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Casa da Eny

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Casa da Eny

O Vivendo Bauru faz uma releitura de tudo que foi escrito e dito sobre Eny e sua casa, tida como a mais famosa do bordel brasileiro, resultado de pesquisa e redação pelo responsável pelo site, publicitário e bacharel em direito, Renato Senis Cardoso.

Não tem o menor sentido falar de Bauru sem fazer menção à Casa da Eny, ou Dona Eny, escrita em livro assinado por Lucius de Melo, como a maior cafetina da história do Brasil.

No livro “Eny e o Grande Bordel Brasileiro”, o jornalista e escritor Lucius de Mello aborda com riqueza de detalhes a vida de Emy Cesarino (esse era seu nome verdadeiro), desde sua infância e juventude vividas em São Paulo até a vinda para Bauru, para se aventurar pela prostituição, quando as mais famosas casas do ramo se localizavam em área próxima ao centro da cidade, em rua denominada Costa Ribeiro e hoje com outro nome.

Lucius de Mello, pelo livro, permite tomar-se conhecimento de uma fase primeira daquela que aos poucos foi conquistando espaço no negócio, conforme ela definira, a partir de uma casa onde figurou apenas como uma dedicada prostituta e focada em fazer riqueza, para, ao final, partir para sua própria casa, que se tornou a mais famosa da história da prostituição no Brasil.

No “Eny e o Grande Bordel Brasileiro”, o autor conta que Eny Cezarino foi a dona de um dos mais famosos bordéis do país – a ‘Casa da Eny’, localizada no interior de São Paulo, na cidade de Bauru, por onde passaram celebridades, homens de negócios e políticos. Nesta biografia romanceada do jornalista Lucius de Mello, você passa a conhecer o cotidiano do bordel, os clientes famosos, suas meninas prediletas, os segredos de alcova e os favores políticos.

O que jamais comentou-se, foi a razão pela qual Emy Cesarino teria optado por Bauru para seu ingresso na prostituição. Foi ela apaixonada, quando jovem, por um italiano rico, de Bauru, de conhecida família… e sua decisão fora motivada pela paixão resultante de um romance vivido às escondidas, ainda na capital paulista, tendo em vista o mesmo senhor já ser casado e, à época, já ter uma prole de três filhos (depois a família aumentou).

Abrimos este espaço com proposta de edição compartilhada, para que tenhamos com riqueza de detalhes da história não só da Eny, sua casa e suas meninas, como e principalmente o que representou para Bauru e região em um período rico de nossa história.

Procuraremos salientar o aspecto turístico que a casa proporcionou, pois foi ela o mote para a realização de muitos eventos de cunhos político e empresarial, apenas pelo fato de ser possível uma “esticada” ao bordel, após os eventos programados para os fins devidos.

Foram muitas as pessoas e personalidades ilustres que frequentaram a Casa da Eny.  Sabe-se que um usineiro foi o que mais “investiu” na casa, tendo adquirido direito de exclusividade para ele e convidados, por muitas oportunidades.

Uma poderosa rede de televisão quase sempre optava por Bauru para as convenções de seus funcionários e seu diretor praticamente “fechava” a casa para os participantes dos eventos que praticamente decidiam o rumo da comunicação do Brasil. Era comum chegar-se à porta da casa e o guarda a postos informar: a casa esta reservada em caráter privado.

Dentre os filós, jovens bem apanhados da época, muitos foram os romances e alguns deles transformados em relação fora do prostíbulo e com direito a constituição de famílias.

A Casa da Eny era extensão do cassino de Bauru, situado na ala inferior do melhor clube da cidade. Os viciados em baralho terminavam suas noites no bordel,  após horas a fio nas mesas de jogo.

Os casais mais enamorados, envolvendo filós e mesmo os que chegaram a adquirir direitos exclusivos às mais tradicionais da casa, aí não mais exercendo a profissão em toda sua extensão e sim assumindo condição de administração do movimento da noite, estendiam seus programas à boate, situada no “zonão, local distante uns quatro quilômetros, onde se situava a segunda casa mais famosa de Bauru (Casa da Antonia), outra de destaque (Casa da Tony) e outras mais simples.

No local, onde por anos proximamente funcionou o Bauru Country Clube, havia uma boate onde a movimentação era idêntica à conferida no filme “Gabriela”, envolvendo coronéis e filós, músicos da noite e prostitutas, jovens e adultos e a boemia correndo solta.

Foram tempos dos sapatos preto e branco, ternos de linho branco bem cortados, chapéus e garotas enfeitadas para a combinação perfeita.


Difícil falar para os jovens de hoje sobre o prostíbulo e o que eram as casas de prostituição nos idos de 1.960, 70 e culminando com o ocaso na década de 1.980, quando a própria Eny pronunciara a frase que define tudo: “saio do ramo porque profissionais não podem perder para amadoras”. Referia-se ela a uma nova realidade, com a liberação dos motéis e jovens iniciando na prática do sexo de forma liberada, principalmente levando em conta ingressar Bauru, naquele momento, com o perfil de cidade universitária, tendo USP e depois UNESP a oferecer cursos e mais cursos a jovens de todo o País (de excelente qualidade), além de escolas particulares cumprindo com seu papel de qualidade no ensino, motivando a vinda de estudantes, que já nos idos de 1.990 somavam coisa de 15 mil deles, maioria residentes em repúblicas.

Uma coisa (Casa da Eny) contrapunha com outra relacionada à mudança de perfil da cidade como de universitários e seu arrojo com liberdade de comportamento.

Para mim, o fato mais marcante da história da Casa da Eny não fora contada por uma única vez e foi sim o mais relevante: quando da passagem do então presidente Ernesto Geisel por Bauru, em 1978. Numa tarde, a Avenida Nações Unidas (uma das principais da cidade) foi palco de um acontecimento inusitado.

Após o então presidente Ernesto Geisel, em visita a Bauru, passar pela referida avenida, logo após, cerca de uma hora depois, esta explodira, causando considerável destruição na cidade. Cogitou-se a possibilidade de atentado contra o presidente Geisel, hipótese descartada em seguida. A verdadeira causa foi um caminhão-tanque que, acidentando-se na Alameda Octávio Pinheiro Brisolla, derramou combustível que chegou até á Avenida Nações Unidas através das redes coletoras. Um cigarro aceso foi o causador da explosão.

O prefeito de então chegou ao desespero (Edmundo Coube) e a grande preocupação era com relação aos recursos que seriam necessários para sua reconstrução. Foi quando o então vice-prefeito, Arquiteto Jurandyr Bueno Filho tomou a decisão e comunicou-se com o assessor de comunicação do então presidente, tendo dele a resposta de que a verba já estava liberada e era necessário apenas a entrega de um requerimento formalizando o pedido e que o mesmo podia ser entregue ao chefe de gabinete da presidência, que ainda permanecia em Bauru.

Não foi difícil concluir que o chefe de gabinete da presidência daquela época estava alongado na Casa da Eny e no quarto com acompanhante protocolou o recebimento do pedido, que fora atendido na íntegra.

A casa da Eny, em sua fase segunda, situada próximo ao trevo que hoje leva seu nome e que aos poucos se torna zona nobre da cidade, pois se situa na zona sul e em local para onde se expande a classe A, foi sem dúvida a mais charmosa. Ou pelo menos sim, para os que ainda estão vivos e conheceram em detalhes o clima, o glamour, as cumplicidades, a conduta das “meninas”, a necessidade de faturar com os “Coronéis” e depois curtir a felicidade a bordo dos jovens de então, chamados no meio como “filós” e muitos detalhes só vistos em casas da natureza, relembrando o que muito bem escrevera Jorge Amado no livro Gabriela – Cravo e Canela.

Sabe-se que a produtividade em média de cada garota era de três ou quatro programas por noite,  e 40% da receita ficavam para a casa.

A casa era luxuosa, com uma ampla sala com tapetes persas espalhados estrategicamente e com móveis requintados, rigorosamente adquiridos por Dona Eny e por indicação do maior entendido no assunto, o empresário Paulo Medina,  que lhe dava assessoria.

