade aos estudos por meio de cursos de pós-graduação.

“Até a década de 60, éramos uma Bauru ferroviária. Hoje, a função da cidade é universitária”, avalia o historiador João Francisco Tidei de Lima, coordenador do Centro de Memória Regional da Unesp/Rede Ferroviária Federal S. A.

Esse ambiente, na opinião de Irineu Azevedo Bastos, consultor financeiro-administrativo da Câmara Municipal de Bauru e pesquisador da história local, é salutar. “O ingresso maciço de gente de fora enriquece demais a cidade”, afirma.

A palavra “enriquecimento” pode ser compreendida de várias formas: movimentação da economia local: troca de experiências, desenvolvimentos de pesquisas sobre a municipalidade e formação e aperfeiçoamento de mão-de-obra. É, por essa última razão, que a quantidade de cursos de graduação e pós-graduação e o número de alunos matriculados contam na pesquisa das 100 Melhores Cidades para Trabalhar, elaborada pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) da Fundação Getulio Vargas por iniciativa da revista Você S.A. Nela, Bauru ocupa a 45.ª colocação, à frente de 11 capitais estaduais.

Bauru conta com Secretaria Municipal de Educação, a Diretoria Regional de Ensino e a rede de escolas particulares.

A Secretaria Municipal de Educação de Bauru coordena uma rede que abrange escolas de Ensino Infantil e Fundamental, cinco entidades educacionais conveniadas (como a Apae, por exemplo) e 74 classes de educação de jovens e adultos. As escolas contam com o Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), além da Divisão de Ensino Especial, que dá suporte aos alunos portadores de necessidades especiais. A Delegacia de Ensino (DE) da região de Bauru atende a quinze municípios e 90 unidades escolares que englobam os níveis Fundamental e Médio, nos ensinos regular e supletivo. A DE também trabalha com a Educação Indígena na cidade de Avaí.

O Programa Escola da Família (PEF) acontece na região desde agosto de 2003, abrindo as portas de 78 escolas públicas estaduais nos finais de semana. “O objetivo do Programa é desenvolver em toda a comunidade, além dos alunos, o sentimento de “pertencimento” ao prédio da escola. Assim, o PEF disponibiliza atividades, através de projetos culturais, esportivos e voltados para a qualificação do trabalho, como a padaria artesanal, por exemplo, para atender a todos, ultrapassando o saber sistematizado, comenta a Supervisora do Programa, Gina Sanchez.

Além de escolas públicas, a cidade é servida por escolas particulares e outras voltadas ao ensino profissionalizante, com destaque para o Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, que é gratuito. As escolas técnicas têm, em grande parte, cursos voltados para o mercado de Bauru e região. O SENAI da cidade tem reconhecimento nacional, pela qualidade do trabalho desenvolvido no setor profissionalizante.

A cidade abriga duas universidades estaduais (USP e UNESP) e seis instituições de ensino superior particulares: Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Paulista (Unip), Instituição Toledo de Ensino (ITE), Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Instituto de Ensino Superior de Bauru (IESB-PREVE) e Faculdades Fênix.

Uma unidade da FAPESP está instalada em Bauru e já mostrando seus positivos efeitos.

Os estudantes universitários movimentam a economia de Bauru, especialmente no setor imobiliário, já que a maioria deles vem de outras cidades. A Universidade de São Paulo (USP), com a Faculdade de Odontologia e Faculdade de Fonoaudiologia, tem destaque mundial, tanto pela qualidade de seu ensino e também por causa do trabalho desenvolvido no atendimento a pacientes em processo de reabilitação de lesões lábio-palatais no hospital Centrinho.

Estudantes fazem a Bauru Universitária

Thatiza Curuci para o Jornal da Cidade

Eles têm uma maneira de se divertir, de se comunicar, de interagir com o ambiente onde moram, enfim, um jeito próprio de viver. Criam um “mundo” com a cara deles e transformam Bauru em sua casa. Os universitários têm sua maneira de fazer cultura com as festas em repúblicas, bandas universitárias e saraus. Têm seu jeito próprio de morar: as repúblicas e pensionatos. Longe de casa, dividem experiências com os amigos e fazem deles sua família. E os colegas que têm família na cidade acabam, também, vivendo essa realidade.

Onde vivem, o que fazem, o que gostam, o que pensam? A reportagem conversou com eles e “viveu”, novamente, como um universitário para descobrir.

Quando saem do aconchego da casa dos pais, sentem-se “perdidos” em uma cidade desconhecida. Ávidos por aprender coisas novas e se adaptar, fazem de tudo para se sentir em casa. “A gente vem com a cara e a coragem. No meu caso, por exemplo, não conhecia ninguém e não tenho nenhum parente na cidade”, conta Jorge Luiz Barbosa Maciel Júnior. Ele se formou em química recentemente e agora faz mestrado na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Assim como a maioria dos estudantes, Jorge escolheu morar perto da universidade por vários motivos. “Não precisava gastar dinheiro com transporte, ficava mais próximo dos amigos e se fosse necessário, conseguia chegar na universidade em poucos minutos”, conta.

O mesmo acontece nas outras universidades públicas e particulares de Bauru. Pensionatos e repúblicas ficam próximas do local de estudo e reúnem a maioria dos estudantes. E é por lá que eles organizam as festas, baladinhas e eventos culturais. É nas repúblicas e apartamentos que eles se reúnem para fazer trabalhos, para estudar e namorar.

Ao contrário do aconchego que encontram em suas casas, a rua e todo ambiente público é encarado como algo estranho para eles. Geralmente, andam em grupos e só conhecem seu bairro e a universidade.

Mas durante o curso, aos poucos, vão se familiarizando com a cidade e se adaptando a ela. Alguns até se atrevem a deixar a criatividade exposta nas ruas. As “marcas” dos universitários ficam espalhadas pela cidade, como uma maneira de se identificar com o “estranho mundo novo”. Em um ou outro muro, eles fazem grafitagem, colam figuras ou pintam com cores vibrantes.

É o caso do muro na quadra 20 da rua aviador Gomes Ribeiro. Universitários junto com moradores da periferia fizeram a grafitagem no local.

“Nosso trabalho é sem fins lucrativos, só para mostrar a cultura. O legal é que o único país onde a grafitagem é permitida é o Brasil “, afirma um dos fundadores da Sociedade Quebra-Cabeça (SQC), Rafael Francischini.

Outro grupo de estudantes gosta de fazer colagens em escadarias – a que fica em frente ao Parque Vitória Régia é a preferida deles – , muros e viadutos da cidade.

Ainda na avenida Nações Unidas, quem é que nunca viu a pedra gigante que fica próxima ao viaduto da avenida Duque de Caxias? A pedra transformou-se em uma joaninha amarela com bolinhas pretas por iniciativa de estudantes. Dentro da universidade, eles pintam paredes, bancos e salas de aula com desenhos que definem seus comportamentos e suas tribos.

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