Banco Vazio da Pracinha

Às vezes me pego sentado em um banco de jardim, da Nossa Pracinha, e agora essa saudade melancólica me toma neste domingo, desta tarde serena e solitária. E como sabem, torno-me pensativo.

Meu amigo se fora, não o primeiro, que fora o Zé Roberto, nem o segundo Carlos Augusto Trombini, e agora Nardo, um terceiro que se vai. Sidnei Borro fora amigo de infância, mas nos separamos na adolescência.

José Newton de Souza Santos, fora meu amigo, mas esse foi embora muito cedo, ainda na juventude, então sua distância está muito longe no Tempo e sua presença permanece somente em minh’alma. Janey teve tempo para me dizer adeus. Agenor se mandou um pouco antes. Syca já algum tempo atrás. João Henrique nem teve tempo de despedir-se de mim. Bodinho, nem fiquei sabendo. Silvio desapareceu no fragor dos ventos.

Então, com essa ida de Nardo, meu banco da Pracinha, novamente está vazio, naquelas tardes de domingo, que antecede a noite, que estas sim, eram povoadas dos meus heróis da G8 e que discutíamos com Clésio e Roberto as lições dominicais futebolísticas, do Marabá, do Independente, do São Francisco, do São Lourenço, do Palmeiras, do Santos, do Corinthians, do Noroeste, e esse calor do clima da Bela Vista e também esse calor humano daqueles jovens, e esse sentimento de banco de granito vazio marmorizado em minh’alma com os dizeres de Walter Coltro Rayel, Waldir Sardinha, Eugênio Borro, Savério Fayner, Leônidas Simonetti, José Daccash, seu Benjamim da sorveteria, Laraim B Mozer, de um domingo à noite, faz-me voltar um Tempo, que se foi, mas que a falta recente de um desses amigos, e o banco vazio, faz meu coração solitário entristecer.
Mas sei que amanhã será um novo dia, uma nova segunda, uma nova aurora em minha vida presente.

Até amanhã, Nardo! Lembranças ao Agenor e Sidney, diga-lhes que os amei muito em vida.

Saudades, uma palavra singular

Saudade é uma vida que não podemos viver, conviver, reviver;
Acredito sim, que saudade não é o amor que fica.
Saudade é uma palavra de amor despedaçado, desgarçado, abandonado;
Saudade é um sentimento de que uma parte nos foi arrancada, esquartejada, pendurada em um destes postes de Vila Rica;
Saudade é uma vida que deixamos de existir,
Enfim, saudade é ainda o gosto dos ventos de agosto (Antônio).
Saudade é essa criança, a que se foi, de nós,
E a que está em nós, amalgamada, e que não se desfaz,
E quanto mais queremos que ela saia,
Mais se aprofunda em nossa alma,
Fazendo com que habite em nosso ser,
Em nosso espírito, toda uma vida, toda vida.
Que não podemos mais viver, conviver e nem reviver.

* Crônica escrita por Mariano de Mariano.

Clique para continuar lendo as boas do Vivendo Bauru.