Paulo Medina, querido na sociedade bauruense, não só dava assessoria quanto ao aspecto físico e de apresentação da famosa casa, como cuidava de promover “up grade” comportamental às jovens, maioria de origem simples e grande parte vinda do sul, mais precisamente dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Paulo era o que hoje se denomina “Personal Stylist”, das garotas.

A importância da Casa da Eny para Bauru não pode apenas ser defendida pelos aspectos citados e também apenas em razão dos frequentadores de então. Muito temos a dizer a respeito e o faremos aos poucos, fazendo deste espaço a largada para um tratado sobre o tema, levando em conta o comportamento dos jovens com sua evolução (ou involução),  na medida em que o sexo foi sendo liberado.

Há uma questão da mais alta relevância que vai na direção do que as “meninas da Eny” impactaram no comportamento de jovens das várias camadas sociais de Bauru e em especial as da classe A.

Em Bauru, três locais definiam bem os “points” de bauruenses e visitantes da região: a rua Primeiro de Agosto, que era frequentada pelas classes cde, a Rua Batista de Carvalho, a mais chique e por onde transitavam os sócios do BTC, tidos como da classe A e a Praça Ruy Barbosa, local onde os negros e pobres se encontravam.

E era pela rua Batista de Carvalho que as jovens passavam, após seus “banhos de loja” na então Capristor Modas” e provocando então, a atenção especial de todos.

Jovens da sociedade se reuniam numa badalada lanchonete denominada Lalay e de lá é que acompanhavam as movimentações das jovens da Casa da Eny e certamente com imensa indignação.

Dona Eny era uma mulher inteligente, focada no negócio, exploradora das meninas de quem exigia disciplina e produtividade, porém procurava compensar (talvez inconscientemente), em trabalhos sociais, ajudando e até mesmo criando diversas crianças, sendo muitas delas, nascidas de mães prostitutas que não se cuidaram para a prática do ato sexual.

Lembro-me muito bem do grande amor de Eny, o elegante Maurício (foto ilustrando), que viajava muito, pois representava uma indústria textil para todo o Estado e mesmo Paraná. Como amigo de Maurício e outros mais chegados à Dona Eny, e tendo tido a guarida de um rico viúvo árabe, o mais generoso, querido e atencioso para com todos da casa, sempre fui contemplado a frequentar a sala reservada para a “diretoria”.

Dona Eny tinha uma forma carinhosa de expressar seu carinho (era super autêntica e não fingia por nada). Ela se aproximava da pessoa por quem nutria carinho e colocava suas mãos de forma a formar um par no autêntico estilo dos elegantes da época, quando caminhando por espaços finos. Os assuntos rendiam por horas, mas seu “staf” cuidava de tudo e o relatório de final de noite contemplava toda a produção.

Jovens da época ficaram para a história como os mais importantes “filós”. Não menciono aqui em sinal de respeito, mas libero para que os mesmos postem comentários a este, e iremos por aí enriquecendo a narrativa do tema.

A Casa da Eny proporcionou anos de glória para a cidade e para figurões que vinham à cidade situada na região central do Estado de São Paulo apenas para viver o clima ao lado de lindas garotas, “contratadas” pela cafetina para promover “felicidade” aos frequentadores.

A casa funcionou como um dos maiores prostíbulos do Brasil e por um cenário hollywodiano recriado no município de Bauru.

Nos 15 mil metros quadrados transitaram celebridades, homens de negócios e principalmente políticos. Quarenta quartos, duas suítes, piscina, jardins, saunas, restaurante, bares, salões de festa e, claro, dezenas de deslumbrantes mulheres. Um detalhe marcou por anos a Casa da Eny: o restaurante onde se comia finos pratos e conduzidos ao fogão pelo mestre Paulo, conhecido como figura indispensável em qualquer narrativa a respeito.

Os garçons, em sua maioria eram “gays” assumidos e queridos por todos, tendo eles absoluto respaldo da dona da casa e das próprias meninas. Ai de quem insinuasse qualquer humilhação ou desfeita a esses. Cobrinha foi o mais famoso dentre eles.

Eny conviveu com poderosos e os mais necessitados, ficou rica proprietária de vinte e seis imóveis e morreu pobre numa cama de hospital. Nunca deixou de ajudar sua família, criou dezenas dos filhos das meninas de seu bordel, e doava regularmente, mesmo depois de perder seu patrimônio, comidas e brinquedos para os orfanatos do município de Bauru.

Morreu em 24 de agosto de 1987 aos 69 anos

NINGUÉM JOGA PEDRA NA (G)ENY
Dissertação de Lúcia Helena Ferraz Sant’Agostino, SP , em 1995

Emy Cesarino (ou Sarino, segundo outras fontes), filha dos imigrantes José Cesarino, italiano, e de Angelina Bassoti Cesarino, francesa, nasceu em 1916 no bairro da Aclimação em São Paulo, morou em Uruguaiana e aportou aos 23 anos, em 1940, para trabalhar como inquilina de Nair, na Pensão Imperial. Passou a gerente, arrendou e finalmente comprou o “ponto” e a casa da antiga zona de meretrício, na rua Rio Branco 5-50, esquina com a Costa Ribeiro, tendo logo se destacado dos demais, pela sofisticação e luxo que seu bordel oferecia.

Em função da lei municipal que proibiu a permanência da zona do meretrício em área central da cidade, no final dos anos 50, Eny, antes proprietária da Pensão Imperial, transferiu-se para fora do perímetro urbano, construindo o Restaurante “Eny’s Bar” em propriedade particular, ao sul da cidade, em área transacionada através da Prefeitura, diversamente das outras Casas que foram confinadas no extremo leste da cidade, no “formigueiro” ou Novacap, a zona determinada pelo poder municipal para o baixo e médio meretrício, em terrenos de Edgar Bicudo.

Situado agora junto ao trevo rodoviário que liga as rodovias Mal. Rondon, Cte. João Ribeiro de Barros e Eng. João Batista Cabral Rennó – hoje oficialmente denominado Trevo da Eny, a fase áurea do seu luxuoso bordel se deu entre 1963 e 1983.

O maior e mais luxuoso bordel do Brasil, inigualável na América Latina, tinha 5.000 m² de área construída, distribuídos em 12 conjuntos, 7.000 m² de jardins e alamedas floridas, protegidas por muros, com a maior piscina particular da cidade, sauna, restaurante e lachonete, além dos quarenta quartos e suítes, com cama redonda e poltronas Luís XV, e uma suíte presidencial, com entrada privativa. A pista de dança, ao ar livre, tinha formato de violão, cujo “braço” era a entrada para a churrascaria: tudo de uma beleza e requinte inconcebíveis para um bordel, em 1963 (anos antes do La Licorne, na capital).

Contudo, os serviços mais destacados eram a qualidade das mulheres e o sigilo/discrição garantidos pela proprietária – na verdade, sua marca registrada, como se verá. Vinham as lindas moças de toda a parte, recrutadas até do Paraguai, Argentina e Uruguai. Eny nelas investia: antecipava-lhes dinheiro para roupas finas, jóias caras e salões de beleza (o da Dirce era o melhor, também freqüentado por “senhoras da sociedade”); tudo do bom e do melhor para a clientela constituída por gente muito rica, famosa, políticos e afins. “Segundo se diz, passaram pelos aposentos da Eny, dois terços de todas as assembléias legislativas do Estado de São Paulo nos últimos anos, muitos governadores de Estado e prefeitos da região, boa parte dos grandes plantadores de cana e os filhos deles e pelo menos um Presidente da República”. A memória de quem trabalhou lá (garçons e novas donas de bordéis locais, iniciadas por Eny) evoca Chico Anísio, Juca Chaves, Clodovil, Roberto Carlos, Vinicius de Morais, Jô Soares, Laudo Natel, Paulo Maluf, José Sarney, Orestes Quércia…, para citar os mais conhecidos.

O fato é que Le Bordel fazia as vezes de “centro de convenções” do estado, muito antes de terem sido criados os primeiros deles. Bauru já era o lócus para fechamento de grandes acordos de empresas e indústrias de porte – como notícia a imprensa local, inúmeras vezes -, pois a comemoração com chave-de-ouro na Eny era obrigatória. A Bardahl e a Dedini ali promoviam suas convenções de final-de-ano para diretores e representantes, além das reuniões para os delegados das convenções políticas, no período da ditadura militar.

