Automóvel Clube de Bauru: uma história mal contada

Faça a avaliação que quiser, podendo ser relacionada à história (tem pouca coisa a respeito em registro), ou ao futuro desse prédio que faz parte da lista de bens tombados e que é um dos patrimônios históricos da cidade.

Sabe-se que sua construção data de 1.939, no auge da construção das ferrovias, ou melhor, prolongamento da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, quando a cidade precisava de atrativos para “segurar” os profissionais que para cá vieram para fazer parte do corpo de técnicos (mais engenheiros). Muitos vindos do Rio de Janeiro.

Tanto é verdade que, se olharmos para o passado, temos o Aeroclube de Bauru, construído na mesma época (início em 1.939 e inauguração em 1.941), o Rotary Clube (1.938) e o um hospital dedicado aos ferroviários, hoje demolido, na época localizado na Bela Vista.

Era tudo que a cidade precisava para fazer com que os profissionais e suas famílias aqui permanecessem e dessem sua contribuição na difícil missão de estender a linha da N.O.B. até a Bolívia, hoje uma realidade.

Mas não se sabe (ou pelo menos não tem divulgação a respeito), de quem é o projeto arquitetônico do “Palácio Encantado”.

Cumpriu com seu papel nas décadas de 40 e 50 do século passado, com festas de muito glamour. Bailes, desfiles de modas, eventos importantes de caráter público e até apresentação de peças teatrais. Era lá que ficavam os praticantes do xadrez, depois transferidos ao Bauru Tênis Clube.

Sabe-se que era um clube de poucos associados, quase os mesmos que também faziam parte do clube Sociedade Hípica de Bauru e depois do Bauru Tênis Clube. Aliás, na medida em que o Automóvel Clube deixava de promover festas monumentais, entrava o BTC e oferecia festas do mesmo porte, a um corpo de sócios muito maior, abrindo espaço para que mais e mais bauruenses fizessem parte.

Sina, destino, ou acaso, mas com o fim das atividades sociais no Automóvel Clube, foram iniciadas as que constam da história do BTC, talvez o mais atuante na época (concorria ligeiramente com a Associação Luso Brasileira de Bauru).

Há um fato que nos remete aos anos 70, quando um grupo de jovens, liderados por Wellington Sandrin, Toledo Filho e Evaldo Rino, tentaram assumir a diretoria do Bauru Tênis Clube e perderam a eleição para os tradicionais no corpo diretivo. Com o ímpeto dos jovens, partiram para o Automóvel Clube, foram acolhidos, e fizeram do “Palácio Encantado”, o ponto mais badalado da cidade.

O clube não estava em condições de abrigar grande público, diante da estrutura que dava sinais de fragilidade e aí entrou o arquiteto Jurandyr Bueno Filho e promoveu uma pequena alteração no projeto inicial e os jovens partiram para a reforma, que se deu sob comando do Antonio Eufrásio de Toledo Filho, o Toledinho.

O time contava com Paulo Medina na diretoria social e por aí podemos nos lembrar das festas memoráveis ocorridas naquele período, como que o passado tivesse mesmo ficado pra trás, ou esquecimento, e o que valia mesmo era o que se vivia naquele momento, com uma boate sob a escada que marcou época. Um belo restaurante foi construído nos fundos, que foi o ponto mais procurado por quem queria frequentar um ambiente fino em seus momentos de refeição. Jurandyr se inspirou, na elaboração do projeto, num conhecido restaurante, muito famoso na época, situado em Itapecirica da Serra.

Uma festa em especial ficou marcada com relação à fase do clube nos anos 70: a Noite Baiana. A exigência era tamanha, que Paulo Medina foi a Salvador para saber mais sobre a culinária de lá e o resultado não podia ser outro que não o verificado, que fica na saudade. Convidados e presentes, Clodovil, Agnaldo Rayol e todo um time que mandava na noite paulistana. A cantora de muito sucesso em Portugal, oriunda de Pirajuí também estava lá, a Maria Helena Guimarães.

O futuro

A TV Tem bem que tentou subtrair mais informação junto ao advogado que regulariza a parte documental do Automóvel Clube, que pediu para não ser identificado, mas informou que a fase é de acertos junto aos sócios proprietários do clube, para depois ver o melhor destino. Hoje já não temos nossa banda e orquestra municipal lá ensaiando, mas é esperado que se dê a melhor solução, porque o espaço é um dos mais admirados e queridos dos bauruenses.

(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.

Saiba mais pelo Vivendo Bauru. Com fotos de Carlos Giaxa.