Bauru e ferrovias

Foto em destaque: Prédio que abrigou toda administração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, construída em 1939

A movimentação da cidade aconteceu por causa da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e isso está nos anais da história e não tem como esconder ou fugir da realidade.

A história de Bauru se confunde com a história das ferrovias, chegando ao ponto, em seu tempo áureo, ser nossa “Sem Limites” o maior entroncamento ferroviário do País, ou talvez até mesmo das Américas.

A primeira estação ferroviária de Bauru.

A história recente da cidade não pode deixar de ser vinculada à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Mas Bauru já existia antes da passagem dos trilhos por aqui.

Origens

No século XIX, a expressão “sertão bruto” era usada com referência à região que a cidade ocupa hoje. A conquista do Oeste do país tem histórias parecidas.

Bauru foi mais um lugar onde desbravadores brancos – os bandeirantes – lutavam com índios pela posse do território. A terra era ocupada pelos indígenas Kaiagang, que emprestaram um vocábulo de sua língua para dar nome à cidade. Na língua deles, Bauru quer dizer “cesto de frutas”.

Os primeiros desbravadores que vieram para a região foram Felicíssimo Antonio Pereira e Antonio Teixeira do Espírito Santo. No documento de legalização das terras de Felicíssimo, o nome de Bauru apareceu, oficialmente, pela primeira vez.

Em 1884, quase trinta anos após sua chegada, Antonio Teixeira do Espírito Santo decidiu doar uma parte das terras de sua Fazenda das Flores para a formação do patrimônio de São Sebastião do Bauru. No dia 1º de agosto de 1896, Bauru foi elevada à condição de vila.

A chegada da Ferrovia

Quase dez anos depois, em 1905, a cidade recebeu sua primeira ferrovia: a Estrada de Ferro Sorocabana, que ligava Bauru a São Paulo. Foi o início do crescimento populacional na região. Além da chegada dos operários, que trabalharam na construção das linhas, o comércio local teve ganhos e houve incentivo à migração.

Em 1906, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) inaugurou o seu primeiro trecho em Bauru (Bauru – Avaí), no prolongamento da Sorocabana.

O traçado inicial da NOB ia até Cuiabá, no Mato Grosso. Em 1908, o destino da linha foi alterado para Corumbá, no Mato Grosso do Sul, rumo às fronteiras boliviana e paraguaia.

O novo caminho é herança das bandeiras que rumavam para o Oeste, com a intenção de conquistar territórios desconhecidos. A inauguração da estação final em Corumbá aconteceu 15 de dezembro de 1952. Sua extensão é de 1600Km e interliga-se com todos os sistemas ferroviários de norte a sul do país.

Em 1910, com a chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Bauru passou a abrigar um dos maiores entroncamentos ferroviários do interior do continente. Já em 1939, com a conclusão da nova e enorme estação da Noroeste, que englobava também os escritórios da empresa, todos os embarques e desembarques das três ferrovias foram centralizados nessa estação.

Em 1957, a NOB foi incorporada à Rede Ferroviária S.A. Em 1961, todas as ferrovias paulistas, caso da Companhia Paulista e Sorocabana, foram encampadas pelo governo paulista, dando origem às Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa).

Os trens de passageiros da Noroeste foram extintos em 1995.

Em 1998, toda a malha da Fepasa foi concedida à iniciativa privada. Os trens de passageiros para Bauru, na antiga linha da Companhia Paulista, chegaram à Estação pela última vez em 15 de março de 2001.

Os fatos provocaram o redimensionamento da malha ferroviária, que foi reduzida de 23 mil quilômetros em 1996 para 19 mil em 2002, de acordo com dados do Sindicato dos Ferroviários.

Fonte: Os Frutos da Terra Bauru 1896-1988

HISTORICO DA LINHA 

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil foi aberta em 1906, seguindo a partir de Bauru, onde a Sorocabana havia chegado em 1905, até Presidente Alves, em setembro de 1906.

Em janeiro de 1907 atingia Lauro Müller, em 1908 Aracátuba e em 1910 atingia as margens do rio Paraná, em Jupiá, de onde atravessaria o rio, de início com balsas, para chegar a Corumbá, na divisa com o Paraguai, anos depois.