Ora, nada mais previsível que esta hábil administradora (que, dizem, deteve a maior fortuna de Bauru da época, com 24 casas só no Parque Vista Alegre), exercesse também grande força política: por exemplo, em menos de 24 horas fez revogar a ordem do Delegado Regional de Polícia, Francisco de Assis Moura, que determinara o fechamento da sua Casa, por não estar no local determinado ao meretrício, na Novacap, e elegeu, em 1963, o vereador Marco Aurélio Brisolla.

Conta Nicola Avallone Jr., ex-prefeito, em entrevista à Revista Bauru e Região (Ano I nº 1, set/93) que um delegado de polícia – querendo agradar o Jânio Quadros, o grande derrotado em Bauru – fechou a Casa da Eny. O fechamento durou três horas. Reabri com a presença do Juiz Otávio Stuchi – uma personalidade fantástica. Fizemos um comício em prol da Eny. Provamos ao Juiz – que a Eny era um elemento agregador e não desagregador. E essa mulher teve tanta visão que transformou-se na Dama da Caridade. Porque queríamos tirar a zona da 5-50 da rua Rio Branco, porque ficava a 50 metros do cinema, na área central. Nós ajudamos a transferência do bordel para a rodovia Bauru-Ipaussu. Quem decidiu o local fui eu. Arrumei mais nove companheiros para ajudar. O local estava abandonado. Era um posto de gasolina. A área foi comprada e transformou-se em coqueluche nacional. Ela financiava escola, creche, entidades de freiras. Mulher fantástica, de marcante presença na vida fraterna de Bauru.

Nicolinha conta também que: – até candidato era definido ali. Era o pólo mais importante de Bauru. Os meus hóspedes assinavam o ponto na Casa da Eny. Ela era anfitriã. Até um príncipe austríaco que veio a Bauru instalar uma cervejaria – a Vienensse – visitou a Eny. Ele e quatro engenheiros ficaram tão encantados que depois voltaram para visitar o bordel.

Eny era bastante conhecida na cidade e na região desde os anos 40, quando se mudou para Bauru; mas, de 1963 ao início dos anos 80, sua fama cresceu e seu bordel tornou-se um dos mais notáveis do país, até ser desativado em 1983 (a propriedade foi vendida a grande empresário de ônibus da região, Dolírio Silva, que a revendeu; hoje pertence ao médico psiquiatra, ex-deputado estadual, Fauzer Banuth, e permanece fechada, sem uso algum).

Mesmo não existindo mais, a “Casa da Eny” é ainda referência para e sobre Bauru, citada, até hoje, em jornais e na TV (Folha de São Paulo, Hebe Camargo, Sílvio Santos, Domingão do Faustão; na série “Anos Dourados”, na novela “Paraíso”, e na “A próxima Vítima”, só para dar alguns exemplos).

Casa da Eny
Obtido na internet sem conhecimento do autor

Quem nunca ouviu falar da Eny? Entre o sanduíche e a Eny eu prefiro mil vezes ela como ponto de referência de Bauru. A casa onde funcionou um dos maiores prostíbulos do Brasil estava abandonada. Fui num churrasco e numa rave lá há algum tempo. Agora é um bar e o infeliz dono colocou o nome de Camboja. Não é Camboja, seu bobo, é a casa da Eny!!! Imagina só, o cara abre um bar no antigo bordel e muda o nome pra Camboja… Não falo nada… Manuela canta lá na Eny hoje, com Technicolor. Está frio, muito frio. Mas vou!

Nunca houve uma dona de cabaré como Eny Cezarino. Nos anos 50 e 60, ela esteve à frente de um dos mais poderosos, famosos e prestigiados templos de sexo do país: a Casa de Eny, um verdadeiro cenário hollywodiano recriado na cidade de Bauru , no interior paulista. Pela propriedade de 15 mil metros quadrados transitaram celebridades, homens de negócios e políticos. A cafetina não media esforços para oferecer conforto e o máximo de prazer aos seus freqüentadores e para isso contava com quarenta quartos, duas suítes, piscina, jardins, saunas, restaurante, bares, salões de festa e, claro, dezenas de deslumbrantes mulheres.

Nesta biografia romanceada, fruto de dez anos de pesquisa do jornalista Lucius de Mello,o leitor vai conhecer o cotidiano deste bordel brasileiro. Os clientes famosos e suas meninas prediletas. Os segredos de alcova e os favores polítcos. Fetiches e escândalos. Prazer e vingança. Um mergulho no submundo dos anos dourados.

Criada para casar, com uma sólida educação familiar, Eny Cezarino, uma jovem paulistana de origem italiana, poderia seguir tranqüilamente o mesmo caminho reservado às moças da sociedade. Mas o destino lhe reservou algumas surpresas e fez mudar o rumo de sua história. Discreta, bonita e elegante, ela conduziu sua vida como uma audaciosa mulher de negócios. A bela e temperamental moça que entregava marmitas nas ruas de São Paulo, acabou seduzindo muitos homens e construindo seu império do prazer em Bauru.

Com a mestria dos grandes narradores, Lucius de Mello transita do passado e dias de glória de Eny à decadência da personagem em seu final de vida, sem que o leitor perca o fio da meada e o interesse no desenrolar da história.

Implacável, conselheira, caridosa, sedutora, apaixonante, Eny conviveu com poderosos e os mais necessitados, ficou rica proprietária de vinte e seis imóveis e morreu pobre numa cama de hospital. Nunca deixou de ajudar sua família, criou dezenas dos filhos das meninas de seu bordel, e doava regularmente, mesmo depois de perder seu patrimônio, comidas e brinquedos para os orfanatos da cidade de Bauru. Morreu em 24 de agosto de 1987 aos 69 anos.

Na orelha, o dramaturgo Mauro Rasi, que nasceu e passou sua juventude em Bauru, comenta: “A Casa de Eny” foi uma referência quase tão famosa quanto o sanduíche.  No tempo dos viajantes, era só falar de Bauru que se pensava logo em sacanagem. Até poucos anos atrás a associação era imediata.(…) Devo ter sido uma das raras pessoas que foram à zona com a mente e não com o corpo. Eny nos faz ter saudade do pecado.”

A casa da Eny

Eny foi proprietária da mais famosa casa de garotas do Brasil, situada no trevo de entrada de Bauru (SP, na Rodovia Marechal Rondon), isso há mais de cinqüenta anos. Conhecida como “A CASA DA ENY”, era freqüentada só por figurões do cenário político.

Certo dia, resolveu dar uma entrevista a um jornalista.

Jornalista: “Será que a Senhora não poderia revelar aos nossos leitores pelo menos alguns nomes de políticos que freqüentavam a sua casa?”

Eny: “Bem… Passados tantos anos e com tantos figurões já falecidos, acho que não haveria problema eu revelar os nomes de alguns deles… Bem, um que freqüentava pelo menos uma vez por semana era o Presidente Geisel. Quando ele ainda era cadete, lá na Academia, ele vinha, gostava de trazer bolos e depois escolhia uma das minhas meninas. Depois de transar com ela, ficava batendo papo com a gente. Antes do toque da alvorada, ele voltava para o quartel.

Jornalista: “E quem mais freqüentava?”

Eny: “Bem, tinha o General Figueiredo.”

Jornalista: “O General Figueiredo?”

Eny: “É… Ele mesmo… Ele ainda era muito jovem e mal tinha começado a namorar a Dona Dulce, quando freqüentava minha casa. Ele vinha, trazia uns brinquedinhos, ficava papeando com a gente, e, depois de transar com uma das minhas meninas, voltava para São Paulo, onde morava o pai dele.”

Jornalista: “Quem mais? De quem mais a Senhora se recorda?”

Eny: “Bem, tinha esse… Como é que ele se chama mesmo!? Esse que foi Secretário de Segurança do Rio… Ex-Governador… Que a mulher agora é Gorvernadora?”

Jornalista: “Quem!!!??? O Anthony Garotinho!!!???”

Eny: “Ele mesmo!!!”

Jornalista: “Não pode ser!!! Acho que a Senhora está equivocada!! Não poderia ser o governador Garotinho!!! Afinal de contas, ele era apenas uma criancinha naquela época…”

Eny: “Não!!! Era ele mesmo! Ele vinha todas as noites, às 20 horas em ponto, passava a madrugada comendo os bolos que o Geisel trazia, depois ficava brincando com os carrinhos que o Figueiredo trazia a madrugada toda.”

