Bauruense escritor Beto Braga é destaque no Estadão

O jornal O Estado de São Paulo dá destaque em sua edição deste domingo (23 de abril), ao empresário e escritor bauruense Beto Braga, que descobriu a aventura da expedição da Estrada Pan-Americana em 1998, num hospital de Santa Cruz de la Sierra, cidade boliviana onde morava na época. Tudo teve início quando um de seus filhos havia machucado o braço e ele acompanhava a sutura do ferimento quando o médico que realizava o procedimento falou que seu pai havia feito uma viagem de Ford T, em 1928, do Brasil até os Estados Unidos.

“Eu contestei, disse que isso não era possível porque nem estrada existia naquela época. Não teria como chegar até lá passando por cordilheira, pântanos, sem posto de gasolina, loja de autopeças, borracharia”, diverte-se Braga. “Mas ele insistiu na história e falou que tudo estava documentado num diário escrito pelo pai.”

Depois de ver o material, no dia seguinte o médico Erland de Oliveira Gonzales lhe mostrou as anotações de viagem feitas por Leônidas Borges de Oliveira até o México. “Para minha surpresa, não só era verdade, como era a história do projeto da Carretera Panamericana”, lembra o escritor bauruense. Foi aí que surgiu uma obsessão e desde então nunca mais abandonou a história. “Não me conformei em uma história como essa ter sido esquecida. Está nos arquivos nacionais de praticamente todos os países da América, em jornais da época. O projeto da maior obra de engenharia do século 20 foi façanha de brasileiros, revela Braga.”

Depois de se embrenhar na leitura do diário, Braga passou a procurar pistas dos outros dois expedicionários e seus descendentes. Em março de 1998, conseguiu encontrar o mecânico Mario Fava com 91 anos de idade. Lúcido e bem-humorado, o velho expedicionário lhe contou que, quando era menino em Bariri, a família tinha em casa uma máquina americana de beneficiamento de arroz e uma revista que falava dos Estados Unidos e de Thomas Edison. Isso despertou seu interesse pelo país. Quando aos 21 anos lhe disseram que a viagem terminaria em Nova York, ele pegou sua malinha de ferramentas e algumas peças de roupa e se juntou à expedição.

“O livro foi a maneira que encontrei para resgatar essa página perdida na história das Américas e permitir a historiadores, amantes do automobilismo, aventureiros e público em geral que conheçam a história desses três homens que lutaram pela união dos países americanos por meio de uma rodovia”, diz Braga. “Propor ir de carro do Rio a Nova York naquela época era como falar que ia para a Lua de bicicleta. O automóvel estava só começando, tanto que gerou a necessidade de se fazer uma estrada”, justifica Beto Braga, o bauruense escritor.

O acontecimento histórico – base para Beto Braga escrever o livro depois de percorrer o mesmo caminho

Três brasileiros desbravaram mais de 27 mil quilômetros de estradas, picadas, matas, rios e riachos de 15 países nas três Américas, incluindo a Cordilheira dos Andes e a Floresta Amazônica, a bordo de dois Fords T. Isso foi nos idos entre 1928 e 1938.

Eles foram do Rio de Janeiro a Nova York com uma missão: fazer o projeto para Estrada Pan-Americana e dá bem pra imaginar as dificuldades com boa parte do caminho sendo aberta a pás, picaretas e bananas de dinamite.

Um feito para aquele tempo e por onde passavam, os expedicionários eram tratados como visitas ilustres. Nos Estados Unidos, ponto final da expedição, foram recebidos pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt na Casa Branca, reuniram-se com o lendário Henry Ford em Detroit e receberam permissão para dirigir o “intocável” Eliot Ness.

Essa história é contada com riqueza de detalhes pelo bauruense José Roberto Faraco Braga, o Beto Braga, empresário brasileiro que descobriu a saga dos expedicionários por acaso em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, e lançou em 2011 o livro O Brasil Através das Três Américas (Canal 6 Projetos Editorais). O nome do livro foi o mesmo dado por Oliveira a seu diário. “

Imbuídos do ideal do Panamericanismo, em voga na época, e estimulados pela política do então presidente Washington Luís, cujo lema era “Governar é abrir estradas”, os três conquistadores tinham como missão descobrir, projetar e abrir a rota onde futuramente seria construída uma rodovia para interligar as Américas.

“Nenhum dos três tinha noção da distância e das dificuldades que enfrentariam nesse período, mas acabaram fazendo o maior projeto de engenharia do século 20.

Foto1 acima vendo-se os expedicionários com o presidente americano Franklin Roosevelt; Foto 2, o lendário empresário Henry Ford. 


A expedição dos três brasileiros foi consequência de um sonho: unir os países da América, por meio de cooperação econômica, cultural e militar. Por trás estavam também interesses comerciais, sobretudo dos Estados Unidos.

Prevista inicialmente como uma única rota, a Pan-Americana é hoje uma junção de vias construídas em diferentes épocas que liga Norte e Sul do continente. Sai do Alasca, nos Estados Unidos, e vai até Ushuaia, no extremo argentino, cruzando montanhas e planícies, florestas e descampados, desertos e áreas cobertas de neve.

Veja a interessante matéria pelo Estadão, clicando aqui. Um rico documentário para ficar na história e tendo como base de informações e material de fotografias e vídeos do acervo do bauruense.Expedicionários mostram, em 1938, o projeto da Estrada Pan-Americana ao então presidente Getúlio Vargas no Palácio do Catete – ACERVO BETO BRAGA.

Leia todo documentário com infográficos, fotografias originais, vídeos e depoimentos pelo Estadão de hoje (só clicar).

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