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PIB de Bauru num crescendo
Os dados são de 2.010 e servem para um referência de como está o dinamismo de Bauru de uns anos para cá.
Tudo tem caído bem e se acomodando e até o PIB, que ficou estagnado por anos, cresceu e trouxe em 2.010, algo em torno R$ 2,65 bi à cidade.
Dados do IBGE mostram aumento de 63,8%, em 5 anos, na circulação de dinheiro; mas desigualdade continua, conforme escreveu Júlio Penariol para o Jornal Bom Dia.
Escreveu mais para o Bom Dia Bauru:
De acordo com dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira (14), o PIB (Produto Interno Bruto) de Bauru cresceu nada menos que 63,8% em um espaço de cinco anos – entre 2005 e 2009. Com isso, mais pessoas estão utilizando táxi. “Tem até gente de favela pegando táxi agora”, confirma o taxista Júlio César Pedro, 40 anos, no ramo há 12 em um ponto no centro da cidade.
Difícil entender essa relação? O BOM DIA explica: o PIB representa a soma (em valores monetários) dos bens e serviços produzidos numa determinada região durante um período. É um indicador utilizado para mensurar a atividade econômica da cidade, do estado ou do país.
Dizer que o PIB bauruense cresceu significa, em termos práticos, que mais dinheiro está circulando na cidade – fruto, é claro, da abertura de novas empresas e da geração de postos de trabalho. Assim, com mais grana no bolso, as pessoas compram mais e adquirem serviços que antes não tinham o hábito – como usar o táxi do meu xará Júlio.
“Os setores da construção civil e serviços têm dado a dinâmica de geração de riqueza na cidade. Isso melhora o emprego e a condição de vida das pessoas”, explica o economista Reinaldo Cafeo. No período referido, Bauru passou de um PIB de R$ 4,14 bilhões para R$ 6,79 bilhões.
Como explicou o economista, o setor de serviços (que engloba comércio, alimentação, transporte, armazenagem, telemarketing, imobiliária, finanças, saúde e educação, entre outros) é o maior responsável por esse montante, com R$ 4,82 bilhões (ou aproximadamente 71%). Em seguida vem indústria, com
R$ 1,20 bilhão, graças principalmente à construção civil.
“Somente em 2008 e 2009, ocorreu um crescimento nominal do PIB de Bauru de 13,5% com crescimento real, ou seja, descontada a inflação de 7%. É um excelente desempenho, à medida que houve queda do PIB em nível nacional”, diz Cafeo.
Em alta
O comércio é um dos setores mais satisfeitos com a fase da economia local. Segundo dados do IBGE, também divulgados ontem, o PIB per capita de 2009 em Bauru ficou em R$ 18.906,42 – média mensal de R$ 1.575,53. O valor ficou acima da média nacional, que é de R$ 16.917,66.
E grande parte desse dinheiro dos bauruenses é gasto em lojas como a Jô Calçados, do gerente Maciel Honorato. Ele conta que, entre 2005 e 2009, as vendas subiram em torno de 10% ao ano. “Com base na região, já que temos lojas em outras cidades, percebi que nossas vendas aumentaram. Isso é sinal de mais dinheiro circulando aqui.”
O gerente da loja Tanger, Sávio Gomes, também fala em crescimento da empresa no período e aponta a diversidade do comércio local como fundamental para os bons números. “Bauru não depende de apenas um setor, então, fica mais difícil uma crise financeira fazer estragos na economia da cidade.”
Mais dinheiro, mais vendas, crescimento da economia, e, é claro, mais empregos. Os dois gerentes garantem que o número de vagas de trabalho criadas entre 2005 e 2009 foi bastante positivo.
Agudos, Lençóis e Iacanga também se destacam
Se o PIB per capita de Bauru foi de R$ 18.906,42 em 2009, em outras cidades da região, bem menores em número de habitantes, o valor foi muito maior. Impulsionadas pela presença de grandes indústrias e usinas de álcool e açúcar, Agudos registrou um PIB de R$ 20.824,16, Lençóis Paulista aparece com R$ 29.470,12 e Iacanga com um valor que é praticamente o dobro do bauruense – R$ 35.529,53. Essas cidades possuem setores que fabricam produtos de maior valor agregado e indústrias que geram muito dinheiro ao município em termos de impostos – isso se reflete na média geral do PIB de suas populações.
Interior aumenta sua participação no PIB estadual
O interior de São Paulo manteve a liderança na formação do PIB do estado. Segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados ontem, houve até uma pequena elevação na participação do Interior de 2008, quando representava 42,9% do PIB estadual para 43,4% em 2009. Em contrapartida, caiu a participação da Região Metropolitana.
A gerente de Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Sheila Zani, explicou nesta quarta-feira que várias cidades brasileiras que vivem de indústrias sentiram o peso da crise de 2009 – por isso a redução ou alta menor do PIB em locais como São Bernardo do Campo e Osasco.
“Em 2009, quem pensava em produzir para o mercado externo perdeu participação. Quem ganhou foram os municípios voltados para o mercado interno”, disse a gerente, por meio de sua assessoria de imprensa.
Os maiores avanços do PIB municipal em 2009 no estado foram verificados em cidades voltadas para o setor de serviços e em algumas produções agrícolas, em especial cana-de-açúcar e laranja.
Em 2009, ocorreu incremento no valor bruto da produção de cana-de-açúcar, em função, principalmente, da expansão da cultura e dos preços praticados no mercado.
As cidades que tiveram as maiores altas no ranking nacional foram Monções (da posição 4.502 para 1.818), Brejo Alegre (de 4.334 para 2.373) e Borá (de 5.037 para 3.679), graças à produção de açúcar e álcool.
PIB per capita 2009 (Bauru e região)
Piratininga: R$ 8.406,18
Avaí: R$ 8.996,33
Duartina: R$ 9.833,72
Jaú: R$ 12.990,59
Dois Córregos: R$ 13.977,13
Pederneiras: R$ 14.436,58
Arealva: R$ 16.267,94
Botucatu: R$ 17.776,32
Bauru: R$ 18.906,42
São Manuel: R$ 19.759,30
Agudos: R$ 20.824,16
Lençóis Paulista: R$ 29.470,12
Iacanga: R$ 35.529,53
Média nacional: R$ 16.917,66
Opinião
Maurício Godoi Lima, Coordenador do Laboratório de Finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração)
País precisa faturar mais
O PIB ainda é concentrado não somente em poucos municípios, mas em grande parte da região Sudeste. Isso é motivado pelo próprio processo histórico de industrialização, que permitiu a alguns municípios pertencentes a essas regiões possuírem maiores investimentos em qualificação da mão de obra, logística e infraestrutura básica para atender a demanda do restante do país e do mundo.
A crise mundial que vivemos hoje, iniciada em 2008, continuará afetando as principais economias. Conforme expectativa do FMI, iremos manter, em 2012, o processo de economia desacelerada, o que pode prejudicar o PIB das cidades.
A solução para a redução das desigualdades sociais e o baixo desempenho da economia brasileira seria a redução do chamado Custo Brasil, por meio do investimento em logística, educação, distribuição de energias e redução da carga tributária. Assim, os municípios contribuiriam com maior produtividade e, em consequência disso, o Brasil cresceria com taxas próximas às dos outros emergentes, como Rússia, Índia e México.
DESIGUALDADE
O índice Gini do PIB bauruense em 2009 é de 0,70. Este índice calcula a desigualdade da distribuição de renda e varia de 0 (completa igualdade de renda) e 1 (completa desigualdade). O número bauruense está abaixo da média nacional: 0,86. São Paulo é o segundo estado com mais desiguldade no país.