Jornalista: “E então!?”

Eny: “Bem, aí, quando o dia raiava e a mãe dele já tinha acabado de trabalhar, ela o levava de volta para casa.”

Livro conta a história da ‘Casa da Eny’

LITERATURA — Biografia romanceada da cafetina Eny Cezarino, de autoria do jornalista Lucius de Mello, está nas lista dos dez mais vendidos no ranking da revista Veja

Aurélio Alonso
Da Reportagem Local

Bauru ficou conhecida nacionalmente não só pelo saboroso sanduíche de rosbife, mas pelo enorme casarão na saída de Agudos, nas imediações do trevo da SP-225, que abrigou durante anos a mais freqüentada casa de prostituição que levava o nome da cafetina Eny Cezarino.
Passados 17 anos de sua morte, o bordel ainda desperta curiosidades. Ele fechou no início da década de 80 com o surgimento de motéis de alta rotatividade.

A biografia do maior “mito da prostituição”, de autoria do jornalista Lucius de Mello, resgata a vida da cafetina. A biografia romanceada, lançada há poucas semanas, está entre os 10 livros mais vendidos no ranking da revista Veja, e em sexto lugar na categoria não ficção. A primeira edição se esgotou rapidamente.

Na última vez que Eny deu entrevista (ao jornalista José Carlos Azenha) reclamou que os tempos eram outros. A demasiada liberdade sexual espantou os freqüentadores da zona de meretrício.
O bordel ostentou fama e projetou Bauru. Afinal, como uma casa de prostituição numa época de repressão sexual e política ficou tão famosa. Qual é o segredo? Quem era Eny? De onde veio? Quem são as figuras famosas que freqüentaram?
Essas perguntas que não querem calar, Mello tenta responder no livro “Eny e o grande bordel brasileiro”, ilustrado com fotos. O jornalista conta a história da paulistana nascida e criada para casar na Vila Mariana, na capital, que soube com discrição comandar a mais badalada casa de prostituição.

O livro foi um trabalho árduo que o jornalista dividiu por 10 anos com sua atividade de repórter da TV Modelo (afiliada da Globo). Pesquisou arquivos de jornais, acervo fotográfico, entrevistou personagens oculares do submundo da prostituição e parentes de Eny. Apesar do glamour do cabaré, falar de prostituição é assunto delicado. Mello teve que romancear para mudar os nomes de alguns entrevistados. “Alguns eu precisei trocar para ser fiel às minhas fontes. A sobrinha de Eny, por exemplo, que aparece logo na primeira página do livro, não se chama Isabela. Ela pediu-me para não revelar o nome real”, conta Lucius de Mello (leia entrevista na página 6).
O dramaturgo Mauro Rasi resumiu em poucas palavras a “saga pecadora” que, no tempo dos viajantes, era só falar de Bauru e se pensava logo em sacanagem. “Até poucos anos atrás a associação era imediata. Devo ter sido uma das raras pessoas que foram à zona com a mente e não com o corpo. Eny nos faz ter saudade do pecado”, escreveu na orelha do livro. O dramaturgo é bauruense e passou a juventude na “Cidade sem limites”.

Naquela época, a prostituição tinha charme. As “meninas” eram apontadas nas ruas, chamadas de pecadoras pela igreja e pela sociedade que era muito menos tolerante, mas a cafetina ensinava elas a se comportarem e vestirem como estrelas de cinema.
Segundo Mello, Eny encarava isso com certo sucesso. “Aproveitava a fama para aparecer bem”. A cafetina era grande marqueteira do pecado. “Conjugava de forma inteligente o verbo cafetinar”, filosofa o autor do livro. Com prefácio do escritor Fernando Morais, é a segunda obra literária do jornalista, atualmente repórter do SBT de São Paulo. Ele lançou em 1987 os contos “Um Violino para os gatos”.
Lucius conseguiu boas fontes de informação, como o ex-prefeito e ex-deputado Nicola Avallone Júnior (Nicolinha) que a conheceu de perto e teve Eny como cabo eleitoral de suas campanhas. Por intervenção política de Nicolinha, Eny conseguiu sair do centro de Bauru e montar o cabaré luxuoso na saída de Bauru para Ipaussu.

Apesar de viver numa propriedade de 15 mil metros quadrados em meio a piscinas, salões de festas e restaurante, Eny morreu pobre aos 69 anos em 24 de agosto de 1987 — no aniversário da morte de Getúlio Vargas — tentando vender sua última aliança de brilhantes para pagar o médico.

Para jornalista, sucesso de Eny “foi a discrição”

A discrição da cafetina Eny Cezarino foi a marca de tanto sucesso no mais famoso bordel brasileiro. Se é que existe uma classificação ou ranking, Eny foi conhecida nacionalmente e internacionalmente na atividade mais antiga do mundo.

Mesmo depois do fim da casa de prostituição no trevo da rodovia Bauru-Ipaussu, o local ainda era freqüentado por curiosos e antigos “clientes”. O livro do jornalista Lucius de Mello (foto) conta que a cafetina foi antes de tudo uma grande política. Soube perceber os desejos dos homens e das mulheres, guardava segredos, era cúmplice dos clientes.

A seguir os principais trechos da entrevista do autor do livro ao DEBATE.

DEBATE — Na sua opinião Eny Cezarino foi a maior cafetina do Brasil?
Lucius de Mello — Acredito que tenha sido. Principalmente porque, apesar de ser paulistana nascida e criada na vila Mariana, conseguiu ficar famosa em todo país — durante os anos 60 e 70 — mesmo morando e trabalhando em Bauru, na época uma pequena cidade do interior de São Paulo.
DEBATE — Qual é o segredo de tanta empatia do público em torno da figura de Eny, se no período que ela viveu em Bauru havia muita repressão sexual e política?
Lucius — O segredo do sucesso de Eny era a discrição. Ela foi antes de tudo uma grande política. Sabia se relacionar muito bem com a clientela. Conjugava de forma muito inteligente o verbo cafetinar, ou seja, percebia os desejos dos homens e das mulheres. Eny guardava segredos, era cúmplice dos clientes, eles confiavam nela. Naquela época, a prostituição tinha glamour. As prostitutas eram apontadas nas ruas, chamadas de pecadoras pela igreja e pela sociedade que era muito menos tolerante com elas do que hoje. Eny encarava isso com um certo sucesso. Aproveitava a fama para aparecer bem diante de todos. Ensinava suas meninas a se comportarem e se vestirem como estrelas de cinema. Iam assistir filmes no cine da cidade para copiar os modelos e os trejeitos das divas de Hollywood como Elisabeth Taylor, Marilyn Monroe, Sophia Loren.
DEBATE — Não existe, na sua opinião, certo miticismo sobre a figura de Eny Cezarino devido ao bom relacionamento dela com políticos da época? Cito exemplo: há no folclore popular um certo endeusamento de que grandes personalidades visitaram a casa de Eny.
Lucius — Eny despertou muito a curiosidade do povo; principalmente de algumas mulheres da sociedade que tinham muita curiosidade em conhecer o que tinha do lado de dentro do grande bordel. Quando a casa estava pra fechar, moças pediam para os namorados as levarem até lá, tamanho era o fascínio que o bordel exercia. E é claro que a clientela vip formada por políticos, empresários e artistas ajudou muito a alimentar a imaginação popular.
DEBATE — Qual é a novidade que o livro traz sobre Eny em relação ao que já foi publicado pela imprensa?
Lucius — O livro conta muitas novidades. Afinal, foram dez anos de pesquisa. Entrevistei mais de quarenta pessoas, vasculhei documentos e o acervo fotográfico da família de Eny, contratei uma historiadora em São Paulo, uma estagiária do curso de história em Bauru. Fiz uma pesquisa nos arquivos do jornal Diário de Bauru — dos anos 40 até agosto de 87, quando Eny morreu. Mas não vou contar aqui. Senão vou privar o meu leitor do grande prazer de ler essa história. E tem muitas histórias de clientes das cidades vizinhas a Bauru que adoravam fechar o bordel para realizar grandes farras.
DEBATE — Por que a Casa de Eny foi instalada no trevo da rodovia Bauru-Ipaussu? Como ocorreu a ascensão da casa de prostituição depois que Eny deixou a área central de Bauru?
Lucius — Eny decidiu instalar seu bordel no trevo Bauru-Ipaussu porque não queria ir morar no Formigueiro [um bairro pobre, sem asfalto e afastado da cidade] para onde a prefeitura decidiu transferir as prostitutas que até então moravam no centro de Bauru. Eny, com ajuda do ex-prefeito e ex-deputado Nicola Avalone Jr. (Nicolinha) conseguiu um financiamento no Banco Bandeirante e comprou a área de quase 15 mil metros quadrados bem na porta de entrada da cidade. Isso ocorreu em 1963. O lugar deu muita sorte para a cafetina que fez muito sucesso na carreira que ela encarava como um grande negócio.
DEBATE — Por que teve que romancear vários trechos do livro?
Lucius — Porque muitas pessoas me deram depoimentos com a condição de que seus nomes não seriam revelados. Alguns eu precisei trocar para ser fiel às minhas fontes. A sobrinha de Eny, por exemplo, que aparece logo na primeira página do livro, não se chama Isabela. Ela pediu-me para não revelar o nome real. Eu achei justo e respeitei. Mas o livro é muito mais real do que ficção.
DEBATE — Eny Cezarino perdeu tudo depois que se “aposentou”. Ela morreu pobre?
Lucius — Morreu sim. Ia tentar vender sua última aliança de brilhantes para pagar o médico, quando morreu vítima de problemas cardíacos agravados pelo diabete. Chegou a ter mais de 30 imóveis em seu nome em Bauru, mas perdeu tudo. Por quê? Leiam o livro. Se eu contar, perde a graça.
DEBATE — Por que demorou 10 anos para apurar a história?
Lucius — Demorei dez anos porque não pude me dedicar exclusivamente à pesquisa. Dividia o meu tempo trabalhando como repórter da TV Modelo de Bauru e trabalhando no projeto. Não foi fácil, mas valeu a pena.
DEBATE — Como tem sido a repercussão do livro na capital?
Lucius — O livro está só há dez dias no mercado e já é o segundo mais vendido nas livrarias Cultura e já aparece entre os dez mais vendidos no ranking da revista Veja. Está em sexto lugar na categoria não-ficção. O sucesso é muito grande, graças a Deus.
DEBATE — No SBT existe a possibilidade de fazer algum tipo de especial sobre Eny?
Lucius — Até agora ninguém me procurou oficialmente. Na última semana fui entrevistado no programa Jô Soares. No próximo dia 26 haverá noite de autógrafos na livraria Jalovi em Bauru. (A. A.)