O trecho entre Araçatuba e Jupiá, que até 1937 costeava o rio Tietê em região infestada de malária, foi substituído nesse ano por uma variante que passou a ser parte do tronco principal, enquanto a linha velha se tornava o ramal de Lussanvira.

Em 1957, a Noroeste passou a fazer parte da RFFSA. Transportou passageiros até cerca de 1995, quando esse transporte foi suprimido. Em 1996, a RFFSA deu a concessão da linha para a Novoeste, que transporta cargas até hoje.

A ESTAÇÃO

A estação da Noroeste em Bauru foi inaugurada em 1906, com muitas festas.

A Sorocabana já tinha sua estação, a poucos metros, desde 1905, e a Paulista chegaria a Bauru em 1910.

No ano de 1921, a Noroeste inaugurou suas novas oficinas no pátio ferroviário (clique para ver).

Em 1939, com a conclusão da nova e enorme estação da Noroeste, que englobava também os escritórios da empresa, todos os embarques e desembarques das três ferrovias foram centralizados nessa estação, e os prédios da Sorocabana e da Noroeste foram desativados. Enquanto houve trens de passageiros naquele que era chamado de maior entroncamento ferroviário do Brasil, a estação teve enorme movimento.

No final de 1995, os trens de passageiros da Noroeste foram extintos. Nos anos 1990, ele minguou e, desde que a concessionária Novoeste assumiu a ferrovia, em 1996, ele definhou rapidamente. Em 1999, os escritórios da ferrovia Novoeste, concessionária da linha desde 1996, se mudaram dali e a estação caiu no abandono.

Os trens de passageiros para Bauru, na antiga linha da Cia. Paulista, chegaram à estação pela última vez em 15 de março de 2001, sendo então suprimidos. A estação, então, somente servia como plataforma de embarque e desembarque. Depois desse dia, nem para isso.

Em meados de 2010, o prédio da estação foi adquirido pelo município; talvez agora dêem um jeito naquele local largado às traças, mas em janeiro de 2011, continua tudo na mesma situação.


ACIMA: A estação de Bauru em construção (1938-39) (Autor desconhecido). ABAIXO: Apesar da depredação e sujeira geral na antiga estação hoje abandonada em Bauru, o hall de entrada ainda mantém o balcão com o toldo cheio de informações ainda do tempo da RFFSA-10a Divisão, em 2008, quando ali foi realizado um evento de ferromodelismo. Os mais desavisados podem até pensar que ainda se vendem passagens para Corumbá… (Foto Julio Cesar de Paiva, 27 de setembro de 2008).


(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Julio Cesar de Paiva; Ricardo Frontera; Adriano Leonardo Pazzini; Daniel Gentili; RFFSA: Noroeste, Ferrovia da Integração, 1982; Mapa – acervo R. M. Giesbrecht). Mais com fotos em NOB.

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Logotipo da N.O.B.

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB, popularmente o Trem do Pantanal) era uma companhia ferroviária brasileira que operava uma rede ferroviária de bitola métrica (um metro de distância entre os trilhos) com extensão de 1622 quilômetros, construída na primeira metade do Século XX.

Seu traçado ainda serve os trens de minério entre a região central do estado de São Paulo, a partir de Bauru, até a divisa com a Bolívia em Corumbá, Mato Grosso do Sul, fazendo integração com a rede ferroviária boliviana até Santa Cruz de la Sierra, além de haver um ramal de Campo Grande (estação Indubrasil) a Ponta Porã. Em Bauru fazia-se baldeação com a E.F. Sorocabana e com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro para viajar-se até a grande capital paulista.

Inicialmente de iniciativa privada, passou ao controle da União antes de ser completada (1917). Foi incorporada à Rede Ferroviária Federal S.A. na criação desta (1957), como uma de suas regionais. No processo de desestatização da RFFSA, a ferrovia foi concedida como Malha Oeste à Ferrovia Novoeste S.A.. Atualmente pertence à América Latina Logística S.A., após a fusão desta com a Novoeste Brasil e a Brasil Ferrovias, fruto de transação acionária ocorrida em maio de 2006.

Continue lendo Estrada de Ferro Noroeste do Brasil na Wikipédia.

Aqui, vários vídeos sobre Estações de Estradas de Ferro.

Pesquisa e texto finalizado por Renato Cardoso (jornalista, publicitário e bacharel em direito)

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