A Avenida Nações Unidas tem sua própria história dentro da história de Bauru.

Tanto a ponto do ator Huxley Ivens, 34, definir: “a Nações Unidas tem seu lado poético. E também trágico. Foi na avenida desenhada pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, morto em fevereiro de 2009, que Bauru viveu alguns de seus dias de maior brilho, por causa do Carnaval, na época em que a festa era realizada nas ruas e a cidade ainda não tinha um sambódromo.”

Outros fatos corroboram com a afirmativa de Ivens, como o fato de ter sido a avenida, palco de cenas tristes, como afogamentos causados pelas inundações nos períodos de chuva, mais pontuadamente no lago do Anfiteatro Vitória Régia.

“Um contraditório entre nostalgia, poesia e tragédia, mas sem perder o charme que vem de sua beleza, principalmente na noite bauruense”, afirma Huxley, um fã declarado da Nações.

Huxley Ivens escolheu a Nações Unidas para um laboratório teatral que chamou a atenção. Por meio de técnica do russo Constantin Stanislavski, a memória emotiva, viveu alguns dias como se fosse um andarilho.

“Fiquei três dias sem comer e experimentei por 48 horas a convivência junto aos andarilhos e mendigos que ali viviam”, lembra.

A jornalista Cristina Camargo saiu no Bom Dia Bauru com interessante matéria a respeito, que vai na seguinte direção:

“A experiência foi considerada inesquecível e marcante para a carreira do ator. Ele sentiu na própria pele os dois lados da avenida: o poético, traduzido na arte de representar, e o trágico, ao conviver como os pedintes e até passar fome.

Lelo´s / outra testemunha dos dois lados da avenida é o comerciante Rogério Pereira Arcangelo, o Lelo. Ele é proprietário do Lelo´s Lanches e Bebidas, lanchonete aberta em janeiro de 1976.

O primeiro endereço do Lelo´s, na época em que ainda funcionava num trailer, foi o viaduto no cruzamento da Nações com a Duque de Caxias.

Um acidente obrigou a lanchonete a mudar de lugar. E não foi qualquer acidente e sim um histórico. Um derrame de combustível causou uma grande explosão na avenida, justamente no dia em que a cidade recebeu a visita do presidente Ernesto Geisel, o penúltimo da ditadura militar e responsável pelo início da reabertura política.

Os tempos eram turbulentos e a primeira hipótese foi a de um atentado político contra o presidente. A versão oficial é que não passou de um acidente, que entrou para a memória coletiva.

Na época, o Lelo´s foi obrigado a ir para a avenida Nuno de Assis, onde ficou durante um ano.

Depois voltou à Nações Unidas e ali construiu sua marca famosa. Foram 17 anos no cruzamento com a Duque de Caxias, oito na quadra 30, quatro na quadra 21, e desde 2006, a lanchonete está na quadra 24.

“Daqui não saio”, avisa Lelo. Adoro a Nações, enraizei aqui”.

O comerciante percebe as mudanças da cidade e sabe que outros pontos de encontro surgiram, como a avenida Getúlio Vargas. Mas, no caso da lanchonete dele, os clientes seguem frequentando a Nações.

Lelo tem clientes de três décadas. Vários vão comer seus lanches com os filhos e até netos. É assim que ele vê o tempo passar na avenida que escolheu para chamar de sua.

Tragédia

Para a família do publicitário Rafael Franco Zontini, a avenida só tem o lado trágico. Rafael morreu aos 24 anos arrastado pela enxurrada em plena Nações Unidas, na grande tempestade que atingiu Bauru em novembro de 2010. O vídeo que mostra as tentativas de salvamento teve repercussão nacional.

Rafael não foi a única vítima da avenida. Outras pessoas perderam a vida por causa de inundações em anos anteriores. Moradores e comerciantes sabem que os dias de chuva forte significam perigo no cartão-postal de Bauru.

No ano passado, comerciantes que se preparavam para a festa do Dia do Trabalho foram surpreendidos pela inundação e viram as águas arrastarem até mesmo geladeiras.