As meninas no período militar

Nos anos 70, em pleno regime militar, as meninas da “Tia Eny” desfilavam por carros esportivos adquiridos numa revenda volkswagen que, especialmente, encomendava seu diretor, miuras, biancos, mp laffer e outros modelos, certo do encaminhamento às meninas da prostituição.

Naquele período, anos antes do início da derrocada, chegou-se a sentir um contraponto com a sociedade, pois carros com aqueles preços, só mesmo as meninas da tia.

Maetê, uma das mais belas da Casa da Eny, fez o maior sucesso a bordo de um MP Lafer. Porém acidentou-se e jamais se teve notícia da mesma.

Pontos pitorescos:

(*) Um famoso jogador de baralho, pai de um filó especial, era o que mais tarde saia do quarto para seguir para sua casa e quase sempre se via obrigado a transportar os filós de final de noite.
Certa noite, ao atropelar um cachorro, saiu do carro para observar o animal, viu que o mesmo ainda estava vivo, porém agonisando, tirou seu revólver e atirou para tirar em definitivo a vida do animal. Errou o alvo.

Este mesmo senhor, num final de programa, ao ser chamado por um filó para a carona habitual, deu uma de valente, tirando o mesmo revólver com o qual errou o tiro a menos de um metro e clamou “sai pro claro!” Os jovens de então morrem de rir e usam a expressão quando querem saber mais sobre assuntos em pauta.

(*) Em pleno ano de 1.972, quando a Olimpíada de Monique estava na ordem do dia, após o famoso atentado a judeus, um famoso técnico esportivo, não convocado para os jogos, dançava leve e solto no salão e Dona Eny, ao seu estilo, ironizou: “hum bundão, se fosse bom estava em Monique!”. A frase rende até hoje.

(*) Muitas meninas continuaram com seus verdadeiros amores e se tornaram altamente respeitadas na sociedade bauruense. Uma em especial, que veio a casar-se com um dos homens mais ricos da cidade, é hoje o esteio para sustentação do poderio econômico, mãe respeitada, embora separada do então marido e antes “amante” em épocas de bordel. Ele um viciado jogador de baralhos e ela a sustentação familiar.

(*) Muitas crianças que foram acolhidas por Dona Eny, hoje são profissionais respeitadas e bem sucedidas não só em Bauru como em muitas cidades do país. Uma, cujo nome mantenho em sigilo, é uma das principais executivas de importante associação e refere-se à mãe com o máximo de respeito. Não se furta a comentar detalhes vividos na intimidade do lar. Dona Eny jamais permitiu que uma das crianças tomasse o descaminho.

(*) Dona Eny tinha verdadeira paixão por cães e mantinha em local separado do prostíbulo, um canil de grandes proporções e pessoalmente tratava dos animais. Acolhia, quase sempre, cães abandonados na cidade.

(*) Eny Cesarino foi, por todo período em que residiu em Bauru, uma das mais beneméritas junto a diversas instituições de caridade.

(*) Consta que um empresário conhecido aproveitou-se da doença acometida em final de vida e ficou rico pelos empréstimos oferecidos e efetivados, porém tento em garantia seu patrimônio, dentre ele, muitas jóias.

(*) O corpo de Eny Cesarino foi enterrado junto ao seu grande amor, Maurício.

(*) Um bem sucedido homem de negócios, hoje, que apresentava-se como esquerdistas em tempos de revolução de 64, ficou escondido na Casa da Eny por dois meses e está entre os que recebem expressivas pensões por conta de uma lei duvidosa que ainda está na pauta das discussões políticas.

(*) Peninha (tenho permissão para divulgar), o grande e folclórico Osvaldo Penna Júnior, foi o filó mais famoso da Casa da Eny, porém viveu um belo e lindo romance com uma das meninas. Hoje Peninha reside em Paris e tem como sonho escrever um livro a quatro mãos (com o autor deste).

(*) A sociedade bauruense sempre esteve contra a divulgação de fatos ligados à famosa casa, pela preocupação de ter nomes ligados a tradicionais famílias envolvidos.

(*) As meninas da Eny, quando produzidas no salão de beleza e depois de passagem pela Capristor Modas, para as dicas de postura, passavam em frente a Lalay, em táxis, causando frissons no “hight society”.

(*) Hebe Camargo passou uma tarde lá como “turista” e jornalista.

(*) A equipe de jornalismo da Rede Globo, quando veio a Bauru para “criar” e lançar o SPTV, foi em peso conhecer a casa. Gostaram todos do que viram.

(*) Walter Clark, todo poderoso da Globo, antes do Boni, foi assíduo frequentador e com direito a “casa fechada”, em muitas oportunidades, tendo em vista os convidados que trouxera (imaginem se eu mencionar os nomes, mas façam idéia).

(*) Os “filós” foram os que mais curtiram a bela e grande piscina. Era nos períodos das tardes que curtiam seus amores proibidos.

(*)  Maetê, uma das mais belas meninas da Eny, conseguiu pagar seu chevette em 24 prestações. Ao pagar a última delas, por coincidência cruzou com o diretor da Baurucar (autor deste), dizendo: “quitei”. Ouviu em seguida: passe lá para pegar o branquinho. Foi o MP Lafer que rendeu por dois anos o destaque que a menina precisava. Infelizmente viu-se envolvida em acidente, anos depois, com o mesmo carro.

(*) Filós e seus amores tinham um refúgio, na vizinha cidade de Piratininga para as confraternizações. As meninas e seus amores participavam de festas oméricas na Fazenda bandeirantes, com permissão da “Tia”. A recomendação era para que não bebessem para se postarem inteiras à noite, horário de “trabalho”.

