1º grupo escolar de Bauru funcionou em 1.918

Baseia-se nas informações aqui contidas em pesquisa feita pelo professor Macioniro Celeste Filho, do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp, Câmpus de Bauru. Ele chegou ao 1º Grupo Escolar da cidade, aproveitando o resultado da pesquisa para realizar uma exposição comemorativa ao centenário com fotografias da década de 1930 sobre as atividades dos grupos escolares da região.

O corpo docente do Grupo Escolar de Bauru, em 1918

O 1º Grupo Escolar de Bauru funcionava na av. Rodrigues Alves e, com o desenvolvimento da cidade, na década de 1950, o grupo escolar, rebatizado como Rodrigues de Abreu, foi transferido para um prédio moderno na rua Virgílio Malta, próximo à av. Duque de Caxias, onde funciona hoje a ETEC. O edifício original do 1º Grupo Escolar foi então cedido para a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração, a primeira da cidade, hoje incorporado ao Colégio São José.

O Grupo Escolar, ao permitir o ensino graduado, desenvolvia atividades complementares à sala de aula. Os professores, aí formados em Escolas Normais, inovavam o processo pedagógico. Para tanto, utilizavam-se da organização, sob incumbência dos próprios alunos, de cooperativas, bancos e empórios escolares.

Tais órgãos complementares ao Grupo Escolar administravam a execução das festas escolares, da arrecadação de verbas para a aquisição de livros para a biblioteca infantil, para a manutenção de jornais escolares e para atividades relacionadas ao esporte, ao escotismo e ao cinema com finalidades educacionais.

Nesse processo, contavam com a comercialização na comunidade vizinha de trabalhos manuais femininos, principalmente tecidos bordados, e de trabalhos manuais masculinos, privilegiadamente desenvolvidos em aulas de marcenaria e carpintaria. Tais trabalhos eram executados pelos próprios alunos, sob supervisão docente.

Depois alguns grupos escolares desenvolviam também cooperativas agrícolas, destinadas ao cultivo e comercialização de legumes e frutas. No entanto, não há informação da existência de cooperativas agrícolas nos grupos escolares de Bauru. Além do escotismo, alguns grupos escolares criavam também clubes esportivos, onde professores e alunos praticavam atividades físicas e esportes. Os grupos escolares foram extintos na década de 1970 com as reformas educacionais do período, relatou o pesquisador João Tidei de Lima, que conta que Bauru contava com escolas isoladas desde o final do século XIX. Estas escolas eram multi-seriadas, isto é, o professor, frequentemente exercendo esta função por notório saber, lecionava numa única sala conteúdos diferentes para alunos de idades diversas ao mesmo tempo.

O grupo escolar, que ganhou esta denominação por agrupar estas escolas isoladas, constituía-se numa grande mudança na educação onde ele era implantado. Num único prédio, estabelecia-se uma gradação nos conteúdos ensinados.

Os professores deveriam ensinar conteúdos apropriados a alunos em processo de formação semelhante. Estes alunos, separados por gênero e faixa etária, eram educados de acordo com o grau de seu desenvolvimento escolar.

Conteúdos diferentes eram ministrados por professores diversos em salas separadas, criando-se assim a escola graduada e contava, além dos professores trabalhando coletivamente, com profissionais especializados, como o diretor e o bibliotecário, entre outros. Esta radical transformação do sistema educacional ocorreu em Bauru em 1912, com a criação de seu 1º Grupo Escolar.

Mais sobre o tema pelo link Escolas em Bauru.

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