Onze pendências graves que um prefeito de coragem tem que enfrentar em Bauru

O tempo passa, mudam-se os prefeitos, vereadores, deputados e não os senadores, mas Bauru continua a mesma.
Uma cidade tipicamente do interior, com sinais evidentes de que há mandatários, coronéis, privilegiados sob todos os pontos de vista.

Se um prefeito com aquilo roxo resolver as dez pendências, passará para a história como aquele que de fato revolucionou a cidade, a mesma de mais de 70 anos, com o mesmo perfil sócio econômico e com o mesmo estilo de governo.

São coisas muito simples, mas de tão simples, não são alteradas e por uma única razão: falta de coragem e anuência de quem poderia assinar junto à mutação que, no caso, são os vereadores, que fazem de conta que cumprem mandatos e ocupam seus tempos mais para cuidar de amenidades do que dos temas que de fato merecem atenção especial.

Mas vamos lá:

1- Saúde
Há quanto tempo a saúde pública em Bauru é um caos. Estão lembrados da Santa Casa de Misericórdia? Pois é, o que temos hoje é diferente daqueles tempos que chegaram a vias de fato, com médicos e outros profissionais reagindo contrários à administração central, que atuava em conformidade com a associação que tem unidades em todo o País e é centenária no mister de bem atender os que mais precisam?
O que vemos hoje é um atendimento dividido por privilegiados que podem pagar planos de saúde e os que dependem dos serviços públicos e esses, coitados, quanta fila, quanto tempo de espera, quantas mortes, quanto esperam por conta da “central de vagas” e quanto dependem da boa vontade dos profissionais da área.
Pergunta-se: o que temos hoje é melhor ou pior de 20, 30 anos atrás? A resposta é um sinalizador de que estou no caminho certo, apontando para as pendências sérias de nossa cidade;

2- Educação
Bauru tem um orçamento destinado à educação municipal na ordem de 180 milhões por ano e atende pouco mais de 15 mil crianças nas fases de cuidados e ensino a que são obrigados por lei nossas autoridades da área. Uma média muito menor que a média nacional e o aspecto merece estudo por parte dos vereadores, pois jamais essa conta foi feita e a população aceita a condição por falta de conhecimento, falta de informação que deveria ser gerada pelos edis e contas prestadas pelo prefeito. Caso tenhamos uma explicação clara sobre o assunto e levada a explicação aos quatro cantos da cidade, fazendo entender os que dependem de nossas creches e escolas, aí estará o prefeito e vereadores cumprindo com seu papel de destaque entre todos que passaram pelo mando da cidade nos últimos 70 anos.

3- Mobilidade urbana
Um caos e chegamos ao ponto de termos três empresas, que até os índios do Amazonas, não plugados nos canais de informação do mundo, têm conhecimento, sabem que se tratam de uma só e com uma caixa preta lacrada com todo rigor para que planilhas de custos e renda não sejam levadas à população, apenas para que sejam cobrados o que acham melhor e que mais enchem os bolsos dos ou do único proprietário. Alguém se habilita a enfrentar? Que tal prefeito e vereadores?

4- IPTU progressivo
Na verdade quando se fala em IPTU progressivo, o que se pretende é acabar com imóveis abandonados e alocados em todos os cantos da cidade, com especial destaque ao “Altos da Cidade” e bairros próximos, que foram diminuindo de valor na medida em que novos empreendimentos (fechados – condomínios) foram lançados. Uma coisa lembra a outra e falar de IPTU progressivo é chamar a sociedade para discutir se Bauru comporta mais bairros e mais construções, talvez sendo o caso de ocupar os que estão vazios e a mercê de marginais que os ocupam para os fins que bem sabem quais são. Além do IPTU progressivo, tem o direito do município de desapropriar imóveis abandonados há anos e sabe-se que é o que mais temos na cidade. Mas está aí mais um desafio para quem tem coragem para enfrentar os reais problemas, pois na outra ponta estão os poderosos, todos eles (que são poucos), donos de todos que estão aí, fazendo com que a cidade seja uma igual às fantasmas, muitas levadas ao cinema em forma de ficção (mas aqui é real);

5- Buraco na Rua Antonio Alves
Merece maiores comentários aquela cratera lá exposta há quase trinta anos, por uma iniciativa fracassada de alguns empresários da cidade (bem sei quem são), levando Henry Macksoud a encabeçar a ideia e fazer de um prédio histórico (Colégio Guedes de Azevedo), aquilo que agora temos, não só pondo em risco a vizinhança e quem por lá transita, como “enfeiando” a cidade e dedicando o espaço para uma serventia muito mais útil à população? Quem se habilita? Vamos nessa, vereadores?