(*) As meninas eram treinadas a fingir que bebiam e induzir os acompanhantes a consumir de fato a bebida nos copos de cristal. Havia situações em que a bebida nos copos das meninas eram  sucos disfarçados de club soda. As bebidas dos coronéis eram de verdade, de qualidade e com um reforço a mais para efetivo resultado de embriagues, quando os clientes ficavam mais soltos e assinavam os cheques.

(*) Era no restaurante da casa onde se comia o melhor filet de Bauru. Outros pratos sempre foram muito elogiados.

(*) Um jovem elegante e fino, filho de tradicional família, falecido em um acidente com avião da TAM foi sem dúvida o mais querido da Tia Eny. Por mérito próprio (muito elegante) e por recomendação do tio, que foi o mais respeitado cliente da casa. Este mesmo senhor, quase sempre, convidava um jovem de Piratininga, amigo da família, para a visita à casa, para que pudesse ele abusar um pouco mais da bebida pois sabia que tinha condutor a dirigir seu Gálaxie. O jovem, por aí, também um dos mais paparicados por Tia Eny.

(*) O tango era o estilo musical mais apreciado por Tia Eny, que se encantava ao ouvir o amigo Buzini interpretar uma de Carlos Gardel. “Mano a Mano” era sua predileta.

Muito ainda comentaremos a respeito …, vamos aos poucos, aceitando lembranças que nos remetam ao período áureo da boemia em Bauru, onde se misturavam os dançarinos de tango, os jovens em início de Jovem Guarda, os “coronéis” vindos de todos os cantos e as prostitutas que sempre chegavam tímidas, geralmente oriundas de famílias pobres e sem estrutura, mas que em pouco tempo se acostumavam com o estilo de vida.

O autor de novelas Walter Negrão, da Rede Globo, tem um rico conjunto de informações sobre Eny e sua casa mais famosa da história de prostíbulos do Brasil. Pessoalmente percorri vários locais e apresentei várias pessoas que fazem parte da história e prometeu ele que teria chegado a rico conjunto de informações suficiente para uma novela e não mais uma mini série. Walter Negrão, como sabem, tem uma fazenda em Avaré, onde cria gado nelore e é amigo íntimo do bauruense Evaldo Rino Ribeiro (aliás amigo em comum).

Por vezes visitou pessoas ligadas às meninas e à própria dona do bordel, com o propósito de escrever uma novela ou mini série (ainda náo vingou).

Em Bauru o tema provoca contornos de silencio, pois muitos não querem tocar no assunto.

“Poucos entendem que o que passou, passou e faz parte de uma época áurea, tanto da cidade, como desse ramo de negócio. Reviver as histórias e seus personagens faria um bem danado para a cidade”, conforme escrevera Henrique Perazzi de Aquino..

“Tema tabu, tanto que o CODEPAC discutiu durante meses a possibilidade de tombamento de sua edificação. Não vingou, por não ter apoio dos proprietários e muito menos de um segmento representativo da cidade. Até um provável filme é visto com certo desdém por alguns, que consideram o tema impróprio e pervertido. Chegam a dizer: “Isso traria uma repercussão negativa para a cidade”. Na época da discussão sobre o tombamento ouvi de uma pessoa ligada a um vereador: “O que deveria ser feito era tombar isso tudo, derrubar tudo, e logo”. Com cabeças assim, nada avança progressivamente. Foi garantido que a área das piscinas permaneceria intacta, já o restante, ficou liberado para demolição. E olha que com a pressão exercida, foi conquistado até muito. Para verem como a Eni continua sendo lembrada, o Faustão, na TV, dia desses ao se deparar com uma cortina roxa, pregueada disse: “Parece coisa lá da Casa da Eni”. Isso é demérito? Não vejo nenhum.

Não consegui assistir o filme (só o trailler), mas estou tentando junto a produtora Isabelle Cabral, da Distribuidora Criativa, que o tragam para Bauru, talvez numa exibição em parceria com o Cine Clube Aldire Pereira Guedes. Será uma oportunidade muito boa para voltar a discutirmos a importância do que foram casas como essa, num período que vai dos anos 50 até os 80, quando a maioria definhou de vez. Comenta-se muito sobre uma provável filmagem do livro sobre a Eni, do jornalista Lucius de Mello. Torço muito por isso e agora, ao terminar de assistir a mini-série Maysa, tenho plena certeza de que um sobre a Casa da Eni seria um estouro nacional. Bauru precisa discutir isso com a relevância que o tema possui. E o momento sempre se mostra oportuno. Pois que venha o filme Pretérito Perfeito, depois o nosso, talvez com um nome parecido a “Um trevo de muitos encantos”, conclui Aquino.

Episódio inédito

Relíquia documentada sob título As fantásticas histórias de Guga de Oliveira, premiado no Brasil e no exterior, por ser importante realizador e produtor de TV, Nele encontrei relatos de episódios engraçados, inesquecíveis e desconhecidos da televisão brasileira, como a gravação do Especial de Natal de Roberto Carlos, o show que foi ameaçado pela dor de dente de João Gilberto e o dia em que o padrasto quase mata seu irmão Boni.

Sobre a Eny e seu bordel, veja o que escrevera, aludindo a Guga de Oliveira, Alex Solnik, na Revista Brasileiros:

“Como hóspede de honra daquele palácio dos prazeres, fui convidado para o café da manhã no jardim. Em primeiro lugar, desceram a escada dois dobermans gigantescos, mas brincalhões”

Bauru, uma próspera cidade no interior de São Paulo, é popularmente conhecida por dois ícones imortais: o sanduíche de queijo, presunto e tomate – que leva o nome da cidade – e o legendário prostíbulo da Eny – o maior bordel brasileiro dos anos 1950.

Era uma manhã de sol de inverno. Bauru sempre foi muito quente. Eu estava sentado em uma daquelas cadeiras rococó de ferro, pintada de branco, à beira de uma monumental piscina e um jardim repleto de verde. Pássaros cantavam anunciando a chegada da magnífica cafetina Eny. Como hóspede de honra daquele palácio dos prazeres, fui convidado para o café da manhã no jardim. Em primeiro lugar desceram a escada, com pelos muito lisos que brilhavam ao sol, dois dobermans gigantescos, mas brincalhões. Atrás, veio uma senhora calçando chinelos estofados, com um vestido até o tornozelo, em cores sóbrias, fechado desde o pescoço, onde saltava aos olhos um enorme e requintado camafeu. Na face castigada pelo tempo, ainda resistiam os traços de uma linda mulher. Os olhos claros guardavam lembranças de toda uma vida de amores, risos, lágrimas… O cabelo, já esbranquiçado, emoldurava seu rosto triste, com um penteado formal e um tradicional coque, preso por um grande pente de osso, bem ao estilo espanhol. Faltava apenas uma rosa vermelha do lado.

Quando ela chegou à mesa posta para o café da manhã, levantei-me solenemente, estendi a mão me apresentando e, suavemente, beijei-lhe a face. Ela apenas sorriu. Sentou-se numa postura elegante, cruzando as pernas cobertas pelo traje comprido. Os cachorros se deitaram a seus pés, ela acendeu um cigarro alongado por uma charmosa piteira e começamos a conversar…

Era 1978, uns trinta anos atrás. Tinha recebido um convite para dirigir a Rede Tupi de Televisão. Eu estava de saco cheio de comerciais, documentários, institucionais e principalmente de ser patrão. Pesava sobre mim a responsabilidade por quase duzentas famílias de amigos com quem trabalhava, meus funcionários. Para comemorar minha despedida rumo à televisão, resolvi dirigir meu último comercial na Blimp Filmes.

O roteiro era uma superprodução – o aniversário de 170 anos de fundação do Banco do Brasil – e exigia uma cenografia de época em um salão de bailes. Cento e setenta casais, com roupas de época e perucas do tempo do Império, dançariam uma valsa de Strauss, executada por uma orquestra de cordas.