Generosa, Nações Unidas é aberta a público diversificado

Uma coisa é certa: o dia em que a Nações Unidas fica mais animada e colorida é o da Parada Gay, que os organizadores locais preferem chamar de Parada da Diversidade. A quarta edição, realizada em agosto do ano passado, reuniu cerca de 40 mil pessoas, público recorde.

Liderada pela ABD (Associação Bauru pela Diversidade), a parada reúne milhares de manifestantes contra o preconceito desde a primeira edição, em 2008.

São pessoas que vêm da região e até de cidades distantes. Saem da Praça da Paz e se concentram no Parque Vitória Régia para os shows da noite.

Além do evento, são atraídas pela cena gay de Bauru, que já ficou conhecida pelas baladas voltadas ao segmento.

A drag queen Rubya Bittencourt tem o privilégio de ver a Nações do alto de um trio elétrico nos dias de parada.

No entanto, a lembrança que permanece na sua memória é a da avenida rachando por causa das explosões provocadas por vazamento de combustível.

“Lembro das crateras separando as duas pistas ao meio… Eu era criança e isso me traumatizou. Quando estou no trio, apesar do colorido e da alegria embaixo, a cena da avenida se partindo sempre permanece em minha memória”, diz.

De acordo com a descrição de Rubya, parecia a “guerra dos mundos”.

Ela morava no edifício Brasil-Portugal, um ícone da avenida, e lembra de ter visto rachaduras, lama e fogo.

Mas há um mistério no relato da artista: as explosões que testemunhou teriam acontecido entre 1983 e 1984, quando ela vivia no edifício na esquina com a avenida Rodrigues Alves.

Falhas da memória ou não, o fato é que as lembranças traumáticas não chegam a atrapalhar a performance de Rubya no trio elétrico.

“E as gays deixam? Tenho medo que a avenida exploda de novo de tanto que fervem”, brinca.A avenida Nações Unidas foi construída durante os mandatos de vários prefeitos. Financiada pelo governo estadual em parceria com o município, sua extensão, a Nações Norte, foi inaugurada ano passado e é a nova promessa de desenvolvimento para Bauru.

30
É o número de metros do túnel escavado por criminosos e descoberto em fevereiro de 2011 na quadra 3 da Nações. O objetivo era chegar até uma empresa de segurança e transporte de valores.

Nações Norte foi esperada
A Nações Norte liga a Nações Unidas à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, conhecida como Bauru-Marília. As obras começaram em 2009, após anos de expectativa e está pronta, esperando por melhorias e quem sabe até o Ibirapuera Bauruense, em área absolutamente adequada à proposta.

Avenida Pelé

Há quem defenda substituir o nome da avenida para Avenida Pelé, na esperança de alavancar o marketing e atrais investidores assim como valorizar a área.

Parque Vitória Régia

Sem dúvida o cartão postal da cidade, se bem que um problema que um dia deverá ser enfrentado, por conta das constantes enchentes e subdimensionamento na tubulação da água pluvial que se mistura ao que corre por debaixo do asfalto (Ribeirão das Flores).

74%
É a porcentagem dos usuários da Sorri-Bauru que têm renda de apenas um salário mínimo.

Point de revendas de marcas famosas

Revendas de automóveis se instalam na Avenida Nações Unidas e dão à mesma real beleza.

É na Nações que fica o Teatro Municipal

Embora não um teatro como todos gostariam, mas nosso equipamento tem cumprido com sua função e aberto para realização de grandes eventos.

Sorri é motivo de orgulho

Fica na quadra 53 da Nações uma das entidades sociais mais conhecidas de Bauru, a Sorri, que funciona como um grande centro de reabilitação voltado a pessoas com deficiências. É uma entidade respeitada pelo trabalho de inclusão realizado. Em 2008 foi criado o Núcleo de Pesquisa, que registra e padroniza os dados do Centro de Reabilitação, numa contribuição à comunidade científica.

As informações são do jornal Bom Dia.

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