6- Estação ferroviária
Já avançamos bem, mas muito há que ser feito, mas não está em tempo de darmos ocupação devida ao espaço, podendo até trazer a iniciativa privada a investir no local em troca de renda em sua exploração? Não estaria faltando, para tanto, apenas criatividade? Um museu, um mercado municipal, centro de eventos, museus e muito mais podem ser instalados lá e espaço tem para o que quiserem.

7- Imóveis públicos
Muitos estão sendo administrados por iniciativa privada e ou associações), mas indaga-se: tais imóveis não eram para estar à disposição da população? Temos um Recinto Mello de Moraes que pouco é usado e com espaço e estrutura para abrigar eventos e mais eventos e espaço, estrutura para isso temos lá. Poucos sabem que há no recinto uma instalação, construída para o fim específico de sediar leilões, mas com pouco investimento podemos ter o “Tattersal” com múltiplo uso, sendo muito apropriado para apresentações artísticas. Vereadores não conhecem o local e nem de longe imaginam que podemos ter um espaço muito mais apropriado a apresentações artísticas, até mesmo que o Teatro Municipal. Que tal disponibilizar a grande área para caminhadas durante a semana, de forma monitorada e retornando ao local a sede da secretaria municipal de agricultura? Não tem tudo a ver? Aí sim poderemos pensar em locais para feiras de produtos diversos, conforme propostas dos interessados indo de acordo com o interesse da população.

8- Cerrado da zona leste da cidade
Temos uma riqueza em termos de fauna e mesmo flora, onde há inúmeros invasores e muitos se apresentando como proprietários das áreas, após derrubada da mata nativa mais rica do município. São milhares de hectares que vão da divisa com Pederneiras até margens da Marechal Rondon, passando pelo Hospital da Unimed e chegando a empresas mais próximas da rodovia. Não seria o caso de uma blitz no local, visando recuperar o que é do município, punir os invasores e termos de volta o mato que tanto precisamos para nosso melhor viver?

9- Horto florestal
Poucos sabem que os hortos florestais foram instalados para o fim de plantio de eucaliptos para que deles fossem feitos os dormentes de nossas estradas de ferro. Em Bauru temos um horto florestal que é uma riqueza, que bem poderia servir para a prática de esporte e ou lazer das famílias da cidade. Seria um dos mais valiosos para o fim, de todos que temos.

10- Aeroclube de Bauru
Aqui um caso a parte, pois já não se vê planadores voando em nossos céus e o local, hoje, é ocupado por empresários que pouco pagam para abrigar suas aeronaves e usar a pista para decolagens e pousos. Evento “Arraiá Aéreo”, realizado recentemente, prova que bauruenses têm elo com a aviação, porém nos moldes do que foi mostrado e não apenas contemplando aviões subindo e descendo sem que saibamos de quem são, de onde chegam e para onde vão. Que tal um Museu do Planador, já que Bauru é pioneira nesse tipo de aviação, tendo os antigos planadores encostados que bem poderiam ser atração turística da cidade, ocupando apenas um dos hangares? Sabiam que o município tem no aeroporto central mais funcionários do que a estação rodoviária? Você tem visto o estado de nosso local de embarque e desembarque de ônibus. Pois é, só mesmo vendo para avaliar o quanto precisa ser feito em nossa cidade. Quanto trabalho tem nosso prefeito que se diz pronto para enfrentar os nossos reais problemas. Acima, apenas alguns deles.

12- Retomar o Recinto Mello de Moraes

Claro que mantendo o calendário alusivo ao agronegócio e dando pleno apoio, mas mantendo o espaço aberto ao público o ano inteiro, aproveitando da estrutura para que lá sejam montados bares, pizzarias e restaurantes, com um parque de diversão permanente e atrações do campo, tipo passeios de pôneis.
Devolver o espaço à secretaria da Agricultura que faria a gestão do local e escanrando o espaço, incluindo o belo campo de futebol par a prática do esporte com monitor full time.

Local para caminhadas e prática de esporte, começando por lá a implantação de equipamentos institucionais visando aumentar Bauru rumo a Piratininga, que é o único lado para onde a cidade pode crescer. Manter é claro a “Fazendinha” e tendo o espaço nobre par um restaurante mais refinado e uma pizzaria é tudo de melhor que se pode imaginar ao local, que só precisa de ótima iluminação.

Devolver a administração do local à secretaria da Agricultura com pleno suporte das demais pastas.

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista e publicitário.

Mais pelo Vivendo Bauru.