Depois de dias de pesquisa, descobrimos em Londrina uma das primeiras agências do Banco do Brasil construídas fora do Rio de Janeiro, cuja arquitetura permitia as adaptações necessárias para as filmagens. Para baixar custos, promovi um concurso local oferecendo como prêmio, aos três primeiros colocados, passagens aéreas para Paris, Nova York e Buenos Aires. Os concorrentes seriam casais vestidos, maquiados e caracterizados com trajes e penteados do século retrasado.

Nosso grupo era relativamente numeroso. Transporte, alimentação e estadia eram apenas alguns dos itens da logística de produção. Somávamos uns quarenta membros entre equipe técnica e artística.

Alugamos um ônibus superconfortável, que enchemos de máquinas, filme e whisky, e caímos na estrada rumo a Londrina – via Curitiba. Estava previsto um pernoite antes da chegada à locação. Depois de algumas horas de descontração no ônibus, um filho da puta – não me lembro qual – gritou:

- Ei pessoal! E se a gente fosse dormir no puteiro da Eny?

Numa gritaria infernal, a galera manifestou sua aprovação numa torcida:

- Eny! Eny! Eny!!!

Para a maioria dos jovens que faziam parte da equipe, o prostíbulo da Eny era uma lenda. Um lugar que só existia nas histórias de tios sacanas e putanheiros renomados. Puteiro frequentado por grandes personalidades, como Jânio Quadros, Adhemar de Barros e ricaços da época. Na hora, calculei as despesas que teria com bebidas e mulheres, mas, como era minha despedida, ordenei ao motorista:

- Direto para Bauru, para a Eny! A rapaziada vai dormir lá!

Parecia gol do Corinthians. A zorra foi geral. Até o motorista entrou na onda.

Na boca da noite, chegamos às portas do “templo do pecado”. Era um casarão soberbo, lustres de cristal iluminavam todas as salas. A piscina também estava iluminada. Em uníssono, o tom gutural da voz de Cid Moreira se despedindo com o clássico “Boa noite e até amanhã” tomava conta de toda a rua e do interior do casarão… Logo em seguida, alguns acordes de violão e a voz de João Bosco cantando “Minha pedra é ametista, minha cor o amarelo…”. Estava começando a novela O Astro.

Na hora da novela das 8 da Globo, a zona da Eny parava literalmente. Todas as putas se reuniam em volta das TVs espalhadas pela casa. A alegria virava silêncio.

Entramos e fomos recebidos friamente. As mulheres pareciam hipnotizadas pela telinha luminosa. Pensei comigo: “Que porra é essa? Estou trazendo quarenta clientes para beber, comer, transar e dormir e ninguém toma o menor conhecimento…?”. Para chamar a atenção da mulherada, falei bem alto:

- Nós somos da televisão! Trabalhamos na televisão!

Nada… Algumas moças, com o rabo dos olhos, lançaram um olhar de desprezo e desinteresse.

Fui crescido e criado na boca do lixo em São Paulo. Morava na avenida Rio Branco, colado com a Timbiras e a Aurora. A putaria na região era ao estilo faroeste. As meretrizes usavam gilete na liga para se defender dos cafetões ou ameaçar algum cliente que hesitasse em pagar pelo serviço. Como chegava tarde em casa, conhecia praticamente todas as prostitutas do pedaço pelo nome e sobrenome. Era amigo delas e não cliente. Do ponto de vista existencial, esse tipo de experiência me deu uma compreensão mais apurada da difícil vida fácil…

Bem, voltemos a Eny: o grande suspense da novela da Globo era o mistério “quem matou Salomão Ayala?”. Não tive dúvidas, gritei de novo:

- Eu sei quem matou Salomão Ayala!

Foi uma correria, uma convulsão. As mulheres, desesperadas, largaram a TV e correram em minha direção: “Quem? Diz quem… Foi o Felipe, não foi?”.

Eu respondi:

- Tratem bem a minha equipe, que mais tarde eu conto quem foi o assassino… Quem sabe conto até o final da novela!

Como estava com fome, fui para o restaurante que ficava à beira da piscina. Pedi um frango à passarinho e uma cerveja. O whisky levei comigo. Não confiava em bebida de puteiro. Lá dentro, a festa começou… Depois do jornal das 11, chamei o garçom, comunicando que todas as despesas do meu pessoal deviam ser incluídas na minha conta. Todas! Ele sorriu e se retirou por alguns minutos. Assim que voltou, disse:

- Reservamos um quarto especial para o senhor. Deseja também alguma moça especial?

Eu respondi:

- Não, obrigado. Estou cansado e vou dormir logo, amanhã temos muito trabalho e muita estrada pela frente.

Ele saiu para buscar as chaves. Quando me entregou, disse gentilmente:

- Dona Eny gostaria de tomar o café da manhã com o senhor, antes da partida, amanhã. Ela quer conhecê-lo.

Pensei: “A famosa Eny quer me conhecer… incrível!”. Respondi ao garçom:

- Claro, claro. Diga a ela que será uma honra!

No dia seguinte pela manhã, lá estava eu frente a frente com a grande cafetina do país. Os cabelos quase brancos davam-lhe um ar às vezes de mãe, às vezes de avó. Ela iniciou:

- Espero que seus rapazes tenham se divertido…

Falei:

- Pelo tamanho da despesa, acredito que sim…

Ela sorriu:

- Estamos atravessando uma crise muito grande.

Eu:

- Crise?

Eny:

- É. Crise financeira e crise moral.

Sem entender nada, perguntei qual o sentido de sua afirmação. Eny continuou:

- Financeira, porque dependemos da lavoura…

Eu continuava sem entender nada…

- Nossos melhores clientes são fazendeiros que dependem de uma farta colheita. O dinheiro circulante vem daí… Quando acontece a entressafra do plantio, isto aqui fica quase às moscas, o dinheiro some.

Fiquei perplexo com a equação que ela havia montado entre putaria e agricultura. Perguntei:

- E a crise moral? Qual é?

Eny:

- Ora, o senhor nunca foi a um motel? Estes nos arredores da cidade… Os motéis estão crescendo muito e, com esse movimento feminista, até a filha do prefeito dá de graça. As mulheres perderam o pudor…

Não acreditava no que estava ouvindo! Uma tese sociológica sobre moral e costumes partindo da maior meretriz do país. Eny continuou, falando suavemente sobre amor e desilusão, passado e futuro. Eu ouvia tudo atentamente, pois era mais uma lição de vida.

Os gritos do diretor de produção interromperam aquele depoimento inesquecível.

- Vamos embora, vagabundos! Todos pro ônibus. Hoje à noite tem filmagem, além disso tem muito chão pela frente… Vai ser foda!

Próximos capítulos:

Anos após o falecimento de Dona Eny, um conhecido médico psiquiatra adquiriu a casa (fora um dos grandes frequentadores), visando transformá-la num hospital voltado à sua área e também à geriatria, esquecendo-se dos muitos degraus, que sabidamente são óbices para a atividade em foco.

Hoje seus filhos fazem da casa um point de eventos, mais voltados ao estilo “wave”.

Os capítulos seguintes serão contados por quem tiver informações, fotos e vídeos da mais famosa casa de prostituição do País, por acaso situada em Bauru. Usem o espaço de comentários para participar da pesquisa para edição final de forma compartilhada.

Por enquanto postamos, a seguir, vídeos alusivo e um “poadcast”. Ao final, link a uma página com matéria inserida na programação da Tv TEM, repetidora da Rede Globo para Bauru e região.

A afiliada da Rede Globo, TV TEM, com sede em Bauru, produziu uma interessante matéria que pode ser conferida logo abaixo.

Renato Cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.

  1. Excelente matéria. Muito bom o começo para que mais pessoas possam inserir comentários e agregar informações.
    Muito pouco foi dito sobre a fase áurea da Eny, com sua casa próximo ao trevo.

  2. Manoel Ribeiro Simas says:

    Que texto primoroso e que conjunto de informações sobre a Eny e sua casa.
    Falta agora jovens da época mandarem fotos e comentários para enriquecer o artigo.
    Uma abertura e tanto para desvendar os segredos que a sociedade de bauru sempre procurou esconder.
    Quando alguém começar a citar nomes, eu direi sobre os figurões que perderam fortunas na casa.
    O Peninha foi o maior filó da Casa da Eny e viveu um grande amor com a Silvana.

  3. João Tida Leonel says:

    Como está fantástico o Vivendo Bauru.
    Moro em Lisboa e há tempos não volto pra minha cidade natal.
    Estou maravilhado com a qualidade do site e essa matéria sobre a Eny me fez voltar no tempo.
    Sinto que o Vivendo Bauru está se transformando num museu virtual que igual não há em nenhuma cidade.
    Parabéns Renato Cardoso e equipe pela iniciativa e pelo empenho, ao produzir um dos mais completos e bem elaborados sites da atualidade.
    Quando virem um pingo em vermelho em Lisboa, serei eu ou Fátima Bacellar ou um de muitos brasileiros que aqui vivem.
    Bauru está aberta para o mundo, para nosso orgulho.

  4. Manoel Ferrari PINTO says:

    Incrivelmente bem feito e de um conteúdo altamente importante para Bauru. Assim alguém de minha cidade, Campinas, repetisse a idéia. Quero parabenizar os responsáveis.

  5. Nico Menezes says:

    Conheci a Casa da Eny e jamais podia imaginar alguém retratando com tamanha perfeição o que vivi naquele palácio de orgia.
    Parabéns ao autor Renato Cardoso pela narrativa.
    Se a internet fosse usada apenas para fins como este, valeria muito a pena.
    Um exemplo a ser seguido por historiadores de outras cidades.
    Alguém de São Paulo bem que podia se espelhar no formato para termos nossa “cidade da garôa” em textos, imagens e vídeos.

    • Soraya says:

      Olá Nico,

      Estou fazendo um trabalho de jornalismo e gostaria de entrevistar pessoas que frequentavam a casa da Eny, vc toparia? Pode me passar algum contato?

  6. Ivan Smidth says:

    Maravilhoso trabalho. Primoroso sob todos os aspectos.
    Deu até vontade de ter conhecido a Casa da Eny.
    Se foi isso tudo, de fato nenhum outro local chegou perto em termos de “puteiro”.

  7. Ramedlau Nirot says:

    Não conheci a Casa da Eny, mas sim a Casa de Pedra, proxima do local. Um lugar bem frequentado e luxuoso.Hoje no local não existe mais nada faça referencia a uma ” Zona de Meretricio ” . Qdo. trabalhei na faculdade conheci muitos lugares exóticos que fazem de Bauru uma cidade elegante.Aqui em Piracicaba tb. temos um ” bordéu” que vai virar historia.
    A Casa do Genaro ! Ponto obrigatório de personalidades, politicos e outras do genero. É ver pra crer.
    Parabens ao escritor e seus colaboradores

  8. claudio says:

    eu tinha dezoito anos, era estudante e liso. meu pai tinha dado um gordini pra minha mãe, e a noite ela deixava eu sair no carro. pegava mais um ou dois amigos, na mesma situação financeira minha, e iamos rodar a toa. de repente surgia a ideia, vamos pra casa da eni. lá, sentavamos no sofá, pareciamos os donos da casa, mas as mulheres já nos conheciam, e não davam a menor bola. nunca conseguimos nada com as mulheres, mas conseguimos nos acharmos ^bacanas^. foram os melhores tempos de minha vida.

  9. Eu era advogado da Cia. Atlantic em Campinas quando explodiu a venida Nações Unidas. Um caminhão que transportava gasolina para a Atlantic tombou numa curva de uma rua umas três quadras acima, e a gasolina toda vazou; por gravidade chegou ao córrego canalizado da avenida, eram cerca de vinte e cinco mil litros. Com a formação de gases e um suposto cigarro jogado de uma ponte centenas de metros abaixo, onde o córrego era a céu aberto, ocorreu a explosão. Viajei imediatamente para lá, no mesmo dia, a pedido da empresa. Foi quando conheci a casa da Eny, à noite, levado pelo Octaviano, advogado na cidade, que dizia ser a Casa da Eny um ponto turístico obrigatório. Mas não sabia da peculiaridade contada na matéria. Li o livro comentado, é muito bom, uma crônica muito bem narrada e à altura da grandeza dessa figura de verdadeira estadista que foi Dona Eny, a quem conheci nesse dia, já como ponto turístico da cidade. E que lugar! Parabéns pela matéria.

    • Luizinho says:

      as fagulhas que deram início ao incêndio da gasolina que escoava pelo córrego das flores (Canalizado)aconteceram em uma oficina que funcionava abaixo da linha da fepasa, eles faziam soldagens bem próximo do rio, que ali ficava a céu aberto. foi onde se iniciou as explosões. nesse dia eu estava próximo da avenida Rodrigues Alves descendo a nações a pé. foi assustador, carros foram arremessados e enroscados nos fios da rede elétrica.

  10. Nilza da Silva Nobre says:

    Eny…
    Frequentava minha casa,m/ mãe era sua costureira e das suas meninas, a dona Trindade que residia na Costa Ribeiro como inquilina da dna.Pépa mãe do Otto de Carvalho.
    Mudando para a quadra 5 da Antonio Alves,minha mãe recebia-as 2 vezes por semana para os ajustes da costura etc.Dona trindade só permitia que viessem apenas em duas de cada vez….mas m/ saudade da eny era a sua anizade para cosco foi ela quem me presenteou com um lindo livrinho da 1ª comunhão e uma linda sombrinha japonesa em 1957.resido até hoje na quadra 5 da Antonio Alves.Completei,60 anos de residência fixa.1952/2012.
    Obrigada: Nilza

  11. maravilhoso.Nem vou comentar nada, pq tudo que eudisser, será pouco.graças ao jornalista lucius, tenho um exemplar do livro dele,aliás, tbm sou professor e jornalista e no meu tcc, eu havia pensado em escrever um livro sobre o assunto, mas graças a deus o lucius ja havia feito uma obra completa. Obrigado lucius.

  12. Sabrina Cesarino says:

    Parabéns pela matéria!

  13. Thomas says:

    Sou bauruense e vivi na cidade nos anos 70, 80 e 90, quando graças a Deus, consegui me mudar. Minha família é tradicional, era sócia do BTC (me lembro muito bem da regra principal do clube: preto não entra). É triste quando volto as vezes para a casa dos meus pais e vejo que, apesar de ter evoluido,o povo de Bauru continua extremamente provinciana, retrógada e ignorante, como nos anos 60: “negros e pobres na praça Rui Barbosa”, a importância das famílias (“ele é filho de quem?”), etc. O machismo, que afinal era a lógica dos prostíbulos (“moça de família casa virgem; homem faz o que quer”)continua ainda bastante forte. Não sinto saudade nenhuma daí.

    Abs.,
    Thomas

    • Cláudia says:

      Gostei muito de seu comentário, Thomas. Moro em Bauru há quase dez anos e sempre me deparei com esse dilema de essa ser uma cidade grande, porém atrasada no tempo. Um povo retrógrado, altamente preconceituoso em relação a tudo, mas… Sentem orgulho por serem conhecidos no Brasil como sendo a terra do sanduíche e do maior prostíbulo do País! Contradição aqui é o que não falta, meu caro.

  14. Luizinho says:

    Por anda o Gauchinho com seu opala SS amarelo, eu tinha 16 anos, e junto com esse querido amigo da juventude, já frequentávamos preferencialmente a piscina durante as tardes, e conquistar os sentimentos de uma certa garota de lá foi um ponto de honra para mim, fui feliz ainda que por pouco tempo. A garota fazia faculdade em Bauru. È lógico que ela preferiu optar em viver com um certo fazendeiro bem sucedido, também, eu era muito jovem, e nada tinha para lhe oferecer, a não ser o amor.

  15. eunice aparecida rosa says:

    quero adquirir o livro, como faço? fiquei curiosa, não tanto para conhecer a cafetina, mas sim, conhecer um pouco sobre a realidade vivenciada por alguém, de muito apreço, que foi uma da meninas, que tanto lucro deu a essa casa!

  16. Luis Roberto Eloi says:

    eu estou a procura do meu filho……pois quando ele nasceu a mãe dele foi embora para Rio Preto ,antigamente me chamavam de Betinho hj ele deve ter 46 anos.eu moro aki em bauru

  17. worlley pinheiro says:

    como faço pra adquirir este livro.preciso dele em meu acervo de memorias. deste pais ecom proposito de colher pitagoras desta tão conceituada cafetina

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